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segunda-feira, 24 de julho de 2017

NASA - Moon, Mars, and Beyond

50 Years of Mars Exploration

Descoberto navio de guerra do século 16 com tesouro

Memórias do Mar (II)

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O que a História nos conta do que os mares nos escondem - e reservam - ante toda uma misteriosa conformidade do que o Homem pode e a natureza marinha nos acolhe, ante também toda a beleza envolvente que se não deixa admoestar perante os uivos dos lamentos dos que já se foram...

«De Veneza chegaram agora cartas. Um português me escreve agora que as naus d`especeria (especiaria), que os venezianos lançaram nova que lhe vinham, fora tudo bulra (burla, engano ou fraude) e que nam (não) havia especeria nem naus por onde Vossa Alteza deve crer que a Índia está bem guardada. Escreve-me este que todas as cartas que vem de Constantinopla falam da grande armada que o turco faz pera (para) a Índia».

                          1531, Flandres: carta de Dom Pedro de Mascarenhas de Bruxelas ao Rei de Portugal.
                                  (Gavetas, 1964, tom. IV, p. 113 - História de Portugal de José Mattoso)

Havendo a coerência e talvez persistência dos que acorrem ao chamamento do mar ou, à procura do que então lhe ficou submerso na quantidade disforme do que este recolheu em si, em tesouros e em bem graças (de moedas de ouro a artefactos valiosíssimos), o Homem atendeu-se e submeteu-se à mais cruel capitania da sua vida: A ambição desmedida de enriquecer pelo que outros desmereceram e deixaram petrificar no fundo do mar.

À medida que os níveis dos Oceanos e das águas interiores do Planeta se foram alterando - pela força da Natureza ou mais recentemente pela acção do Homem - e os mares e os rios se transformaram em vias de comunicação, os homens foram deixando testemunhos da sua passagem nas profundezas das águas: de pinturas rupestres a povoações submersas (passando obviamente, pelos naufrágios), segundo Mónica Bello nos relata sobre os Enigmas da Costa Portuguesa.

Mas mais há e haverá certamente. Desde o esbulho territorial ao marítimo; e isto, ao longo dos séculos no intento e na consideração política das nações que se debatiam ou esgrimiam entre si, sobre a potencialidade dos mares e de suas riquezas.

A Expansão dos Impérios alada aos caprichos da Natureza (com influência inevitável das alterações climáticas) veio pôr a nu - ou a descoberto - certas e determinadas realidades que se supunham enterradas/sepultadas há muito no mar; de entre elas, as irrefutáveis provas dessas tão imponentes rotas comerciais que as gerações passadas edificaram - e para as seguintes identificaram - como um dos mais gloriosos eventos marítimos do passado, não fossem os piratas, os terríveis corsários de outros intentos, outras manigâncias (mais coercivas e de grande violência) de roubar, violar e usurpar o que outros detinham por «similares» roubos, extorsão ou estupro a outras terras, outras gentes...

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Do Império Atlântico quinhentista à razia nacional de umas quantas traineiras em actividade piscatória ou, na versão moderna da era actual do século XXI (esta menos aventureira mas mais eloquente e voluntariosa), numas quantas fragatas portuguesas da Marinha Portuguesa que se prontificam (em tripulação e armada portuguesas) a recolherem os exilados/migrantes/refugiados da Síria, Afeganistão, Iraque, Eritreia e outros tantos que se fazem ao mar para fugir à fome e à guerra, sem tesouros, sem nada de seu...

O que a História nos conta...
Segundo nos relata José Mattoso, o prestigiado historiador português, no seu livro/enciclopédia da História de Portugal - O Império Atlântico - advogava-se por uma Conjuntura Política Internacional, com a ascensão dos Países Baixos do Norte e da Inglaterra, sobretudo a partir de 1573, redistribuindo assim a configuração do mercado mundial.

A Pirataria Moura, bem mais grave e depredadora que a francesa ou inglesa, obriga a um recolher do grande comércio. Mas, com essa redefinição, e em que Lisboa perde sobejamente, os pequenos portos e de um modo relativo ou até pontual, mostram-se mais activos num ritmado jogo de balancé, segundo alguns extractos. (Cortesão, 1940; Mauro, 1960, pp. 491-492). É que a Economia do Império Atlântico, ao contrário da do Oriental, não passava obrigatoriamente pelo filtro das estratégias dos organismos centrais da coroa.

A Colonização do Brasil, ao contrário da exploração quatrocentista da África - ou depois quinhentista da Ásia - não teve, de início, a participação directa do Rei. Este reserva para si e apenas, os direitos do pau-brasil, o estimado corante que acabou por dar o nome à terra nova que Pedro Álvares Cabral avistou em 22 de Abril de 1500 (...).

Mattoso afere ainda de que, O Comércio Régio, no entanto, com dificuldade se consegue manter no almejado domínio monopolista. E reforçam-se reestruturações tonteantes, que se iniciam por 1560-1570, com outras formas menos centralizadas. Até espacialmente!

Mantendo o exclusivo do Grande Comércio Oriental, mas erguendo-se outros portos (como de partida e de chegada dos tratos atlânticos), a posição relativa de Lisboa monopolista enfraquece-se; mas nem por isso alguma outra cidade se lhe aproxima...

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Da Antiguidade para os nossos dias (2015): Atlântida e os seus mistérios... artefactos e minérios agora encontrados sob o destino ou segredo dos deuses que nos contam de outras histórias...

Recuando no tempo...
Uma equipa de mergulhadores italianos descobriu de uma embarcação naufragada há cerca de 2600 anos (ou mais exactamente há 550 anos a. C.) - na região de Gela, a 300 metros dos seu porto, no sul da Sicília, ou seja, nos mares de Itália - 39 barras de Oricalco (orichalcum), mineral lendário ou mítico que, segundo Platão, se encontraria em vasta profusão sob a terra ou sob o mar de minas perdidas dessa tão esplêndida terra denominada: Atlântida.

«Nada similar jamais havia sido encontrado», convicta afirmação de Sebastiano Tusa da agência marítima local ao Discovery News. Acrescenta em tom efusivo mas conhecedor:

« Nós conhecíamos o Oricalco (ou orihalcon) de textos antigos e de alguns objectos ornamentais». De acordo com Tusa, a descoberta chama a atenção para a importância da cidade no cenário económico e cultural do Mediterrâneo, da época. Remata dizendo: « O achado confirma que cerca de um século após a sua fundação em 689 a. C., Gela veio a se tornar uma cidade rica, com oficinas de artesanato especializadas na produção de artefactos valiosos». Concorda-se com tal.

O que Tusa não soube explicar mas os especialistas mais em pormenor e concordância admitiram posteriormente, foi, de que se trataria de uma liga metálica semelhante ao Bronze, obtida através da reacção entre os minérios de Zinco (15-20%), Cobre (75-80%) e Carvão, além pequenas quantidades de Ferro, Níquel e Chumbo (por rigorosa tecnologia realizada através da fluorescência de raios-X).

Todavia, a sua composição, bem como a sua origem, continuam incertas ou ainda por identificar devidamente, uma vez que os analistas científicos ainda em debate, não chegaram propriamente a uma conclusão definitiva ou assaz convergente sobre essa sua origem. Esperemos então pela confirmação do que se tratará efectivamente este tão misterioso ou lendário mineral que tantos coloca em sua análise e aprofundamento.

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Arqueólogos em escavação na ilha de Al Hallaniyah, em Omã (foto gentilmente cedida  pela Blue Water Recoververies, BWR). Nau de Vasco da Gama descoberta, em Omã, há cerca de 20 anos; mas só agora se sabe desta e, ao que se presume por actuais averiguações, tratar-se-à de uma nau da frota de Vasco de Gama, o tão famoso navegador português, aquando a sua segunda viagem à Índia, na ilha de Al Hallaniyah, no sultanato de Omã.

A Polémica!
No primeiro texto apresentado, inferia-se tratar-se de uma nau de Vasco da Gama de sua pertença e nome: Esmeralda. Até aqui, tudo bem. O que se segue é que já não condiz com as últimas aferições do que entretanto todo um processo evolutivo de argumentação e esclarecimento se lhe sucedeu (ou que em maior registo se foi debatendo); porém, também em maior confusão mas também maior trato, segundo os especialistas.

Segundo a publicação do International Journal of Nautical Archaeology sobre o espólio recuperado, sublima-se então: Existe a principal hipótese que os materiais identificados pertençam à nau Esmeralda, muito embora se reconheça que estão ali documentados dois naufrágios, em 1503 (numa referência directa à nau São Pedro, embarcação que também faria parte da frota de Vasco da Gama).

Estes dados estão presentes no artigo desta publicação, que são da responsabilidade de David L. Mearns, director da BWR (empresa britânica de salvados marítimos em associação com o Ministério do Património de Omã) , de Bruno Frohlich, antropólogo da Smithsonian Institution e ainda do arqueólogo, David Parham, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.

Segundo o que dita o jornal Público, estas duas naus eram comandadas por Vicente e Brás Sodré, tios do tão bravo navegador português, Vasco da Gama, e que, num pequeno esquadrão de 5 embarcações com um objectivo preciso (por obra, missiva e graça d`El-rei e Senhor Dom Manuel I) de se dedicarem a combater os muçulmanos na costa do Malabar (e à entrada do Mar Vermelho), assegurando o controlo do comércio de especiarias.

Ignorando as instruções do Rei, passaram eles, os irmãos Sodré, ao saque total dos navegantes árabes por aquelas zonas. Actuando como verdadeiros corsários, a pena capital foi divina, senão justa ainda que cruel, tão cruel quanto os actos impunes que entretanto eles fizeram, não se apiedando das suas vítimas que degolavam e mandavam ao mar, ficando-lhes com os tesouros, as riquezas.

A ganância tem limites e a tempestade pôs freio então a esta: os irmãos Sodré morreriam sob os escombros do saque e da malfazeja vida que até então levaram, naquele fundão de baía amaldiçoada ou de justiça aplicada, segundo alguns.

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Esquadras que imperavam e, ultimavam, quem afronta lhes fazia; até mesmo indo contra ordens e seguimentos por palavra e lei de seu rei. Tesouros que o mar esconde mas outros descobrem em ordem e palavra de outra lei, outra grei, e quiçá de outros senhores...

Debate e análise...
Luís Filipe Vieira de Castro, da Universidade do Texas, não corrobora desta tese, do espólio ser de pertença da nau afundada, Esmeralda (ainda que admita ser plausível a sua história assim como os artefactos encontrados serem da primeira metade do século XVI).

Vieira de Castro enaltece ainda: «Não creio que se possa identificar o navio, como não se pode identificar a Nossa Senhora dos Mártires, em S. Julião da Barra (Oeiras, Portugal). Mas esta colecção de artefactos bem estudada (pronunciou o investigador ao Público), pode contar mil histórias fantásticas, não só sobre Portugal». Mas vai ainda mais longe no ímpeto verbal:

«Faz-me pena ainda andarmos dentro deste paradigma das nacionalidades. A Expansão Portuguesa é uma história de cosmopolitismo», reverte este professor sob a égide dos muitos estudos por si efectuados (navios ibéricos do século XVI), no que também classifica o achado, associado ou não à frota de Vasco da Gama, como, extraordinário!

Opinião igual tem José Virgílio Pissarra, historiador naval e investigador do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa, em Portugal, que admite sim, que eventualmente se pode tratar das naus dos irmãos saqueadores Sodré mas não da aferição do espólio à nau, acrescentando ainda que é insustentável (do ponto de vista científico) quem o possa afirmar com toda a certeza, uma vez que se encontram dois navios naufragados nessa mesma zona.

 No entanto, Pissarra reconhece: « A confirmar-se que o espólio saiu das naus dos Sodré, podemos dizer que nunca antes se tinha localizado um naufrágio da armada de Dom Manuel I, no Índico!»

Este autor de uma tese de mestrado sobre esta armada - José Virgílio Pissarra - reverbera que na fase inicial do comando de Vicente Sodré, a frota era ainda pequena (de apenas 5 navios, passando para 200, só em 1530). Refere peremptoriamente que:
«É a Primeira Armada Europeia com um destacamento transoceânico. É algo de realmente novo!»

Sem haver provas conclusivas de que o espólio encontrado pertence à nau Esmeralda num manancial de 2800 objectos capturados, Pissarra pontua também de que os achados revelados de balas com inscrições em «VS», podem ser identificados como «AS» e não VS, de Vicente Sodré, de leituras ou interpretações erradas... no que sugere não se tratar efectivamente das naus correspondentes aos irmãos corsários Sodré de proveitos próprios - em desordem ou desmandos seus - pela palavra e leis a eles dadas de seu rei Dom Manuel I, Rei de Portugal.

Manufracturados ou não no século XVI (todos estes materiais agora recolhidos) - podendo terem-no sido no século XV, segundo Tânia Casimiro, arqueóloga e investigadora da Universidade Nova de Lisboa, Portugal - e que estudou muitos dos materiais deste espólio, há que se ser cauteloso na análise e na conclusão.

Em relação ao artigo publicado por elementos e responsáveis ou associados ao BWR,  existe a garantia oficial de que todos os artigos/artefactos resgatados e por eles recolhidos serão mantidos numa Única Colecção Coerente (seja lá isso o que for...) e que será - obviamente - de futura propriedade do Ministério de Omã, numa também futura exposição no novo Museu Nacional de Omã.

Há ainda a registar que, foi este mesmo sultanato de Omã quem financiou e incentivou o trabalho de investigação, aparte ou excepção das bolsas que David L. Mearns recebeu da National Geographic Society e da Fundação Waitt.

Como Omã não rectificou a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático da UNESCO (em 2001), ficámos a saber, nós - portugueses - que o acesso ao sítio do naufrágio depende da sua cooperação, mesmo sendo um navio com pavilhão português.

