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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

How Far From Earth Have Earthlings Died?

Why Mars Died, and Earth Lived

Ross 128 B | Exoplanet Ross 128 B

«Terra» à Vista!

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Exoplaneta Ross 128b na constelação de Virgem (ilustração) - ESO/M. KORNMESSER: A fantástica epopeia estelar com que o Mundo da Astrofísica nos brinda em mais uma gloriosa descoberta de um planeta (fora do nosso sistema solar), situado a 11 anos-luz de distância da Terra. Muito parecido com o nosso planeta Terra, só nos cabe agora sonhar em partir, um dia, e talvez voltar num outro... ou não.

O Sonho comanda a vida...
Pois é. O Sonho comanda tudo; até o que há décadas julgáramos impossível ou mesmo inenarrável sobre o Mundo da Astronomia - e posteriormente o da Astrofísica - e o que deles conhecíamos em limitadas fronteiras galácticas, e hoje, ser-nos a mais pura realidade (ainda que em persistentes e evasivos sonhos de deslocação aeroespacial de circuito interplanetário, por enquanto...), tentando nós, civilização terrestre, chegar mais perto daquilo que outros há muito sabem, visitam ou até permanecem.

Os Sonhos não morrem e nós, Humanidade, também não; porquanto os cientistas persistam na continuação e perseguição desses mesmos sonhos sobre a Ciência dos Astros e quem neles vive, habita ou recrudesce sobre a sua genésica autorização civilizacional interestelar, que nós, todos, e como civilização milenar que somos, temos o dever de saber perpetuar.

Este Exoplaneta Ross 128b agora descoberto por uma equipa internacional - da qual faz parte o astrofísico Nuno Cardoso Santos, um investigador português do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) - que nos fala agora sobre um relatório divulgado a 15 de Novembro de 2017 pelo ESO (Observatório Europeu Austral) situado no Chile, revelando-nos um planeta que está mais próximo da Terra mas fora do nosso sistema solar, podendo conter vida em si.

Sendo muito semelhante à Terra, poderá então albergar vida, segundo a consideração dos cientistas. Este promissor planeta-vida Ross 128b orbita em redor de uma estrela na constelação de Virgem a «apenas» 11 anos-luz de distância da Terra (cada ano-luz corresponde exactamente a 9460 mil milhões de quilómetros). Ou seja, nada de grandes pressas para nos pormos já de malas aviadas sobre possíveis viagens interestelares, pelo que ainda é cedo para se festejar tal.

No entanto, o Homem sonha e o projecto avança; e nós, Humanidade, sonhando, vamos avançando também sobre o que dispomos hoje de, mesmo na distância de 11 anos-luz da nossa Terra-Mãe, podermos fazer real o que hoje é imaginário... qualquer dia... daqui a alguns séculos na melhor das hipóteses; e se nos deixarem...

Este maravilhoso Ross 128b tem uma massa semelhante à da Terra e uma amena ou temperada temperatura (características compatíveis com a possibilidade da presença de água em estado líquido, indispensável para a existência de vida tal como a conhecemos).

Recordemos que são essas as idênticas expectativas em relação ao nosso vizinho Marte, aquando estas últimas descobertas na provável existência de água líquida à superfície ou derretimento desta se estiver ainda em gelo, como se supõe. É certo que tudo é um primeiro e pequeno passo, mas um passo adiante, o que é sempre positivo de se afirmar.

Em relação ao recém-descoberto Ross 128b, e na opinião dos cientistas, será futuramente observado mais em pormenor pelo telescópio E-ELT  («European Extremely Large Telescope» do ESO, que deverá estar construído em 2025) e que permitirá assim aceder, observar e recolher mais dados sobre os exoplanetas mais próximos da Terra.

Os cientistas estão assim optimistas no aprofundar destes estudos, tal como no caso do Ross 128b ou no Próxima do Centauro (Próxima b); entre outros que entretanto se venham a descobrir...

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Exoplaneta OGLE -2005-BLG-390Lb, da NASA/ESA e G. Bacon - STScl - Telescópio Hubble (ilustração/concepção artística do exoplaneta). Planeta extra-solar gelado orbitando uma estrela fraca; cinco vezes maior do que a Terra, circunda uma anã vermelha (estrela com pequena massa e de temperatura baixa). Possível temperatura frígida à superfície que rondará, provavelmente, menos de 220 graus Celsius. Nada amistoso para a condição humana, portanto...

Continuando a desvendar o Ross 128b...
Tal como este exoplaneta na imagem acima referido (OGLE), o Ross 128b orbita em torno de uma anã vermelha pouco activa, ou seja, como é do domínio científico, terá a característica de ser uma estrela mais fraca do que o nosso Sol, sendo possuidora de uma massa pequena e uma temperatura baixa.