E mais se inquiriu, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros em email enviado ao jornal Público, sobre a suposta eventualidade de, um dia, em futuro próximo, se poder fazer uma exposição de todo esse espólio (ou de parte do acervo, o que já não era mau de todo...), em Portugal. A resposta foi unânime mas também, de certa forma, pusilânime ou de uma impotência atroz, afirmando-se:

«Dado o estado em que se encontra a investigação científica, será prematuro especular sobre o espólio encontrado». Em bom português, dizemos nós, todos os portugueses, estamos conversados. Mais uma vez, se viu imperar a sensatez geo-estratégica de não se ferirem susceptibilidades ou inconformidades de ordem suprema, de ordem tangivelmente exo-política - igual ou tão mítica quanto os naufragados navios e seus achados por esse mundo fora.

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Vasco da Gama, o nosso maior navegador português! Nasceu em Sines em 1468/69 e faleceu em Cochim, na Índia, a 24 de Dezembro de 1524.

O Nosso Grande Vasco da Gama!
Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia (onde chega a Calecut, em Maio de 1498) na sua viagem inaugural, conhecida como «A carreira da Índia», indo numa frota exemplar da caravela Bérrio, nau de São Gabriel - esta, capitaneada por ele, Vasco da Gama - e a nau São Rafael. E isto, quase 10 meses depois de ter deixado o Reino (o quase equivalente a uma nossa futura ida a Marte nos dias de hoje...).

Mas, como em tudo na vida, há que o dizer (não escolhendo nós família), e Vasco da Gama deparar-se-ia com os mesmos dislates e contradições de muitos de nós, a ter de limpar o seu nome por vias de seus apaniguados e aparentados tios piratas, que a nação e o Reino de Dom Manuel I, haviam ofuscado ou quiçá conspurcado com tamanha ambição desmedida e fraco poder de decidirem por eles, no saque a na abastança de outros reinos, outros senhores...

Em todas as famílias raia a maldição, a insensatez ou a perdição de ir contra quem manda e coordena; neste caso, os seus tios, os tão ingratos irmãos Sodré que tudo aviltaram e tudo pagaram com a própria vida. Maldição, ou justiça feita ante tamanha ingratidão e deslize...?

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A Lisboa dos Descobrimentos e que, actualmente, nos enche de orgulho  (mas também estranheza e insubmissa vontade) de lhe não sermos menos do que uma ténue ou leve mestria do que outrora foi - em sumptuosidade e riqueza de caravelas abertas ao mundo - de rotas comerciais desempoeiradas e fantasticamente empenhadas em progressão de domínios marítimos e, colonização de ilhas, por parte dos portugueses.

O Comércio Ultramarino
Lisboa é o Porto, Lisboa É o Mar Oceano! Quem o afirma não se confunde com esta outrora realidade dos Descobrimentos Portugueses. E se Vasco da Gama tão bem lhe soube cuidar, melhor houvera saber incorporar em toda a linha de navegação de tantos mares, tantos oceanos por si já navegados. Depois de limpa a sua imagem (que nunca houvera estado suja ou prenhe de algo infesto, terá dito o sue rei...) Vasco da Gama impera-se em novas rotas, dele e de muitos, em ouro, malagueta, marfim e escravos africanos nos fins do século XV.

Depois de iniciada a conquista, navegação e comércio da Índia, as exóticas e ricas especiarias, as raras drogas das partes do mundo Malaio-Indonésio, mais tarde as louças e sedas da China.
Vinha já o açúcar da ilha da Madeira, das ilhas de Cabo Verde (pouco) e de São Tomé, depois as generosas quantias produzidas no Brasil, que dá ainda o pau de de tinturaria e o tabaco.

Antes de, o Príncipe Dom João tomar conta da Expansão Comercial Portuguesa, a coroa tivera arrendado o comércio africano. Das condições do contrato, fazia parte a progressão do reconhecimento do Litoral Africano. Com esse reconhecimento avançou também o resgate de mercadorias.

Portugal instala-se nesse cavalgamento de espaços diferentes e neste alargamento de uma Economia-mundo a outros horizontes que, vão assim caracterizar a alvorada da Modernidade, segundo o historiador José Mattoso.

«Em nenhuma parte do mundo, e muito mais no Oriente, se negocea (se negoceia) sem os presentes irem diante», prosápia e esclarecimento de Bõtaibo (nome estropiado de Mõçaide) - o mouro tunisino de relevante papel no no primeiro contacto entre os seus velhos conhecidos portugueses com o senhor de Calecut (Castanheda, 1979, livro I, cap. XIX, p. 53).

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Navio-galeão San José, na costa do Caribe-colombiano (Cartagena das Índias): naufragados os destroços (há cerca de 300 anos), incumbe-nos a persistência de o divulgar, no que seria um galeão, uma nau frutuosa de grande ou valiosa riqueza em si.

De pertença ou origem espanhola, este galeão - San José - continua ainda hoje em batalha metafórica; ou seja, em sequência (e talvez sequela) verbal e política com os britânicos, nessa guerrilha política na aquisição e, pertença agora a quem de direito, em avolumada carga de ouro e pedras preciosas.

Achados que se perdem no tempo...
Naus que se afundam, homens que naufragam e morrem, tenham sido pelas mãos dos Sodré quer pelas de Malik Ayaz, Governador de Diu - e principal adversário dos portugueses no Gujarate - tudo se perdeu então. Essa perca era de todos; as das almas e as das embarcações, estas perdidas para sempre, no que houveram sido as mais bem preparadas, as mui aladas para o combate naval que lhes não deu saída mas afundamento, para sempre, nas suas mui parcas vidas de marinheiros e homens de bem, por outros que o não eram, acredita-se.

E desses achados agora que é feito? E que nós, portugueses, raiámos e demos mundos ao mundos, nessa tão eloquente mas também já tão estafada ou inútil frase-cliché de termos sido grandes e, hoje, tão pequenos e tão omissos quanto a mais pequena bactéria (ou microbiológica qualquer coisa) que nos faz ser, em subserviência e quase demência, uns seres abjectos de força nenhuma, de querer algum ou de vontades cimeiras que nos levaram a outras terras, a outros ideais, em tempos perdidos que não achados como os de agora - os de ninguém ou de alguém que se faz passar por nós; e isso é triste, muito triste, digo-vos eu de aquém e além-mar.

Afinal, Nós, Portugueses, temos uma Alma Velha de outros tempos e outros afagos, sentidos e afectos, como se diz agora; mas somos novos (descendentes dos cristãos-novos e outros...) e sempre acreditámos que algo pode mudar; que algo vai mesmo mudar... seja hoje, seja sempre... Oxalá tal se cumpra, por nossa bênção de terra e mar!

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Arqueologia Subaquática, no rio Arade, Portimão (Portugal). Rio Arade (Algarve): o que o mar nos reporta em lições e aprendizagem de tudo o que neste se insere e acoberta de tantas naus, tantos sonhos agora depositados no conhecimento dos homens, dos que querem saber mais, atingir mais.

Atlântida, ou apenas a extensa língua oceânica...?
E se tudo não fosse um mar de magia, de glórias de outros tempos, ser-nos-ia a História recontada de uma outra forma, uma outra alegoria que seria, de futuro, tudo aquilo que outros homens já viram...!

Quando alguns afirmam serem os despojos de Atlântida e outros, mais comedidos, o lançam sobre outras idades, outras geografias ou mesmo outros tempos de navegação/civilização romana e outras (das tantas que por cá já tivemos e que por cá exibimos) que nos são, agora, os mais fiéis testemunhos de uma terra que já foi mar, oceano - e tudo o mais - e agora se descobre em maravilhosa condição subaquática dos não menos maravilhosos homens-peixe (na arqueologia subaquática) que tudo evocam...

Naus de Colombo, «O Velho»
Algarve (1476): Em finais de Agosto, reza a História, ou princípios de Setembro de 1476, quatro navios genoveses - e um flamengo - dirigiam-se de Cádis para a Flandres, quando, ao largo do cabo de Santa Maria, encontraram uma forte armada navegando sob bandeira portuguesa.

Doze navios pertenciam a Colombo - o Velho - corsário genovês que, já por várias vezes tinha prestado serviços à coroa de Portugal; os restantes (entre 3 e 5, não se sabe ao certo), estavam sob o comando de Pêro de Ataíde (o mesmo que, em 1503, posteriormente então, terá ficado à frente da frota reduzida a 3 embarcações, ordenando que se recuperasse toda a carga possível e se queimassem os destroços visíveis das naus, aquando a tal tempestade fatal aos irmãos Sodré, ainda que Brás tivesse sobrevivido a Vicente mas falecendo pouco tempo depois) na história aqui anteriormente referida mas de futuro anunciado para Ataíde, sem que ele o soubesse de antemão...

Tornando a 1476: Esta Armada Portuguesa, comandada (e combinada) por Pêro de Ataíde devia correr e proteger os mares do Algarve contra Castela, já que, mais uma vez, ambas as nações se encontravam em guerra. Às cinco naus estrangeiras, no entanto, de nada valeu mostrarem o salvo-conduto do rei de França, aliado de Portugal contra Castela.

Para Colombo, o corsário, era suficiente a suspeita de que as naus iam ricamente carregadas, para se lançar ao ataque. Quatro navios da armada combinada abalroam então duas naus genovesas e a nau flamenga, pondo-se as restantes duas em fuga.

Rezam as crónicas que o combate nos navios foi feroz, com arremessos de pedras, lanças de fogo e combates corpo a corpo. Mas, no calor da batalha, ninguém reparou que as sete naus - empurradas pelo vento - acabariam por ficar encostadas umas às outras. Bastou que uma delas pegasse fogo para que este alastrasse às outras, acabando por se perder todos os navios.

Na tragédia terão morrido cerca de 2000 homens, entre Genoveses, Flamengos, Franceses e Portugueses. A maior parte deles afogados, uma vez que a costa se encontrava demasiado longe para se salvarem a nado.

Reza a lenda também de que um dos que terá conseguido chegar a terra, agarrado a um bocado de madeira, foi Cristóvão Colombo, que iria embarcado na nau do seu parente Colombo, o Velho.

Como no caso de tantos outros navios naufragados na costa portuguesa, também neste não se sabem mais pormenores sobre a localização exacta da batalha ou, a carga que os navios abalroados transportavam.

Curiosamente, Quirino da Fonseca, no seu livro: «Os Portugueses no Mar», refere que, nesse mesmo ano de 1476, Pêro de Ataíde terá morrido o decurso de um combate contra quatro navios genoveses ao largo do cabo de São Vicente, perdendo-se numerosas embarcações na sequência da explosão de um barril de pólvora. O que se sabe, é que Pêro de Ataíde, o verdadeiro, terá falecido em 1504, no Índico (Moçambique) no decurso da viagem de regresso ao Reino (Portugal) que nunca chegou a vislumbrar.

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O eterno espólio português, descoberto agora, sobre naus e navios da Armada Portuguesa na estonteante e rica época dos Descobrimentos. Naus afundadas por ventos e marés, naufragadas por canhões ou invasão de corsários e tantas outras intempéries e não só atmosféricas, que levaram a que tudo se perdesse de seu rumo e destino. E que destino será agora esse, por tantas mãos desejadas???

Império e Impérios
Segundo ainda José Mattoso, no sua epopeia bibliográfica que reverteu nos mui elaborados livros sobre a História de Portugal, terá afiançado a todos nós portugueses, em cunho e conhecimentos, de que apesar dos ataques que Holandeses e Ingleses nos desferiam um pouco por toda a parte (e isto, extensível até meados de 1620), conseguimos sobreviver.

E, de tal forma o fizemos, que nos chegavam produtos dos reinos e senhorios ultramarinos, que atraíam «navegações de todos os Reinos»: da Galiza e Biscaia, de França, Flandres, Inglaterra, Dinamarca, Polónia, Alemanha e outras partes, trazendo pão, carnes e queijos principalmente.

Do Mediterrâneo, vinham navios da Andaluzia e demais Espanha, Itália e Grécia (ou mesmo de África). Mas o grande comércio ainda era o que tinha como origem a Ásia e, crescentemente, o Brasil (o açúcar) e a África atlântica (escravos).

O Império Comercial Português, começado em fins do século XV pela África a sul do Sahara, depois do auge oriental, redefinia-se então como atlântico (Cortesão, 1940, p.70).
O que se autentica aqui, é que um dia fomos poderosos - e ricos! Parca fortuna de quem não sabe guardar na História esse ou esses Impérios perdidos...Imagem relacionada
«Flor do Mar», a actual réplica da antiga nau de Afonso de Albuquerque, sitiada hoje no Museu Marítimo de Malaca, na Malásia. O que outros intentam (no bom sentido) e os seus esquecem... na infelicidade sempre presente de, outros fazerem jus à nossa História Portuguesa, e nós, o negligenciemos... dizendo então à boca fechada, que somos pobres, demasiado pobres para reinventar a nossa história marítima perdida...

Império ou Impérios...?
Império e Impérios, cujas configurações e espaços sofrem modificações estruturais a uma escala agora mundial. A Economia-mundo é um conjunto de actividades convergentes e, conflituais, que sofrem modificações e também crises. Ainda hoje assim é, admite-se.

Segundo explana Mattoso, algumas dessas modificações e crises são tão profundas que só se resolvem na busca e assentamento de diferentes espaços, resultantes de expansões e contracções (Godinho, 1978, pp. 247-280), o que se legitima actualmente até em relação ao Espaço; ou seja, ao próprio Universo...

De Dominações Económicas e Políticas,, que mudam de sentido e de mãos. Que afectam os preços correntes como a vida das pessoas, na generalidade. Que abrem para profundas perturbações como para enquistamentos sociais. Não há um factor ou factores previamente determinados que permitam a arrumação e, predeterminação da conjuntura. Nem a regularidade das crises cíclicas vai além de uma tendência. Mas, a Economia-mundo, vai-se construindo sempre através de crises, que, uma vez resolvidas, geram consequente ou ciclicamente também, numa periodicidade tendencial.

Não se pode colocar um fim neste texto, sem se aludir ao que José Mattoso reitera sobre «Império e impérios» sem antes confidenciar aqui que, o Capitalismo Mercantil, ao articular realidades e espaços económicos diversos, faz com que se repercutam a uma escala antes impossível as alterações - e flutuações -  que antes apenas afectavam confinadas economias e sociedades relativamente estáveis.

O Mundo mudou e nós, com ele, infere-se. Segundo a História de Portugal de José Mattoso, o Mundo mudou, porque agora há mais mundo! Daí que a célebre e mui portuguesa frase, eclética sim mas sempre verdadeira nos nossos portugueses corações de tantas almas - as de ontem e as de hoje - «dar mundos ao mundo» não seja de todo em vão, mesmo, para as gerações futuras do que hoje se descobre e ramifica desses antepassados e dessas economias-mundo de que Mattoso fala.

«Lançam-se os primeiros e ainda imprecisos delineamentos da Modernidade. À escala do espaço do Planeta, que entretanto se fora descobrindo e construindo». Assim é. Sabemos-lo todos ou quase todos; ou até aqueles que fingem esquecê-lo!

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Padrão dos Descobrimentos na evocação do maior feito português! Em fundo, um dos nossos mais emblemáticos monumentos de eleição em homenagem aos Descobrimentos - A Torre de Belém (Lisboa) - que concerne uma das mais belas peças arquitectónicas da nossa Nação-Estado.

Algo que nos lembra - ou relembra - um grande passado histórico da circum-navegação marítima; além as almas que por esse mar ficaram, do corrosivo escorbuto às ratazanas que lhes roíam os pés e as mãos, aquando definhavam razões ou outras sensações de maior (não fora a loucura imediata, as febres, as náuseas e os vómitos certeiros de agonia imensa) e o suicídio não que seria desonra, tal o débil estado mas consciência de outro (Estado como nação a defender) desses homens mártires sob as mais rudes condições havidas no mar.

Ser Português e ter uma alma de sal...
Por mares nunca antes navegados, por terras nunca antes desbravadas, somos nós portugueses, a maior de toda a perdição - que não rendição - a outros ventos, outras marés, e até outras glórias de outras galés. Bebemos lágrimas de sal e de conduto nunca havido; choramos por quem perdemos mas sorrimos por quem nos dê honras e outras lisonjas de aquém ou além mar, pois que fomos pioneiros e hoje somos apenas aventureiros de outras migrações, outras obreiras verdades de cruzarmos o mundo...

Somos o que somos; somos o que fizeram de nós em esventre de um passado recente ou de um futuro distante que tudo pode, que tudo maneja e tudo volteja consoante as brisas, as correntes, ou as dementes insinuações de que somos pobres, fracos e imprecisos, depois de lestos colonizadores e maus perdedores de terras que nunca foram nossas.

Somos uma nação de muitos mares, muitas oceanias e porquanto assim seja (do que já foi) ser-nos-à, talvez, uma outra, ou mais afortunadas vitórias de outras histórias de almas devassadas, amortalhadas quem sabe? mas justiçadas agora, mesmo que expostas ou não no fundo do mar.

Somos almas que se afogaram mas que nadaram mundo fora; que se deixaram engolir pelo infortúnio das ondas e desse sal, amargo e sem glória, de nos termos sufocado e orgulhosamente enfunado sobre outras que se finaram. Mas somos almas boas, sãs, e com algum decoro ainda de, sentirmos que valeu a pena, pois que, como diria o poeta, a alma não nos é pequena, e nisso, todos estamos de acordo.

Seja num turismo exacerbado ou naquela legítima hospitalidade que nos identifica como povo simpático e de bem acolher ou receber, hoje  e sempre, seremos aquele mesmo povo que um dia se abriu ao mundo, franqueando a razão de existir, libertando esse voo ou essa ânsia de ser mais, procurar mais, ser por ser, apenas isso, seja onde for, como for, deixando-se noutros mundos entrar; aqui e lá, onde houver mar e terra por encontrar.

Portugal, no mapa, é mais, muito mais do que o seu registo de quem o vá procurar; cabe-nos a nós agora, portugueses, no-lo mostrar - ou Cristóvão Colombo jamais se perderia - não fosse este seu percurso, seu berço e alquimia, ainda que muitos o neguem e digam ser genovês, catalão ou português (espião e ao serviço de Suas Majestades, os reis portugueses que não os de Castela, os católicos), para onde Colombo se dirigiu em avença de «procurar» ou descobrir as Índias, sabendo serem as Américas... mas isso é uma outra história que Memórias do Mar evocará, se esta terra, este mar, e esta minha língua de Camões assim o permitirem... Até lá!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Caravelas, Naus e Galeões Portugueses, um choque tecnológico no sec XVI ...

Memórias do Mar (I)

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Navios naufragados: Fantasmas adormecidos, submersos nas memórias do mar! (imagem do JN, exibindo os destroços do submarino alemão U-581 da Segunda Guerra Mundial encontrados no mar dos Açores, no dia 13 de Setembro de 2016).

Há quem lhes chame cápsulas do tempo. Há quem lhes consigne a maior fortuna em reduto último do conhecimento e da memória até aí ausentes, sobre tudo o que guardavam, sobre tudo o que legitimavam - e muitas vezes ocultavam - de mundanos segredos de rei e de alcofa, de tesouros  e arcas sagradas, revestidos todos, de uma miríade incomensurável de riquezas e outras pertenças que não haviam de onde houveram partido.

E muitos, no-lo puderam mostrar, pois jazeram para sempre nos despojos dos seus navios, nos destroços amaldiçoados desses fantasmas adormecidos que, hoje, se alumiam assim que os investigadores e homens do mar se anunciam, em total afronta e desventura, desta sua sonolência mórbida que dá protecção e guarida a todos no fundo do mar...

E das memórias que nos fica então: dos sussurros, dos sons magoados, destilados no tempo e sobre um vento que os não apazigua, dos lamentos, ou da ausência dos sonhos e das esperanças do que sobre tantos mares se domaram, tantos cabos se dobraram e tantas vidas se ceifaram...?

E quantos gritos ecoaram, quantas lágrimas se derramaram, quantas vidas pereceram ou quantas almas se perderam, por tanto lhes teres roubado, Ó Mar...?!

E se em vão tantos choraram e se em vão todos se perderam, por entre gemidos e lamentos, súplicas e tormentos, que dizer dos que ficaram sem chão para governar, sem tecto para albergar tanta dor, tanto desatino sem pertença ou avença de algo poder mudar...?!

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Náufragos: a mera existência ou desistência de quem fez História Marítima, por terra e por mar e deu voz a outros povos, outros ideais, outros mundos ao mundo na diáspora navegante da descoberta e da esperança mas também desesperança de ser ver botado ao mar...

«Os marinheiros olham num estupor o negrume absoluto e total desencadeado, olham-no como a morte, ligados aos mastros, sem uma ideia no crânio diante da catástrofe que redemoinha e grita. (...)
Durante dois dias vivi fincado a uma tábua, molhado da cabeça aos pés, e sem poder tirar os olhos daquele inferno».

                                                 - As Ilhas Desconhecidas, de Raul Brandão -
Cápsulas do Tempo
Há de facto quem o afirme: Que os navios afundados são cápsulas do tempo que congelaram no momento em que iniciaram a sua descida para o fundo, levando consigo armas, objectos pessoais, mercadorias e ideias. Que um navio afundado evoca, em simultâneo, tanto uma história trágica, como os mortos e desapossados costumeiros, mas também uma mudança inusitada, uma colecção esquecida de bens e artefactos abandonados que de repente se coloca ao alcance da nossa curiosidade, segundo as personalizadas palavras de Filipe Vieira de Castro, coordenador do programa de arqueologia náutica da Universidade do Texas, nos EUA (Texas A&M University College Station, USA).

«Ainda há tanta coisa desconhecida...!» Esta, a melodiosa ou quase perdida no horizonte mensagem, aberta agora ao mundo através de Vieira de Castro, ao referir-se a uma recente descoberta (em 2008/2012 em divulgação) de um navio português do século XVI, em Oranjemunde, na Namíbia.

Há aproximadamente duas décadas que este prestigiado investigador e acirrado estudioso das naus portuguesas se tem investido no desenvolvimento de modelos computorizados, baseados nos escassos achados arqueológicos disponíveis. E com ele - e outros - vamos então partilhar esta aventura de um ou mais mares que nos viram um dia ser mastro e corrente, solfejo e maré, aventura e vento; e tanto mais que nos ficou dos que, não voltando, nos quiseram entregar as suas últimas dádivas do que por lá deixaram...

Revela Filipe Vieira de Castro que, para os Arqueólogos e os Historiadores, os navios afundados encerram ainda respostas a perguntas ainda por responder, resolvem mistérios até aí sem solução. Afirma também de que, os navios foram durante milénios as máquinas mais complicadas que os homens construíram e, o estudo das ideias que orientaram a sua concepção e construção, é hoje um dos ramos mais apaixonantes da Arqueologia.

Concorda-se em absoluto com a sua visão, a sua autonomia e brilhante explicação do que nos fez outrora grandes e, hoje, um pouco e apenas mais distantes dessa heroicidade navegante de outros tempos, outras eras...

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Costa Vicentina: Cabo de São Vicente, Sagres - Portugal (imagem aérea que nos dá a óptica e percepção perfeitas da dimensão territorial e marítima que ladeia a costa portuguesa).

Tragédia e Oportunidade
Se para uns os navios naufragados são a tragédia anunciada de tantos desastres marítimos ao longo dos anos, das datas, mas também da certeza do muito que ainda há por desvendar no fundo do mar, existe hoje (como sempre existiu, convenhamos) a oportunidade abusiva e muito pouco altruísta de se saber governar com os despojos dos que sofreram e morreram em alto mar, dando à costa seus tesouros, seus arrecadados, e toda a sua escassa história marítima que aí teve um fim...

A rapina dos homens sempre endémica, sempre sequiosa dos bens de outros, fez acumular de outras histórias o que se hoje se pode ainda reportar de achados em mãos alheias e outros recatos perdidos no tempo; além a demanda geopolítica entre Portugal e Castela.

E dessa História Naval de guerras e batalhas se contam outros contos, como por exemplo, o passado nas galés portuguesas, no Cabo de São Vicente, em Sagres, em 1337 (perfazendo no dia 21 de Julho de 2017, 680 anos passados, em registo e anotação desta ocorrência de confronto entre estas duas coroas europeias, num desaguisado que levou ao afundamento de 6 galés portuguesas e de um número indeterminado de galés castelhanas).

Galés: Cabo de São Vicente (1337)
No dia 21 de Julho de 1337 encontram-se ao largo do cabo de São Vicente, em Sagres (Portugal) duas armadas: galés comandadas por Manuel Pessanha, outra de Castela com três dezenas de galés e naus, sob o comando de Dom Afonso Jofre Tenório.

A Guerra tinha sido declarada no ano anterior porque, entre outras razões, Dom Afonso IV de Portugal (curiosamente o rei mandante da execução de Dª Inês de Castro, o grande e eterno amor de seu filho Dom Pedro) parece que não se conformava com a forma como o seu genro - Dom Afonso XI de Castela - desprezava a mulher, a infanta portuguesa Dª Maria.

O Recontro entre as duas armadas já por várias vezes tinha sido adiado pela força de grandes temporais, obrigando ambas a recolher aos respectivos portos para reparações.
Finalmente, a 21 de Julho de 1337, iam medir forças. A batalha começou por correr de feição aos portugueses, que chegaram a apresar 9 galés ao inimigo, mas, devido provavelmente à entrada em acção das naus de Castela, o recontro acabaria com uma derrota portuguesa.

Quando Manuel Pessanha e o filho são feitos prisioneiros e, o estandarte real de Dom Afonso IV é derrubado, os navios sobreviventes portugueses põem-se em fuga. Rezam as crónicas de que o número de mortos e feridos foi muito pesado para ambos os lados e, Castela, fez ainda centenas de prisioneiros que obrigou a desfilar pelas ruas de Sevilha (como humilhação máxima) com cangas ao pescoço.

Do local exacto da batalha, no entanto, não há notícia. Sabe-se contudo que, algures ao largo do cabo de São Vicente, estará muito provavelmente o que resta de seis galés portuguesas e o tal número indeterminado ainda de tantas outras castelhanas. Uma mui má memória para ambas as partes, reconhece-se; de ambos os lados também...

Todos estes dados históricos foram recolhidos do inestimável trabalho histórico-científico de Francisco J. S. Alves, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática de Lisboa (Portugal); além o seu talento, tarefa acumulada de mais de 6000 casos de navios naufragados, e a indefectível dedicação à causa da salvaguarda do património cultural subaquático (assim como à dos seus admiráveis colaboradores) que editaram uma obra magnífica de título: «A Costa dos Tesouros» da qual me empenhei em extrair esta referência de 1337, o que desde já agradeço ter o privilégio de ler deliciosa e enigmaticamente todos os textos aqui apresentados.

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Moeda Portuguesa (de cunho real da era quinhentista/seiscentista, no que se admite haver o cunho preciso entre 1525 e 1538). O que o mar outrora colheu e reverteu agora, no deserto da Namíbia, sob os destroços ainda visíveis de uma nau portuguesa do século XVI, de 1533, «O Bom Jesus». Uma empresa da Indústria Mineira descobriu-o e Portugal omitiu-o, ou antes, abdicou da sua pertença...

A Caça ao Tesouro...
Partindo de Lisboa (a 7 de Março de 1533, numa bela sexta-feira) rumou a Goa - na Índia - este navio, O Bom Jesus, que zarpou das costas portuguesas sem saber que se afundaria, para mau grado de seu Rei e Senhor e toda uma população faminta de glórias e fortunas (que se avolumavam com as descobertas e as recentes trocas comerciais entre eles), transportando a bordo um verdadeiro tesouro das Índias...

Moedas de ouro, estanho, cobre e marfim, além de cerca de 300 pessoas (tripulação e comitiva) numa constituição de marinheiros, soldados, padres, nobres e escravos, que tiveram igual sorte e destino de naufrágio num afundamento de pessoas e bens que foi também requisitado ao mar na época por um magnânimo espólio de canhões de bronze, lingotes de cobre, instrumentos de navegação, utensílios domésticos também em cobre (tal a riqueza revelada sobre a coroa portuguesa), espadas, mosquetes, cinco âncoras e um sem número de moedas de ouro - portuguesas e espanholas - e muitos outros artefactos de alto valor cultural e científico.

500 anos afundado e, em excelente estado de preservação, segundo nos relata o arqueólogo Dieter Noli em divulgação à Fox News de um verdadeiro tesouro que se estende por cerca de 13 milhões de dólares e um valor incalculável histórico! Valores que reverterão todos para o governo da Namíbia por suposta e altruísta «generosidade» do governo português que teve a «hombridade» (em sua hermética opinião) de o não requisitar mas antes doar sem aconselhamento, divulgação ou mera compreensão do povo português em tão alto e nobre gesto (incompreensível para muitos) desta generosidade alheia a todos nós. Provavelmente enriquecemos e não sabemos...

Fosse vivo Dom Francisco de Noronha hoje - o capitão português do Bom Jesus - e de novo desfaleceria ou deixar-se-ia afundar com o seu navio, por tamanha carga prestigiosa e rica lhe ter sido sacada de igual modo, pior do que a da guarida e coral aos peixes, que não a outra de uma sua não-bandeira, de uma outra pátria imerecida.

Pior do que não atravessar o cabo da Boa Esperança, é sentir que se não fez justiça a si e aos seus de dentro do seu navio, após cinco séculos de muita espera e pouco desafio - e final infeliz - para quem merecia de facto mais, muito mais! Pena ter-se sido capitão ou comandante português numa salva de desonra e algas, numa salva de desperdício e nada!

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Moeda de Prata raríssima encontrada e que, os arqueólogos identificam como moeda de 1499, aquando a entusiasmante descoberta dos destroços de uma nau naufragada de pertença e comandos de Vasco da Gama, o famoso descobridor português do caminho marítimo para a Índia.

O sonho desfeito de Esmeralda...
Entre 1502 e 1503, Vasco da Gama seguindo numa frota de cinco naus fez-se ao mar, em direcção para a terra das especiarias (Índia). Esmeralda e São Pedro seguiam lado a lado, mas quis o destino que a nau Esmeralda sucumbisse e deixasse para sempre todas as outras.

Acredita-se que Vasco da Gama não tenha ficado feliz nem soalheiro de sorriso ao ver perder uma sua nau para aquele endemoninhado mar de todas as tormentas. Uma tempestade, em 1503, desfez-lhe o sonho de seguir caminho; desta vez, devido à intempérie e não ao seu mau génio de homem dos comandos, de lobo do mar, que aí fez sentir. E tal como a tempestade, se viu esbracejar perante o agitar do mar e toda a sua impotência para o evitar, provocando-se inevitavelmente o naufrágio do navio Esmeralda, na costa da ilha de Al Hallaniyat, na região de Dhofar, em Omã, no Médio Oriente.

O que os arqueólogos hoje afirmam, apesar desta descoberta se ter realizado em meados de 1998 (data da celebração dos 500 anos sobre a rota de Vasco da Gama à Índia), só por volta dos anos de 2013/2015 até agora, é que se aprofundaram nas investigações subaquáticas, segundo informação publicada em 2016, na revista científica internacional «Journal of Nautical Archaeology» que pertence à Sociedade de Arqueologia Náutica de Inglaterra, no Reino Unido.

Um espólio, veio a saber-se depois, de mais de 3 mil artefactos retirados do mar e previamente analisados, em Omã, mas jamais devolvidos à precedência, ou seja, à República Portuguesa; mais uma vez...

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O que o mar esconde e os mergulhadores profissionais, arqueólogos marinhos e demais cientistas se maravilham na descoberta e, honra, do que em secretos lamentos estes fantasmas adormecidos lhes contam...

Retornando ao Bom Jesus...
A ironia de todas as ironias: este navio português do século XVI, quedar-se pela tempestade mas jamais pelo que não lhe coube observar nos reluzentes areais da Namíbia, onde o navio português, destroçado e quebrado, se viria a afundar numa misteriosa costa envolta em nevoeiro - salpicada com mais de 100 milhões de quilates em extensão e profundidade - na mais pura crueldade de que há memória sob os escombros ou esqueletos sem alma de todos os que aí pereceram, sem que vissem esta afortunada riqueza, desafortunada de todos eles!

Carregado de ouro e marfim, nunca chegaria a bom porto, um famoso porto recheado de especiarias na costa indiana. Afundado sobre um tesouro nunca visto, foi a empresa NAMDEB (um consórcio do Estado e da empresa privada De Beers) que se envolveu nesta expedição (não na descoberta em si mas na de minério U-60) quando, junto à foz do rio Orange, na costa meridional da Namíbia, se deparou com tão frutuoso achado.

Nada passou despercebido então a este geólogo, funcionário desta empresa nesse projecto de mineração (de minas ricas em ouro), observando um lingote de cobre que mais tarde se descobriria tratar-se de pertença de um dos mais ricos ou abastados homens da alta finança da Europa Renascentista - Anton Fugger.

D.João III exultava riqueza e concomitantemente disseminava-la através das suas famosas rotas mercantilistas e de comércio agora aberto entre a Europa, África e Ásia. Era digno de muitas invejas, supõe-se; mas neste caso o que interferiu foram somente as tempestades, ao que se sabe.
Só sob a areia escaldante daquela praia surgiram 22 lingotes; canhões e espadas, marfim e astrolábios como já se referiu, mas ainda mosquetes e cotas de malha. Tudo derramado, despojado de seus fins.

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Moedas de cunho portuguesas e espanholas; entre outras. Outros achados, completam igualmente esta e outras descobertas de moedas de valor incalculável (o reportado na imagem refere-se exactamente ao adquirido de um tesouro de mais de 1 milhão de euros de um navio-almirante espanhol que naufragou ao largo da costa da Florida (EUA) em 1715, devido a um furacão); descoberta esta realizada por uma família de mergulhadores.

Neste particular caso do Bom Jesus, o espólio hoje analisado e devidamente identificado está em pose do Estado da Namíbia. Porquanto isso, vão-se intensificando averiguações e demais investigações entre cá e lá (Portugal e Namíbia) em maior cooperação na procura e análise de mais dados sobre este tão poderoso achado de El-Rei e Senhor, Dom João III, Rei de Portugal! E dos Algarves!

A Excitação Arqueológica
Tantos os tesouros de tantas glórias - e quiçá misérias - agora afundadas e tão lastimadas que não reavivaram memória alguma de tal tragédia, terão dito todos, os que na pátria ficaram e os seus não viram voltar, jamais, e sobre o tanto de desperdício e tragédia; ou tanta desdita, por terras longínquas e não suas, por terras distantes de amores não seus...

Os Arqueólogos souberam-no em primeiro; não foi necessário exteriorizá-lo, pois que há muito sabiam, por estudos e convénios, do que se trataria esta tão rica nau do glorioso tempo dos Descobrimentos Portugueses aquém e além mar.

O enfoque dado e o estímulo demonstrado, veio coadunar e reagrupar um pouco mais, se tal seria possível, este evento em fantástica descoberta de nau naufragada por meados de 1533, mais exactamente a 7 de Março desse nefasto ano, teriam dito os marinheiros moribundos, quase desfalecidos de todas as glórias.

E que mãos cheias de ouro seriam, mãos cheias de nada agora, pronunciariam ainda no estertor de suas parcas vidas em busca da luz da morte...

Ouro, muito ouro, para mais de 2 mil belas e pesadas moedas (muitas, cunhadas com as esfinges de Fernando e Isabel, os reis católicos de Espanha) e requintadas armas portuguesas de cunho e brasão real da Casa-Mãe Portuguesa, da coroa e nação de El-Rei Dom João III e, ainda, muitas outras moedas: venezianas, islâmicas, florentinas, etc.

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Estuário/Foz do rio Laranja (Orange River estuary), na Namíbia - na costa ocidental de África - onde se descobriu fundeado o navio português do século XVI de Dom João III (de cognome "o Piedoso" e "o Colonizador") pertença da Coroa Portuguesa à época...

O que dizem os entendidos...
Segundo relatou Francisco J. S. Alves, o já mencionado e excelentíssimo arqueólogo-veterano nestas andanças, do mundo subaquático português, chefe da Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico  do Ministério da Cultura e consultor da edição portuguesa da National Geographic:

«Sabemos tão pouco sobre estes navios antigos. Esta, é apenas a segunda nau escavada por arqueólogos; todas as outras foram pilhadas por caçadores de tesouros». Mas afere ainda: «É uma oportunidade única!».

Francisco Alves reverbera de que os caçadores de tesouros nunca serão aqui um problema, e di-lo com toda a severidade possível de quem sabe do que fala. Reitera então: «Não aqui, no coração de uma das minas de diamantes, mais bem guardadas do mundo, numa costa cujo próprio nome "Sperrgebiet" significa - Zona Proibida - em alemão.

Os funcionários do consórcio suspenderam as operações em redor do local do naufrágio, contrataram uma equipa de arqueólogos e, durante algumas semanas de esplêndida distracção, escavaram História em vez de diamantes».

Algo que Filipe Vieira de Castro também corrobora e sublima, enaltecendo:
«Ainda há tanta coisa desconhecida... Estes destroços vão proporcionar-nos novos conhecimentos sobre tudo - desde o projecto do casco ao cordame, à maneira como estes navios evoluíram, às pequenas coisas do dia-a-dia, como por exemplo, a forma como cozinhavam as refeições a bordo ou os bens que os marinheiros traziam consigo nestas grandes viagens».

Ao abrigo entre uma parceria entre Portugal e a Namíbia, os Ministérios Portugueses da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, permitiram assim a deslocação de uma equipa de peritos nacionais ao país africano. Menos mal, admite-se.

Os Arqueólogos satisfeitos com esta bonomia entre Estados, referem que só assim se pode chegar a melhores ou mais eficazes conclusões sobre o achado, no que já clarificaram algumas questões como, a de se encontrarem muitas moedas espanholas entre as portuguesas, no que os historiadores vêem complementar acrescentando tratar-se de algo absolutamente natural, uma vez que havia à época uma grande influência ou participação vorazmente activa/forte na armada de 1533. Ou seja, havia mais força e trato no que os unia do que o que os separava... entre Portugueses e Castelhanos, vulgo espanhóis no seu todo, mesmo sobre a separação ténue ou união dos seus reinos de Aragão, Leão e Castela em poderio exemplar!

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Mar dos Açores (Portugal): destroços de submarino alemão da Segunda Guerra Mundial.

Descobertas no fundo do Mar...
13 de Setembro de 2016: os destroços do submarino alemão U-581, utilizado na II Guerra Mundial,foram encontrados a quase 900 metros de profundidade no mar dos Açores por uma equipa de investigadores da Fundação Rebikoff-Niggeler.

O Naufrágio do submarino alemão da Segunda Grande Guerra encontra-se situado a sul de São Mateus - na ilha do Pico - declarou à agência Lusa, Kristen Jakobsen (que conjuntamente com o marido, Joachim Jakobsen) encontrou os destroços do submarino, entretanto transformados, segundo a própria, num autêntico recife de coral de águas frias.

Este corajoso e mui observador casal sobre águas profundas dos Açores - uma vez que aí vivem há já 17 anos (na ilha do Faial) - admitiu tratar-se de um achado fantástico. Kristen adiantou que sabia tratar-se do submarino alemão U-581 que foi afundado a 2 de Fevereiro de 1942 pela própria tripulação junto à ilha do Pico, após ter sido perseguido e atacado pelo navio inglês «HMS Westcott».

Kristen Jakobsen sublinhou ainda com toda a distinção sobre este submarino:
«O naufrágio tornou-se num autêntico recife de coral de águas frias; está a 870 metros de profundidade e, na minha opinião, é uma oportunidade para estudo científico - grande - porque foi colonizada por corais, sobretudo esponjas. Estamos perante ecossistemas vulneráveis, dos quais se sabe ainda muito pouco sobre as taxas de crescimento».

O que Kristen Jakobsen veio instar, há muito os investigadores se debruçam, no que, muitas vezes, estas carcaças de navios abandonados à sua sorte subaquática, desde sempre, acabam por servir de casulo, habitat e desenvolvimento de populações marinhas diversas (nesse tal ecossistema vulnerável sim, mas muito caprichoso e de certa forma auspicioso), se tivermos em conta o que ainda há e haverá por explorar sobre as espécies que se atolam com os navios/submarinos nas profundezas.

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Astrolábio Português (do século XVI) no fundo do mar da Namíbia. Portugal foi longe, sobre a terra e sobre o mar. Quão longe mais se irá, se o deixarem, se o engrandecerem, sob a égide dos Descobrimentos não de outrora mas da actualidade (em profusão e desenvolvimento, investigação arqueológica e marítima) sobre riquezas de todos os tempos... E que riqueza maior não será que a do conhecimento que não a do açambarcamento, se todos ganharmos com isso?!

Deixai falar os do Conhecimento...
«(...) É difícil pensar na História da Humanidade sem pensar em barcos, em marinheiros e em viagens. Muito antes de haver agricultores e pastores, já havia Marinheiros!
A colonização da Austrália, que só pode ter sido feita por mar, data pelo menos de há 60.000 anos, fazendo prova das navegações oceânicas mais antigas que se conhecem. Estudos recentes, levaram alguns cientistas a colocar a hipótese de ter havido uma migração da Península Ibérica para o Continente Norte-Americano há cerca de 12.000 anos.

Esta teoria baseia-se em semelhanças encontradas no ADN mitocondrial dos membros de uma cultura do Paleolítico Superior Ibérico - o Solutrense - e dos povos da cultura pré-histórica Clovis que ocupou o continente americano desde pelo menos há 11.600 anos. Mas muito embora esta e outras teorias sobre navegações transatlânticas no Pelolítico europeu não estejam ainda sólida e definitivamente provadas, sabemos contudo que desde há mais de 9000 anos, os Gregos do Peloponeso se aventuravam pelo mar dentro.

Na Gruta pré-histórica de Franchthi encontraram-se instrumentos feitos de obsidiana obtida na ilha de Melos - a mais de 100 quilómetros da costa - datando do oitavo milénio antes de Cristo.

A História das Navegações Europeias é assim longa e rica e, como se sabe, Portugal desempenhou nela um papel muito especial. É pena que a maioria dos Historiadores e Arqueólogos se tenha dedicado quase exclusivamente ao estudo do período da Expansão Europeia  pós-Medieval, porque Portugal tem uma história de viagens marítimas que remonta ao final da Idade do Cobre e, se estende até à revolução do vapor e ao estabelecimento de carreiras regulares entre Lisboa e Porto.

As Costas Portuguesas foram visitadas e habitadas por inúmeros povos mediterrânicos durante o primeiro milénio antes de Cristo e, mais tarde, durante o milénio que se seguiu, foram invadidas e populadas pelos Romanos, que foram provavelmente os melhores construtores de navios de Pisa e Génova, que também eram dos melhores da Europa de então. Mas não é só a Construção Naval Erudita que interessa aos arqueólogos.

A Pesca e a Pirataria foram um motor do desenvolvimento da construção naval durante a Idade Média com uma importância incontornável para os historiadores.

Portugal continuou a enviar navios à Índia, à China, à África e ao Brasil, e o tráfego nos portos portugueses durante os séculos XVIII e XIX era intensíssimo. (...)
Todos estes navios diferentes sulcaram as águas portuguesas e muitos por cá se perderam. Alguns, desintegraram-se para sempre, outros foram recuperados pelas populações ribeirinhas, outros destruídos por processos naturais, por redes de arrasto, dragas e mergulhadores desportivos, outros jazem no fundo ainda à espera de ser descobertos pelos mergulhadores da nossa Era (...)».

         - Extracto parcial das sábias e mui dignas palavras de Filipe Vieira de Castro (Texas A&M University College Station), na introdução do livro sobre os Enigmas da Costa Portuguesa: «A Costa dos Tesouros» -

Um abençoado muito obrigado pela disponibilidade de conhecimentos com que nos abraça nesta causa da costa portuguesa e de seus navios outrora cheios de vida -  enfunados e não contrariados - dessa sua outra missão de segurar ânimos e esperanças (que não morte e desesperança) através dos tempos ou dos destroços ainda não descobertos por alguns de nós.

Um Muito Obrigado em nome de todos os Portugueses e Portuguesas ( e povo do mundo) que desejam e merecem saber mais de seus antepassados de braçais condições e outras afeições, e de seus navios atracados, ainda hoje, no fundo do mar...  em vagas memórias que sempre para si ficam...

domingo, 2 de julho de 2017

Portuguese Army in One Minute 2017

PORTUGAL a country of extraordinary people

30 Famous People You Probably Didn't Know Were Portuguese

How Powerful Is Portugal?

Parabéns, Selecção!

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Quando um honroso e não desprestigiante terceiro lugar no pódium, é apenas e tão-só, um vulgar ou inopinado paliativo para as muitas dores de Portugal em ferida aberta, em chaga presente, do que ainda nos dói sobre as pedras tumulares de 64 mortos por justificar...

Parabéns à Selecção Portuguesa!
Não tendo sido excelente não nos foi uma desonra. Não tendo sido brilhante, não nos foi uma daquelas vergonhas mundiais sobre audiências ou referências que nos maculassem o corpo e a alma de tanto nos vermos soar e correr (e apupar que não aplaudir) tão bravos guerreiros de bola nos pés e uma lusitana garra que, por vezes, até ecoa ou nasceu sobre terras de Vera Cruz.

O auto-golo de Luís Neto não nos desmotivou, mas fez certamente roer ainda mais as unhas (as das mãos e as dos pés) para quem via tardar o merecido golo lusitano de alma portuguesa dos pés à cabeça. Má-sorte ter-se errado na baliza certeira, ou correcta, e tudo ter ido em segundos (aos 54`) para os brejos, num ápice de largo desapontamento, desilusão e consternação nacionalistas de uma endémica malapata portuguesa eternamente frustrante.

Há quem diga que, se não sofrermos, não somos bons Portugueses; aliás, bons chefes de família e por aí fora. Que o sonho comanda a vida e, nem mesmo por não termos direito à reluzente e auspiciosa Medalha de Ouro (primeiro lugar do pódium) não se deixa de ser estimado e, homenageado, só por se ter adiado férias e descansos lá para outros lados...

E então Pepe marcou e encantou (aos 90`+1) todo o plantel e, toda a minha nação lusa em anulação do auto-golo do seu companheiro de equipa, que arcou com as culpas e as pesadas injúrias de quem o viu dar de mão beijada a vitória aos Mexicanos. Tudo empatado, lá íamos nós, cantando e rindo; ou seja, pontapeando e bufando, pois que já se ia fazendo tarde para o tal golo da vitória sobre o México num prolongamento de larga estafa e nervos à flor da pele.

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Pepe: o mais lusitano guerreiro que nasceu no Brasil mas a quem a Selecção Portuguesa de Futebol abraçou como filho seu, de sangue e raça, cor e brasão e tudo o mais, pois que a minha nação é feita de todos e não tem cor nem podia ter; somos todos Um!

Da Persistência se fazem os heróis...
Mesmo sendo o jogo de futebol que ninguém queria jogar - e muito menos perder, sendo expulso nos últimos minutos desse jogo, o treinador do México, o mui irritado Juan Carlos Osorio (em veementes protestos que de nada lhe valeram) - Portugal viu-se irradiar uma outra luz, de justiça e de boa-aventurança, sob os desígnios do árbitro que assinalou uma grande penalidade (em favor de Portugal e contra o México por bola tocada com o braço). Adrien Silva foi certeiro (aos 114`), fitando o guarda-redes mexicano e tudo acabou em bem; para Portugal (2-1) e a vitória é nossa!

Fernando Santos (treinador da selecção portuguesa) respirou de alívio, encomendando em surdina mais uma oração à sua Santa preferida ou a um seu Deus que lhe está sempre presente e rumará porventura e agora para o Mundial (senti-o dizer para si). Esta já está; a bem ou a mal lá tivemos préstimos para exibir um honroso terceiro lugar e umas medalhas de bronze ao peito. Para o ano há mais no Mundial que se avizinha...

Na Primeira Participação de Portugal na Taça das Confederações não nos demos mal; podia ter sido melhor, pois podia, mas não foi. Glória então aos Alemães e aos Chilenos, e que vença o melhor, como sempre afirmo. (Notícia de última hora: Chile-Alemanha 0-1, ou seja, mais uma merecida vitória em medalha de ouro e primeiro lugar do pódium para a Alemanha). Parabéns, Alemanha!

Ainda que nos doa o termos sido tão erráticos ou mais exactamente tão pouco certeiros quanto aos penáltis marcados no jogo contra o Chile (por grandes penalidades no desperdício, incompetência ou puro azar dos azares), o certo é que superámos mais esta maldição que nenhum bruxo ou requisitados intervenientes das forças do mal poderiam colmatar; com e-mails ou sem estes...

E havendo de tudo (expulsões, confrontos e demais arruaças entre todos), o apito final ditado pelo senhor árbitro saudita - Fahad Al-Mirdasi - seria crucial, enunciando a Vitória de Portugal - como terceiro - na Taça das Confederações e pronto, tudo resumido.

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A alegria que nos resta de Portugal em Festa mas, sem mais abraços para dar, sem mais efusividade para comemorar. Quando tudo acaba em bem, é sempre legítimo acreditar-se de que algo vai mudar... para melhor!

O Gosto de Vencer!
Sendo apenas um jogo de futebol, foi também uma pequena-grande alegria para os Portugueses do pouco que nos resta em solo lusitano - Ibérico por nascença. E hoje somos heróis; não pela vitória amarga sobre o México (daquela outra que nos fugiu com o Chile), mas por acreditarmos na resiliência portuguesa de que as lágrimas sempre se secam com os risos de quem nos dá tamanha alegria efémera de um «simples» jogo de futebol...

Moscovo (Arena Otkrytie), na Rússia, foi o palco de mais uma festa, é certo; desta vez em cores portuguesas. O futebol é assim. Amigos mexicanos, não fiquem tristes, pois a vida é cíclica, roda sempre sem parar e se uns ganham e outros perdem, de novo tudo roda; e tudo se aposta - de novo e invariavelmente - num grande espectáculo de emoções e contribuições para que o Futebol seja apenas uma festa e só isso, mesmo que haja muito dinheiro envolvido sem que o destrinçamos da vida quotidiana de todos nós, a não ser que nos calhe o Euromilhões...

Mas dizia eu, que fastio de consolo pode ser este, ou que pouco aturdimento este fátuo acontecimento futebolístico nos fará, sobre tantas penas e tantas atribulações que o meu país tem vivido ultimamente?! E que alegria triste é esta então que nos consome por dentro o que por fora não se vê???

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Imagem da Google Maps - Tancos, Santarém (Portugal): Observação aérea sobre o espaço territorial da Base Militar de Tancos e das Forças Armadas (Exército) desta unidade especial que mantém um composto arsenal de guerra de pertença e guarda da República Portuguesa; hoje mais pobre e infelizmente mais insegura, após o roubo de uma ostensiva lista de munições -  e sequencial inventário feito pela PJ (polícia judiciária) e entidades militares - de todo o material furtado das instalações.

Golpadas e Saques...
Da insinuada bruxaria sobre resultados no futebol (em estouvada golpada de perdedores), ao saque imparável do espólio militar de munições roubadas e de seus paióis violados em profusão futura latente (supostamente), de irem dar guarida e provisão a uns quantos grupos terroristas ou de comércio livre de países do submundo em orgias de assaltos (e outras franquias que aqui nem quero ou posso nomear, mas, de grande monta) que mais haverá a perfilar? Que mais haverá a esconder ou, a seguidamente nos envergonhar ainda mais...?

E que mais nos sobrará que a indignidade de sermos ou querermos ser dignos sem o sermos...? De termos todos os olhos postos em nós, olhos acusadores, de negligências e poucas apetências para guardarmos o que é nosso, o que nunca nos devia ter sido retirado?! E da NATO, da Interpol e Europol (que temos à perna), ao terem sido avisadas num ensejo pouco recomendado ou pouco liderado por quem nos deveria salvaguardar e não, entregar em esbulho que não expurgo, o pouco que ainda nos sobra, a nós, portugueses, depois de tanta miserável condição escarrapachada numa lista de armamento roubado em jornais espanhóis?!

E se nada disto é comparável, equidistante de importância, alquimias ou mesmo alcavalas de outros tempos, outras serranias, que dizer de tanto desbragamento, de tanta desvirtuada consideração pelos mortos, ou pelos outros, os vivos, os que se interrogam e lastimam por que razão foi tal acontecer...?! Quem manda, quem fala e quem de direito o assume...? Que Portugal é este que sofre, mesmo que de medalha de bronze ao peito???

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Imagem nocturna da Península Ibérica (gentileza da NASA/ESA). O que se observa via satélite no que por via terrestre e, humana, se não identifica numa Ibéria quase maldita de incompreensão e aferição de mandos e desmandos que nem Júlio César pôde ou soube vergar...

Urgente encontrar o caminho!
Perdidos são os caminhos que não sabemos onde irão dar; perdidos estamos nós todos - Portugueses - se nos não soubermos comandar ou, deixarmos desmandar por outros, como há muito Júlio César o grande Imperador Romano nos apregoou de lauto tom e assertiva voz:

«Há nos confins da Ibéria (Lusitânia), um povo que não se governa nem se deixa governar», ao que eu registo e não contradigo para grande e igual infortúnio meu deste meu chão e deste meu céu que, vivesse eu outras eras, outros tempos, e tudo seria igual. E desde que haja Pão e Circo, e tudo continue sem Rei nem Roque, sem nada de seu, sem nada que o proteja, o meu Portugal continua a chorar... ainda que sorria por breves momentos...

Haja Futebol, hajam medalhas, haja Festa em Portugal! Haja tudo (sem acesso e lampejo de foguetes, balões acesos e outros eflúvios aéreos, desde os drones que intimidam aviões às bombinhas de Carnaval, e tudo em proibição legislativa de alta punição para quem o prevarique), pois que Portugal continuará a viver - ou a sobreviver - neste lodaçal gritante mas muito reconfortante de sermos todos uns comandantes de coisa nenhuma ou de lado algum; e pior, sabe-se lá para onde...

domingo, 18 de junho de 2017

Sobe para 57 número de mortos no incêndio Em portugal

De Luto!

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Pedrógão Grande (Leiria) - Portugal: Quando a indómita fúria das Forças da Natureza tudo engole, numa extensa e maléfica língua de fogo realizada por um raio atmosférico de um deus menor... (e tudo isto num contexto inacreditável de atípicas temperaturas, segundo alguns, superiores a 40 graus positivos no mês de Junho, encimado de fenómeno imprevisto) e sob uma força operacional de bombeiros, voluntários e outros operacionais no terreno, elevados ao milhar e meio de homens e mulheres que tudo fazem para minimizar esta horrenda catástrofe - a maior de há 50 anos!

De Luto nos vestimos; de luto vos choramos!
De vermelho sangue desistidos, imbuídos de uma dor maior que aqui se não pode explanar, adornados pela consternação agora verificada dos que, pelo cansaço e pela ofegante e inusitada fuga (avassaladoramente inútil) de quem foi colhido e ceifado por entre as árvores endemoninhadas pelo fogo e apenas se deixou tombar ante o desespero e a dor de uma morte que se não fez apresentar - somos também nós colhidos, pela dor e pela angústia, ambas impotentes de nada termos feito para os salvar.

Quase não consigo descrever por palavras todo o horror passado nesta vasta região de um distrito afecto a Fátima (Leiria) - mas extensivo a toda esta sobre zonas circundantes de Pedrógão Grande desse mesmo distrito - àquela mesma região sagrada da Santa Senhora que tanto lhe devemos, que tanto lhe arrogamos em súplica e em graças; agora em desalento e em desesperança, por tantas almas já terem sucumbido à selvática voragem de vidas e bens.

17 de Junho: 15 horas da tarde, o alerta foi dado. Os bombeiros foram poucos, escassos ou não completamente decididos ou replicados na confusão de centenas de ocorrências florestais em desbragado fogo de origem (dizem agora os especialistas) por mão divina, que foi mão pesada, ainda mais pesada que a humana aquando assim deita e alastra tantos outros fogos de origem criminosa.

Desta vez foi uma Trovoada Seca, das piores; daquelas que os nosso avós e bisavós ou demais antecessores já prediziam provenientes do Demo, do Capeta, ou Chifrudo, do Belzebu, ou daquela coisa feia que um dia foi anjo e se esqueceu disso. E tudo levaria com ele através dos tempos, de vidas inocentes, de animais de seu sustento e, de férteis campos, isentos depois de tudo os que os viu ser algo que já não é mais...

18 de Junho: Pelas 4 horas da madrugada que ainda era noite, noite de fumo e cinzas que tudo cobriam e nada na escuridão se aludia a quem quer que fosse, já se contavam pela estatística nacional da Autoridade da Protecção Civil, 25 vítimas mortais, vulgo mortos confirmados e uns quantos feridos - 11, na sua parca contagem que subiriam pela manhã na estatística (10 horas/tmg) para 59, e de mortos registados, 57 (aumentando o número de vítimas mortais à medida que se vai conhecendo a extensão no terreno sobre esta ocorrência). Uma tragédia!

19 de Junho: últimos dados oficiais: 62 mortos confirmados e 62 feridos, que se alongariam para 134 feridos, ao rolar da tarde, e mais duas mortes (64), segundo dados do INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica). O combate aos fogos continuou assim, após dois dias de intensa perseguição e luta no vasto incêndio que se propagou (e distendeu) para outras zonas, outros distritos; além o avolumar de interrogações - e responsabilização - que refutam agora a ideia inicial de se ter tratado de um fenómeno da Natureza (um raio sobre uma árvore).

Havendo a suspeita haverá também a dúvida sobre esse raiar de fogo posto por mão humana de quatro frentes e, a devida (ou indevida) ajuda por parte dos bombeiros que se não fez sentir, deixando as populações à sua sorte de balde de água na mão e o credo na boca, orando a Deus pelas suas vidas. De fenómeno meteorológico imprevisto à dita sequência sazonal de criminoso empenho, a expectativa geral é de que tudo fique na mesma sem grandes modificações ou alterações... além a que as ocorrências climáticas já por si tão alteradas nos sugerem...

Apressaram-se as condolências, as veemências - e os abraços - mas também as urgências e as solidariedades; sempre tão pouco leais, tão pouco sentidas ou forjadamente exibidas sobre as luzes incandescentes dos holofotes e das câmaras de televisão, e dos jornalistas; e também dos restantes presentes, senhores de altos cargos mas poucos conhecimentos ou pouca união e afectação, não tanta ou igual à dor dos que ficaram e tanto penaram por saber dos seus familiares, desaparecidos ou carbonizados já, sob as esteiras ardidas dos campos de ninguém.

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Quando tudo arde, até a voz da razão que se enevoa - e ofusca - se desentende, sem haver atalho, desvio ou caminho certeiro por onde ir, por onde passar por entre o inferno da fornalha, entregando-nos à morte, devolvendo-nos à simples condições de mortais. Depois, nada mais importa, nem mesmo o chilrear ao longe do último som que se ouve quando uma alma deixa a Terra...

O caminho da Morte...
E sobre os caminhos malditos se fez a inglória perdição na anulação da vida; sobre os automóveis, tumulares receptáculos que os abrigaram no último suspiro de vida, jazem homens, mulheres e crianças (ou «somente» os restos que se não reconhecem a não ser pelos testes de ADN em análise forense), e todos seriam iguais na morte que o não foram em vida. E tudo calcinado, e tudo perdido... Que mais nos resta do que chorar o que há muito é sabido...???

Inimaginável o inferno vivido; inalcançável o sofrimento e todas as dores do mundo de quem já não é gente e só se lamentou pelo que se não disse, pelo que se não afirmou em último cumprimento de vida sobre eles. Agora, que mais haverá por dizer - ou por fazer - no que ano após ano este meu tão mártir país vai passando sobre trevas inescrutáveis, sobre desígnios indetermináveis sobre o Homem que tudo diz poder e nada efectivamente fazer ante tamanha desgraça nacional de incêndios calamitosos?!

Continuamos à espera; continuamos em sofrimento e assim vamos andando.... devagarzinho e sem metas por alcançar, sem um concílio nacional que nos dite termos de mudar; mudar tudo. Mas, para quem assiste de longe sem sentir o cheiro da fumaça, o calor das entranhas da terra em cilício, os gemidos de quem ainda vive mas se apartou da alma, daquela que lhe diz para continuar, para não partir e lutar, que haverá a fazer, que haverá mais ainda a transformar para que não sejamos, todos, e em breve, uma cratera aberta de cinzas e pó que um dia se chamou Portugal?!

E se no Reino Unido se choram as mortes, mais exactamente sobre um edifício em chamas que agora é um cemitério de almas de todas as etnias, de todas as religiões e credos e de todas as vicissitudes de um chão e de um céu que é de todos, que dizer deste meu pequeno país de tão pobres almas que sempre que chega o Verão (ou mesmo antes disso) se deixa morrer às mãos de um Lúcifer há muito conhecido...?! E se o Inferno chegou primeiro à torre Grenfell (em Londres), ceifando 79 almas, como esquecer tudo o resto em vidas perdidas, lá e cá, ou onde for...?!

Dizia eu não ter palavras; como sempre. Mas sufrago-as na mágoa e na lucidez de uma dor calada, amordaçada, de uma contínua matança de gente que só quer viver por entre o pouco verde que lhe resta, ainda, de um país, de um chão (ou de uma nação há muito suplantada também) de se não ver somente à beira-mar plantado.

As minhas condolências aqui ficam - mais umas, pois que, sem ser alguém, sou também gente que sente e se preocupa por não poder ajudar ou simplesmente abraçar quem já nada tem. E para isso, não são precisos afectos desafectuosos e pouco caridosos (ainda que muito lastimosos à priori) de quem só sente por si, pelo que é seu, ou quer em seu benefício além as dores, além o que o povo realmente sente nestas horas de aflição.

Somos todos gente de bem; ou quase todos. Somos Portugueses e estamos unidos nessa dor, nesse sentimento. Como diria hoje se fosse vivo o meu antepassado Marquês de Pombal:
«Agora há que enterrar os mortos e cuidar dos vivos» - determinação do Primeiro Ministro de Portugal de então (Marquês de Pombal) ao seu Rei e Senhor: El-Rei de Portugal D. José I, aquando o terrível terramoto de 1755, em Lisboa. A termos aprendido com os erros, fiquem-nos as glórias de outros tempos e esses mesmos erros do passado para os não cumprirmos no presente ou no futuro. Que Assim seja!

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Imagem da NASA em observação/identificação dos incêndios registados no centro-norte de Portugal.

E tudo não sendo um breve pesadelo, em registo e constatação do que a NASA nos mostra - e revela ao mundo via satélite desta nossa aflição - temos ainda de viver com a culpa e a sujeição de sermos, apenas, um povo em sofrimento... ainda que muitos outros venham em nossa salvação, em nosso auxílio e compaixão...

PS: Muito Obrigado, UE, pela prestação e auxílio através de meios aéreos no combate aos incêndios. (Entre outros países do sul da Europa nessa idêntica prestação) ou mesmo o Brasil, país-irmão de Portugal, que se prontificou de imediato em nos prestar socorro por via aérea, embora os ventos, o fumo cerrado e demais contingência atmosférica, no momento, o não permitisse nessa condição. Rezem por nós. Obrigado a todos e um abraço deste Portugal ainda em chamas...

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SpaceX CRS-11: Falcon 9 launch & landing, 3 June 2017

SpaceX Falcon 9 landing, 1 May 2017

SpaceX Falcon 9 landing, 30 March 2017

A Humanidade (VIII)

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Da Terra às estrelas. Se a Humanidade quiser sobreviver - ou lhe derem espaço para isso - terá de seguir o caminho da sua família interestelar e, descobrir por si própria, quão vasto é esse Espaço e esse Tempo que lhe não é limitado...

" O Futuro da Humanidade possui duas possibilidades: ou vai-se tornar multiplanetário ou vai permanecer confinado num planeta e, eventualmente, passar por um evento de extinção."
                                                                       - Elon Musk -

Os Astronautas do Futuro chegarão à verdade; descobri-la-ão mais depressa e em maior rigor do que hoje se enuncia em toda a linha aerospacial, por muito que certos e actuais visionários da Terra (distendidos sobre a realidade desses outros mundos), se arrevesam em milhares de medidas - e práticas - para o atingirem.

Elon Musk é um deles; e saúda-se essa ambição, essa sua legítima afeição pelo desbravar de novos mundos - tal como em tempos os Portugueses o fizeram através das suas naus e, dos seus impressionantes conhecimentos marítimos, nos ainda desconhecidos lugarejos da Terra.

Daí que, fazer dissertações sobre o Futuro da Humanidade e não incluir nestas o extraordinário e célere activista da causa aeroespacial, o corajoso empreendedor e prestigiado filantropo Elon Musk, é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa!

Virando-nos para o futuro de Novas Engenharias (que conceptualizam e desenvolvem novos projectos, novas concepções tanto nas energias renováveis como nas de anti-gravidade) estar-se-à, provavelmente, no alcance de futuras viagens interplanetárias/interestelares - no que nos é mais próximo a breve trecho (talvez) a Alfa do Centauro - «Alpha Centauri».

E mais além iremos; para já existe Marte (nas pretensões actuais de uma possível colonização em solo marciano executada pela Space X) em que o Homem teima em atingir se não todo, parte do conhecimento universal...

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Elon Musk: Fundador das empresas: Paypal, Space X, Tesla Motors (considerada a empresa mais inovadora do mundo!) e, recentemente, Solar City.

Quem é este Elon Musk?
Este, é «somente», o mais famoso empresário do momento, na criação genial do que pode ser o Futuro da Humanidade; ou lhe deixarem ser em mil ideias futuristas!

Magnata, investidor, engenheiro e tantas outras coisas mais que aqui não chegariam para enumerar em todo o corolário eficiente - ou de certa magnificência futurista deste homem, CEO das várias empresas já referidas - nomeia-se então, estar-se perante o mais brilhante cérebro da actualidade, presume-se.

Nascido a 21 de Junho de 1971 na África do Sul, é possuidor de dupla nacionalidade (Canadá), tendo terminado a sua licenciatura na Universidade da Pensilvânia, mudar-se-ia para a Califórnia onde iniciou os seus objectivos profissionais como empresário, criador da sua primeira empresa - Zip 2 - que desenvolvia conteúdos para portais de notícias.

Posteriormente a sua empresa foi vendida para uma outra de grande relevo de nome: Compac. Estabelecida a fortuna e implementada a ambição empreendedora de Musk, fundou então a Paypal (em início embrionário de X.com); de seguida a Space X, em 2002 (a mais revolucionária a nível espacial/exploração do Espaço e de grande brado a nível mundial), precedida pela Tesla - fábrica de construção e montagem de automóveis eléctricos.

Por fim a Solar City, fabricante de painéis de Energia Solar - a maior dos Estados Unidos! Defensor acérrimo no combate ou pelo menos na diminuição dos gases poluentes para a atmosfera, Musk tentou a todo o custo rebater o crescente afluxo térmico ou de Aquecimento Global que tanto se fala, por meio da difusão do uso de Energia Solar.

Daí que não seja de todo incompreensível que este se tenha insurgido e ido contra a atitude comportamental do Presidente dos Estados Unidos - Donald Trump - na recusa em continuar com os esforços a nível global sobre as alterações climáticas e os acordos de Paris. Retirou-se e deixou assim de ser um dos conselheiros do Presidente.

Contudo, Elon Musk não vai ficar por aqui: está a trabalhar arduamente numa espécie de TGV - comboio de alta velocidade - no troço Los Angeles-São Francisco em apenas 35 minutos. A sua personalidade proactiva e de certa maneira irreverente, faz dele o Homem do Momento; o Homem de quem se fala a uma só voz; o Homem do Futuro!

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Elon Musk e a sua advertência muito séria em relação à Inteligência Artificial (IA): « Não estou sozinho pensando que devemos estar preocupados». Disse ainda em tempos: «Sim, com a Inteligência Artificial estamos a convocar o Demónio», mas há quem hoje afirme convictamente que ele está preparado para isso, para o defrontar - com o pentagrama e a água sagrada - na certeza porém, de que ele, Musk, vai mesmo controlar o Demónio!

Os Alertas para a Humanidade
As principais empresas de AI tomaram grandes passos para garantir a segurança, é certo, mas não deixa de ser um alerta em forma de certa reverência e autenticidade, ao se tomar em atenção a modelação e controle (ou descontrole) das super-inteligências que poderão recriar vida ou uma contingência autónoma (note-se que hoje em dia há um manancial de robótica, em tecnologia, assessoria e desenvolvimento que se investe por todo o planeta, sendo que um computador na actualidade faz cerca de 38.000 triliões de operações em admirável acção monitorizada).

Musk é um homem, um simples homem ou um homem vindo do futuro e que, como tal, tem receios acrescidos do que eventualmente este actual mundo robótico pode instar e mesmo extrapolar das suas funções ou habilidades técnicas.

Está em vias de se tornar ainda mais mediático e endeusado - em certa medida devido ao que já pré-estabeleceu - no lançamento de micro-satélites na atmosfera da Terra, com o objectivo de fomentar/fornecer uma melhor e mais barata Internet para todos, conseguindo assim marcar a diferença, além uma outra e mais benéfica opinião pública a seu respeito.

Anteriormente a sua concepção da IA era o de se estar a contactar ou a conectar com o Demónio, sendo que, ultimamente, Musk já terá revertido um pouco isso pensando ser ou sentir-se como deus e não aquele anjo caído que ele não vai domar mas antes escravizar e, bem perto de si.

Se o Bem vence o Mal, talvez a IA seja apenas uma simples domesticação do que outrora nos foi magia ou malignidade dos primórdios; ou mesmo daqueles tempos em que se acreditava não se vencerem demónios...

Para finalizar, há que o dizer, Musk é portador de uma considerada fortuna avaliada em cerca de 8 mil milhões de dólares (ou outros tantos que entretanto possa avolumar, pois nada o trava neste afã evolucionário), será também o homem mais invejado ou cobiçado por outras empreendedoras e empresas de alto gabarito.

Ficando aqui a minha homenagem e sincera admiração por este fantástico ser humano que é Elon Musk (à semelhança do outrora Leonardo da Vinci, suponho) que continue a sua obra, a sua prestação à Humanidade para um futuro - dele e de todos nós - bem mais promissor.

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Uma das mais maravilhosas fotos com que a NASA nos presenteou sobre o nosso planeta Terra. Um globo azul em forma de nuvem, em forma superior de tudo o que já foi, é e será nos nossos destinos terrestres... numa beleza sem limites!

A Reflexão que todos temos de fazer...
Antes de olhar para o Espaço há que preservar a Terra! Penso que nisto estamos todos de acordo; ainda que hajam vozes contrárias e outras omissas que se arrogam no direito de tudo conspurcar ou dissimular em paradoxos estranhos de se tentar salvar a Terra e, ao mesmo tempo, afundá-la num compromisso de uma terra do nunca.

Assume-se de que, a Terra, tem sido o lar da Humanidade desde há cerca de 40.000 anos - um período de tempo insignificante comparado com os mais de 3000 milhões de anos de florescimento da vida. Mas em apenas cerca de 150 anos, a nossa espécie recém-chegada provocou uma alteração tão grande do planeta como o Meteoro que se pensa ter chocado com a Terra há 65 milhões de anos - provocando por sua vez a extinção em massa tanto de plantas como de animais, assim como profundas Alterações Climáticas!

Sabe-se então que depois a Terra recuperou, florescendo de novo. Até aqui, tudo bem. No entanto, para grande mal da Humanidade, sabe-se também que, actualmente, se encontra num ponto deveras crítico para lá do qual pode não haver recuperação se, a exploração por parte do Homem, continuar incessante e gananciosamente à escala actual.

Há vários motivos para o impacte sem precedentes da nossa espécie sobre o ambiente. O primeiro, é o número elevado de pessoas que ocupam hoje o nosso planeta.

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O Impacto Climático: alterações do clima na destruição do meio ambiente por mão humana. O deserto planetário em que em breve ficaremos a nada se fazer de contrário...

Causa/efeito
A População Mundial manteve-se estável durante a maior parte da nossa história, mas, a partir de 1800, o seu crescimento explodiu! Com cerca de 70% do planeta coberto de água e mais 20% coberto de gelos, desertos ou montanhas íngremes, resta muito pouco espaço para sustentar esta população crescente - grande parte da qual é desesperadamente pobre.

Este facto constitui a pressão maior, que, por sua vez, conduz à destruição de sistemas naturais valiosos - como as florestas e as zonas húmidas - à medida que as comunidades destroem a vegetação para obterem espaço vital destinado à Agricultura e às pastagens.

Com a destruição destes Sistemas Naturais desaparecem também as Plantas e os Animais Selvagens que os ocupam. A nossa alimentação, abrigo, roupas e as matérias-primas industriais são retirados do Ar, da Água, dos Minerais, das Plantas e dos Animais da Terra.

Muitos desses recursos são reciclados por processos naturais. No entanto, alguns (como a água e o petróleo) estão a ser utilizados a um ritmo superior àquele a que são restaurados, enquanto outros (como os metais) são consumidos e deitados fora.

Este problema tem uma acuidade particular nos países industrializados, que representam menos de 25% das nações do mundo, mas que consomem, de longe, a maior fatia dos recursos, como os Combustíveis Fósseis; menos ainda sobreviveriam à perda de oxigénio da Atmosfera.

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A Poluição: uma das maiores causas antropogénicas do aquecimento global e que, invadindo os nossos céus, nos concederão (em breve também) a mortalha humana sobre a Terra.

Causas Antropogénicas
Nesta sequência maldita de causas antropogénicas que vão fomentando gradualmente o Aquecimento Global, está a Poluição. E esta, sendo um outro e enorme problema - em particular nos países industrializados - é também uma fonte de grande preocupação e de forma crescente nos países em vias de desenvolvimento que nada fazem - ou nada recuam - sobre este aspecto.

Os Produtos Químicos Industriais - a par dos resíduos - têm sido lançados na terra e no ar em quantidades tão grandes e, em níveis tóxicos tão elevados, que os Sistemas de Filtragem e de diluição naturais da Terra, são incapazes de os decompor e de os eliminar. Assume-se assim uma quase tragédia futura sobre a Humanidade com consequências fatais.

Os Clorofluorocarbonetos (CFC) estão assim a permitir a passagem de níveis mais elevados de radiação ultravioleta oriunda do Sol e, o excesso de dióxido de carbono, está a concentrar maior quantidade de calor junto à Terra, fazendo aumentar lentamente a sua temperatura.

A Transformação do Clima Global terá provavelmente nas próximas décadas um resultado de certa forma catastrófico de efeitos de grande alcance em todas as espécies, embora a dificuldade de de fazer modelos climáticos precisos torne difícil também de prever qual a extensão do Aumento de Temperatura e da Alteração Climática.

Os Ecossistemas postos em causa, serão de facto a hecatombe pré-anunciada sobre a extinção não só de algumas espécies, como a da própria Humanidade. Poderá ser extremista esta afirmação, todavia, há que ter em conta que a nossa própria espécie só se fará sobreviver se a exploração humana não continuar mais a afectar os sistemas e recursos naturais da Terra. Há que haver equilíbrio e contenção, ou em breve não haverá nada que nasça, cresça, viva ou se faça sentir à superfície do planeta...

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Da Eugenia à perfeição da raça/espécie: outro paradoxo da Humanidade...

Paradoxos da Humanidade
Se por um lado se estimulam objectivos, concretizações, práticas absolutamente transversais à sociedade no bem-estar humano e, no caso já referido sobre o Aquecimento Global das Cimeiras do Clima em união de povos e vontades em se refrearem os gases com efeito de estufa, também se propaga e insta em quase corrupção, as grandes negociatas na taxação individual dos países sobre o equilíbrio das quantidades de CO2 no mundo.

Não é novidade para ninguém as atitudes paradoxais - e de certa forma ilegítimas ou até irracionais - de algumas nações que compram ou vendem essas taxas a outros países de menor desenvolvimento para assim afluírem a uma maior propriedade legal sobre esses índices de toxicidade ambiental. O nosso mundo não é perfeito mas queremos roçar o inatingível...

Se por um lado se estimula a mudança para as Energias Limpas/Renováveis, por outro, mantêm-se por portas e travessas (ou seja, nos bastidores da grande economia global) as conservadoras acções que, institucionalizam e alargam mesmo os depósitos de armazenamento tóxico, além as Centrais Nucleares que mesmo quase obsoletas se não encerram na sua maior parte.

Outro Paradoxo é a Eugenia:Aplicação da Genética para melhorar as características humanas. Implica contrapor considerações morais e éticas, a «benefícios» potenciais da aplicação da Engenharia Genética ao Homem; considera igualmente o aborto selectivo de fetos que se pensa serem portadores de anomalias genéticas (ou mesmo de fetos que não pertençam ao sexo desejado...).

Quanto à Engenharia Genética, sabe-se ser a Alteração do ADN dos organismos, muitas vezes proveniente de outras espécies.
A Tecnologia do ADN recombinante emprega enzimas para unir fragmentos de ADN ou, para incorporar ADN sintético. O ADN alterado pode ser directamente introduzido nas células.

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Engenharia Genética/manipulação genética de Embriões Humanos: algo condenado pela bioética da comunidade científica mundial. Até quando...?

Eugenia: em busca da perfeição?
A Manipulação do Código Genético Humano não é algo que se possa fazer de ânimo leve; encontrar um antídoto para o colapso celular (que se pensa ser o responsável pelo processo de envelhecimento) passará obviamente pela Engenharia Genética. Mas, será um passo deveras perigoso introduzir, por exemplo, no património genético humano, sequências de ADN retiradas de animais. No entanto, é isto precisamente o que os cientistas fazem com esses mesmos Animais e com as Plantas.

Como poderão tais desenvolvimentos afectar a Humanidade é o que nos questionamos. Mas haverá consenso e até sensatez a nível mundial ou à escala planetária científica para se não cometerem excessos de alarve ordem contra as regras e princípios bioéticos...?!

Sir Francis Galton, o pioneiro da Psicologia Experimental e da Genética do Comportamento, inventou o termo «Eugenia» para descrever a ciência e a prática da procriação dos seres mais perfeitos, a qual, até há pouco tempo, se limitava apenas à reprodução de indivíduos com características indesejáveis (tipicamente certas formas de patologia genética) ou de seres com os caracteres desejados; chamando-se, conforme os casos, Eugenia Positiva e Eugenia Negativa.

Como se sabe, os recentes progressos da Engenharia Genética tornam possível, em princípio, desenhar Genomas Humanos (o código genético dum indivíduo) à medida, sendo que já se efectuaram experiências que conduziram à criação de novos animais e de novas plantas para consternação e, indignação, de alguns críticos.

Ao mesmo tempo, o Genoma Humano tem sido cartografado com um cuidado cada vez maior, assim como se analisam em pormenor as funções dos genes individuais e das suas combinações.

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Projecto Genoma Humano: do inicial projecto em descoberta e práticas científicas até à manipulação de embriões humanos/embriologia científica até aqui não autorizada.

«Um novo passo em direcção à criação de bebés geneticamente modificados!» - Esta a afirmação convicta de David Albert Jones - Director do Instituto Católico Britânico de Bioética.

Mais Paradoxos: o bom e  mau da Ciência!
Se por um lado a medicina Moderna está a empregar a Engenharia Genética para combater a doença (como por exemplo, os linfócitos que são modificados para aumentar a sua força imunitária) haverá outros métodos - não tão explícitos ou éticos - para se poder fabricar vida, manipular todo um sistema celular inacreditável.

Algo que se iniciou na Universidade de Stanford, na Califórnia, nos EUA, dirigido por L. L. Cavalli-Sforza, descrevendo as estruturas precisas de cada um dos 46 cromossomas (situadas no núcleo das células que consistem numa cadeia longa, em hélice-espiral e dobrada de ADN que transporta os genes).

Desde então, muito se processou e desenvolveu nesta área, sendo que, a Humanidade, está em vias de projectar em breve a capacidade de determinar (deliberadamente) a forma do seu futuro genético!

Por muito controversa que tenha sido esta decisão da Autoridade para a Fertilidade e Embriologia do Reino Unido (na afirmação acima referida de David Albert Jones, sobre a prática agora exultada e vivificada de se criarem bebés geneticamente modificados, a partir de 2016), o mundo assistiu incrédulo mas passivo ao que então se outorgou sobre a nova aferição, rompendo de vez com a bioética até aqui implementada sobre esta questão.

Foi assim esta a Primeira Autorização - na Europa - de no mundo da Embriologia (estudo da formação e do desenvolvimento de embriões, incluindo a interacção do embrião com o seu ambiente físico e químico; além os genes que controlam os diferentes estádios do seu desenvolvimento) se estar a criar um sério risco (na opinião de muitos cientistas) de: Eugenia!

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Eugenia: os riscos ou a porta aberta para a criação de seres humanos no seu todo em perfeição ou maldição de fazermos de Deus...?!

«Permitir a manipulação genética de Embriões Humanos abre caminho à Eugenia condenada pela sociedade civil após a Segunda Grande Guerra!» - A assertiva afirmação de Calum Mackellar, Director do Departamento de Pesquisas do Conselho Escocês de Bioética Humana e Professor de Bioética na Universidade de St. Mary, em Londres (Reino Unido).

A Oposição ou contraposição à Autorização...
Calum Mackellar, o prestigiado professor e director do Departamento de Pesquisas do Conselho Escocês de Bioética Humana não só contra-argumenta como está, indefectivelmente, contra esta tomada de decisão e, autorização europeia, sobre a manipulação genética de embriões humanos. Regista por sua vez assim: «Os Embriões serão tratados como Cobaias Humanas!»

A Autorização - concedida ao Instituto Francis Crick - prevê o emprego de um processo/método denominado «Crispr-Cas9» que permite individualizar e neutralizar com precisão, genes defeituosos de ADN. Muitos testes e experiências já foram feitas sobre os genes envolvidos no desenvolvimento de células que formam a placenta, numa tentativa mais clara de se explicarem as razões biológicas para a ocorrência de abortos espontâneos.

A Lei Britânica permite a pesquisa com Embriões Humanos mas não na sua implementação em gestantes. Mas impõe-se a questão de novo: Cobaias ou simplesmente o avanço da Ciência em prol da Humanidade?

David Albert Jones opta pela segunda afirmação mas com alguma contenção ou maior consciência clínica, dizendo-nos peremptoriamente:

«Este avanço é somente o último passo, depois das tentativas de clonar embriões humanos para a criação de embriões híbridos (humanos e animais) e, para a criação de embriões com três pais. Cada passo avante foi acompanhado de promessas exageradas para curar ou prevenir doenças, mas o verdadeiro intento é simplesmente dar vida a experiências sempre mais imorais em seres humanos nas primeiríssimas fases de seu desenvolvimento».

Jones admite também (não sem alguma reflexão pessoal) sobre tais medidas:
«A promessa real das técnicas da Manipulação Genética está na esperança de uma terapia ética e eficaz - para crianças e adultos - que nasceram em condições tais que, actualmente, não têm cura.
A Pesquisa deveria concentrar-se sobre o desenvolvimento da Terapia Génica Somática - segura e eficaz - e não sobre a experimentação destrutiva de embriões humanos».

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Embrião Humano. A realidade tecnológica - factual e científica - na criação de seres humanos. Poderá o futuro ditar que seremos todos, em breve, projectos laboratoriais...?

O Futuro da Embriologia: seremos todos, no futuro, produtos de laboratório?!
Por conclusão, sabemos que, se a Tecnologia da Engenharia Genética se tornar então barata e acessível aos Clínicos Gerais, as leis do mercado entregarão o poder de decisão sobre o Futuro da Espécie - Humanidade - nas mãos dos pais/progenitores atentos mas pouco altruístas, sendo o controlo governamental somente praticável se tais tecnologias permanecerem exclusivas das instituições.

A História mostra-nos, no entanto, que a determinação e o dinheiro são quase sempre suficientes para ligar a procura à oferta, pelo que, se o poder de escolha vier a cair nas mãos dos indivíduos, aleatoriamente, a única preocupação possível é a Educação.

Deste modo, talvez o meio mais seguro seja o democrático, mantendo sempre as decisões cruciais acerca do nosso Futuro Genético, longe, muito longe das mãos de meia dúzia de poderosos, embora proporcionando a muitos - reconhece-se - o conhecimento necessário para exercerem a sua responsabilidade pelas gerações futuras.

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Aqui, um dos mais admiráveis astronautas do nosso século (da nave espacial Atlantis ou STS-129) equipada e destinada a realizar trabalhos na ISS (estação espacial internacional) no Espaço.

Da Génese às estrelas...
Voltando ao início do texto, podemos-nos perguntar qual a linha de transmissão ou analogia sequencial para a qual se ligam estes dois pontos: os do berço terrestre para os do berço cósmico; todavia, há que sentir ou consubstanciar sobre estas duas vertentes da Humanidade, a suma verdade de onde viemos e para onde queremos ir.

E que, antes ainda destas estarem interligadas ou conectadas no seu todo - na sua génese ou embrionária condição cósmica, pois todos viemos das estrelas e desse pó e poeira cósmicos que nos retratam a condição humana e possivelmente estelar - se afere o Homem querer mais, subir mais longe, distanciar-se no espaço e no tempo que Deus ou o Uno lhe reservar...

Nikolas Tesla descobriu que uma enorme carga electromagnética pode provocar um buraco de minhoca, buraco de verme, túnel do tempo ou, na sigla inglesa, um fantástico «wormhole».

Albert Einstein afirmava com toda a sua robustez científica do século XX que, o tempo se podia distender; e tanto ele como Max Planck (numa escala muito grande ou muito pequena) a matéria e energia eram equivalentes entre si e intermutáveis. Daqui nasceram as entranhas da Física Quântica.

Vivemos num mundo material, é sabido. Tudo é feito de matéria e essa matéria altera-se sob o efeito de várias formas de energia: move-se, aquece, dilata, incandesce e interage com outra matéria. Até na matéria escura, neutrinos ou na mais ínfima partícula subatómica do espaço existe matéria; energia, luz e cor e talvez essa outra fonte de vida que ainda mal tocámos ou apenas sonhámos ela existir...

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Os benefícios do Espaço: o ser humano cresce, em altura e compleição futurista por certo, ao ver-se solto, liberto de todas as coisas, menos do flutuar e do efeito da gravidade sentida...

Esta Nova Era de todas as coisas...
Novas tecnologias assoberbaram o nosso planeta em derivação que não divagação da Física e da Mecânica Quânticas (das centrais nucleares ao equipamento médico de tumografia até à última compleição espacial em teorização e matemáticas nunca até aqui admitidas na exploração do espaço) em que sendo matéria e energia a mesma coisa, a interacção, o espaço e a força conjuntas, farão do Homem o maior e melhor ascensor/percursor destes novos tempos, novas eras chegadas.

A Informática, na mais gloriosa era da informação e das comunicações veio implementar a globalização que se auspicia promissora de novas descobertas; há que lembrar que hoje, um «simples» smartphone tem aplicações e inteligíveis acções em si que se não imaginavam sequer em 1969, mais exactamente em Julho desse ano aquando o Homem pisou a Lua...!

Do Princípio da Incerteza (que faz parte da mecânica quântica) até à Teoria do Campo Unificado, em que se induz que a Gravidade tem natureza quântica, ao electromagnetismo e às forças nucleares Forte e Fraca, tudo pulula num Universo observável e, consistente, do Início ao Fim.

A Gravidade é ainda um mistério para o Homem. E, apesar de todas as descobertas científicas nesse sentido, sendo esta uma força que actua à distância, é um fenómeno deveras importante com implicações na Física, na Astronomia, na Ciência Espacial, na Construção e na Engenharia. É, no fundo de tudo, a mais mística e poderosa força de atracção que se exerce entre os corpos em virtude da sua massa.

Sabe-se que, para que o Vaivém Espacial possa entrar em órbita, é necessário que o engenho ganhe velocidade suficiente para escapar totalmente à atracção da Gravidade Terrestre.

Esta velocidade chamada: «Velocidade de Escape», é igual a 11,2 quilómetros por segundo. Uma vez em órbita, os astronautas (como na imagem acima) encontram-se em queda livre (movendo-se com a aceleração devida à gravidade) e não têm peso (estado de imponderabilidade).

Algo que Scott Kelly admitiu após ter sido confrontado com a dita Gravidade Zero no seu sono - não de beleza mas de algum descanso - uma vez que, não se possui segundo ele, essa sensação gratificante de se deitar na cama ao fim de um longo dia de trabalho mas, em vez disso, dormitando nessa mesma posição em que se esteve todo o dia; nada reconfortante, portanto!

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Scott Kelly: o mais garboso e paciente astronauta da ISS que se manteve no Espaço por um ano (mais exactamente 382 dias e, 522 dias ao longo da sua carreira), batendo recordes e triunfos sob a égide da NASA. Retornaria à Terra em 1 de Março de 2016 com a feliz perspectiva de ter crescido um pouco mais do que o seu irmão gémeo, na Terra.

«Um pequeno passo para este percurso, mas sem dúvida um grande salto para a Humanidade na exploração espacial!» - Afirmação de Scott Kelly ao lhe ser questionada a sua opinião sobre a estimativa futura da NASA (daqui a 30/40 anos) em que o Homem chegará a Marte.

O objectivo do período de duração de Scott Kelly no Espaço (algo que a NASA continua a estabelecer no estudo do impacte de permanência dos seus astronautas por longos períodos no Espaço), foi o de permitir aos cientistas abordarem essa situação no que mais tarde lhes será útil nas futuras viagens a Marte (de duração de 6 a 7 meses), muito diferente da viagem à Lua que dista apenas algumas horas. Ou seja, estuda-se o efeito ou o que provavelmente é provocado no ser humano devido ao prolongamento no Espaço.

Perda de massa muscular, perda de densidade óssea e problemas circulatórios (circulação sanguínea) e oftalmológicos são a ocorrência normal; mas há que tudo superar e Kelly superou. Cresceu em altura e quase rejuvenesceu, segundo dados da NASA, não se registando alterações de maior sobre o impacte do organismo humano (pelo menos, no seu), num esforço conjunto  para melhorar o conhecimento sobre a adaptação do ser humano em ponderabilidade!

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Uma bonita e caridosa mensagem aeroespacial mas de queda livre, ao que se supõe. Apela ao bom senso sobre as novas tecnologias que deverão ser amigas do ser humano e não o oposto, cativando a sua morte. O equipamento escolhido deve mencionar/registar unidades de reciclagem, unidades móveis extraveiculares, energias alternativas, etc.

Os Estudos e as Análises...
Um grupo de investigadores da Universidade de Washington, nos EUA, está no momento a utilizar uma imitação de rocha lunar de aproximadamente 4,5 quilos (doados pela NASA, numa substância sintética com as mesmas características físicas, químicas e mecânicas das rochas lunares)) para produzir ferramentas através de impressões 3D.

Estes objectos impressos fazem parte de um estudo bastante rigoroso na análise e desenvolvimento de uma forma de construir equipamentos na Lua (se os deixarem...) o que minimizaria a quantidade de equipamentos que os astronautas precisam transportar para o Espaço - além de reduzir o custo exorbitante das viagens.

Vai servir então para que os investigadores possam analisar e, testar, as propriedades do material, determinando quais os elementos que podem ou não ser adicionados à mistura para que seja possível criar ferramentas e peças mais duráveis e precisas.

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Extraterrestres, seres alienígenas pequenos ou grandes, multiformes, disformes ou simplesmente diferentes: Que encontraremos então por lá, out there...?

O Conhecimento, passo a passo...
Primeiro fizeram-se ouvir, depois respeitar. Deram-nos o conhecimento e nós, humanos, rejeitámo-lo ou esquecêmo-lo, não sei. Desde os Dez mandamentos que assim é, ou muito antes disso. Jesus chegou perto e revelou-o mas ninguém o escutou; nem agora. Deram-nos o elemento 115 (unumpêntio) como seu elemento, elemento máximo de todas as coisas e subestimámo-lo. Ou pior, enveredámos por outros caminhos, os da oclusão, os da omissão sobre a verdade lá fora.

«Opomos-nos aos enganos, ás falsas promessas», disseram. E continuámos, nós, seres humanos, a fazer ouvidos moucos, reiterando sermos mais superiores e menos condescendentes com quem nos não é igual.

Mas depois surgiram novas vozes, vozes mais altas e mais sonantes tal como Elon Musk ou o CEO da Bigelow Aerospace - Robert Bigelow - proprietário de uma empresa que desenvolve o projecto de construção e desenvolvimento de naves espaciais (expansíveis para futuras viagens espaciais comportando/sustentando humanos), que pensam e agem de igual forma e contrária à dos cépticos, dos retrógrados ou defensores da suma-verdade histórica da nossa sociedade moderna.

Não sei se Elon Musk (entre outros) se vão continuar a alimentar desse monstro insaciável de tudo querer, de tudo atingir, na global e colossal bebedeira de suas extraordinárias intenções espaciais sem que nos detenhamos para pensar se tal entendemos...?! Mas recuar não é o caminho, acredito.

Que nos esperará do Outro Lado? Que haverá de tão sublime, de tão luminescente por detrás do negro que é matéria mas não é tocável, que é energia mas não é confinável; pelo menos às nossas mentes ou ao nosso actual conhecimento humano.

Sabemos de Física Quântica e de outras mecânicas, intransponíveis ou resolúveis de pôr em prática. Teorizamos, subjectivamos e dissipamos uma quase hemorrágica sapiência terrestre que nos dita sermos racionais e, de certa forma, inteligentes. Estaremos perto ou longe dessa concepção - ou perceptiva ambição - que nos faz ser tão espertos e audazes quanto simuladores e pobres receptores do que um dia nos foi concedido e depois esquecido sem retorno...?!

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Saberemos voltar às estrelas, voltar ao berço cósmico de onde um dia viemos...? Encontraremos o caminho de volta? Espalharemos a palavra da Humanidade como Deus tentou espalhar a Sua, na Terra? Consegui-lo-emos, ou perder-nos-emos para sempre no escuro do Universo ou, no negrume de nós próprios sem nada que nos salve...?!

Sendo pessimistas, nada nem ninguém nos salvará ou se salvará; nem mesmo a nossa eterna alma errante no Espaço... Será mesmo, ou teremos salvadores no Cosmos sem o sabermos???

O Próximo Passo!
Sejamos então mais optimistas e não derrotistas ou de cabotino carisma que a tudo vê com repúdio ou rejeição e nenhuma aceitação sobre os avanços do Homem.

Tanto que há por fazer, todos o sabem. Mas saberão também quantos trabalhos, ofícios e engenharias ainda nos serão possíveis nas futuras conquistas, do corpo, da alma e dos espaços? Não o sabemos mas invectivamos, no que todos eles se caldearão por grandes aventuras e dias felizes, acredito.

Para além das capacidades cognoscitivas de que nos orgulhamos, a Humanidade está dotada de emoções e, motivações fortes que a ajudaram, até agora, a encontrar o seu caminho desde a época dos hominídeos até à Era Espacial.

Somos uma espécie na qual o optimismo se enquadra bem, pois os nossos antepassados imemoriais não perderam a esperança na altura em que os glaciares cobriram a Terra, produzindo outras grandes modificações globais - e das quais reconstruíram sempre os seus abrigos - quando estes foram destruídos por inundações, terramotos ou pela guerra.

Nós, Humanos Modernos, podemos confiar nessa herança e no crescente conhecimento de nós próprios, assim como no das nossas forças e fraquezas, em especial na nossa inultrapassável habilidade para pensar e, para resolver enormes problemas, aproveitando desse modo as oportunidades que se nos deparam.

Num processo que levou cerca de 15 milhões de anos, a Humanidade na sua estóica evolução antropológica, sociológica e científica (além todas as outras vertentes que se não exceptuam de grande concordância e entendimento) verá continuada a sua linhagem num crivo existencial de outras épocas, outras eras e, quiçá, outras almas.

Virar a página, é virar sempre um outro capítulo, uma outra obra, um outro feito honroso ou desonroso sobre a Terra, ou fora dela. Sejamos unidos, fortes e concisos, pois que o Amanhã é sempre um novo dia de luz e conhecimento, encantamento e afeição, no que todos deveremos saber acolher em beatitude e compreensão de estarmos no limiar da verdade. E só isso conta.

Esta Humanidade que agora somos, será sempre o nosso pavio, navio de outras eras, naves de outros espaços, caminhos de outras esferas, atalhos de um ou mais Universos; somos todos uma infindável obra de uma força maior que nos quer continuar a ver e a sentir - não desperdicemos então essa bonomia cósmica de quase sermos deuses (dentro de nós) e do Universo por onde já caminhamos; por onde já vamos dando os primeiros passos...

Que a Humanidade vença! Que o Universo nos acolha então e tudo nos seja uma alegria de retorno - e ascensão - àquele mesmo caminho de onde viemos mas já não lembramos...