Já noutros casos se aferiu que nestes planetas - a haver vida - esta poderá ter outros contornos ou vertentes, devido obviamente às diferenças registadas. O nosso Sol é uma anã amarela (por enquanto); daí que as temperaturas se reflictam de outra forma sobre as espécies.
Apesar de especulativo, nada nos faz rejeitar a ideia de haver outra concepção de vida; seja neste gelado exoplaneta OGLE, seja no Ross 128b consideravelmente mais ameno ou hipotético de vida.

Algo que é corroborado pelo IA, Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, sugerindo que Muitas Estrelas Anãs Vermelhas - incluindo a Próxima do Centauro (Próxima Centauri), a mais próxima do Sol - e que ocasionalmente reproduzem fenómenos explosivos, banhando os planetas com doses letais de raios-X e radiações ultravioletas, se revelem também como fenómenos que podem esterilizar potenciais formas de vida nesses planetas.

No caso do Exoplaneta Ross 128b, os cientistas, astrofísicos na sua maioria, aferem que a radiação com que a estrela (anã vermelha) banha o planeta é apenas 1,38 vezes superior à irradiação que chega à Terra. As estimativas para a temperatura do planeta variam entre 60 graus negativos (-60ºC) a 20 graus centígrados (positivos), o que vem dar estímulo e certo entusiasmo à hipótese de vida, uma vez que Marte, no nosso sistema solar, também atinge estas temperaturas (-70º C, à noite) a 20ºC (no Verão).

Este Exoplaneta detectado pelo espectrógrafo HARPS - instalado no telescópio ESO, no Chile - orbitando a sua estrela uma vez a cada dez dias (estando como já se referiu a 11 anos-luz de distância da Terra), está também, há que acrescentar, a uma distância a cerca de 20 vezes mais próxima do que a que separa a órbita da Terra do Sol.

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A realidade exoplanetária de Kepler, a fabulosa sonda: 1284 exoplanetas, por ora. Desde 2016 que esta realidade se assumiu sem pruridos ou receios de maior do que nos vem do exterior, do Espaço. Estamos a viver uma era dourada de verdadeira contemplação exoplanetária sem limites. 100 novos planetas são do tamanho da Terra, entre outros que serão muito iguais, na atmosfera ou na gravidade, temperaturas amenas e água líquida à superfície; ou mesmo em existência planetária de poderem abarcar vida. Já não é um sonho, mas a realidade activa de um cosmos em exultação!

Zona de Habitabilidade: o nosso terrestre sonho...
É aqui que todos reflectimos e nos insurgimos se acaso forem goradas todas as nossas expectativas, não só em relação a este exoplaneta recentemente descoberto, o Ross 128b, mas, sobre todos os que de futuro se nos implantem como possíveis vectores de habitabilidade (numa futura colonização, quem sabe?) nessa restrita mas portentosa zona que se deseja correcta e, viável, para a criação, germinação e estabelecimento de vida tal como a sentimos e conhecemos.

No caso deste exoplaneta, impõem-se ainda muitas dúvidas: uma delas é saber se, este enfatizado agora Ross 128b estará ou não - dentro ou fora - da zona de habitabilidade da sua estrela.

De acordo com Ricardo Reis - porta-voz do grupo de comunicação do IA - a zona da habitabilidade é a zona a partir da qual um planeta está à distância correcta da sua estrela (tal como nós na Terra em relação ao Sol, na zona considerada de habitabilidade), para poder ter água líquida à superfície. Explica então:

«Em estrelas anãs vermelhas como esta, a zona de habitabilidade é mais próxima, podendo o exoplaneta ter condições para albergar vida, mas há outros factores determinantes, como o facto de haver radiação ou se tem massa suficiente para ter atmosfera».

Nuno Cardoso Santos, um dos nossos mais considerados cientistas portugueses, elemento integrante do IA como astrofísico e da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, em Portugal, reverbera então: «A descoberta deste planeta ilustra a capacidade já existente para encontrar, e no futuro caracterizar em detalhe e de forma corrente, planetas que reúnam as condições necessárias para a presença de vida.

Apesar de, actualmente, se verificar estar a 11 anos-luz de distância da Terra, o sistema Ross 128b vai-se aproximando do nosso planeta Terra, esperando-se que se torne um dos nossos mais próximos vizinhos (dentro de aproximadamente 71 mil anos), ultrapassando o Próxima b (Próxima Centauri b), que orbita a estrela Próxima do Centauro (Próxima Centauri, na distância de 4,2 e a temperatura da superfície de 2670 K).

A Equipa do IA referiu então estar a trabalhar arduamente para atingir esse objectivo, tendo traçado um plano que inclui participações em missões especiais da ESA (agência espacial europeia) e em vários equipamentos do ESO (como o ELT ou o espectrógrafo ESPRESSO que entrará em funcionamento ainda este mês) e que têm por objectivo procurar e detectar planetas parecidos ou muito semelhantes à Terra, capazes de suportar vida.

Segundo a agência Lusa, esta descoberta deu origem ao artigo "A Temperate exo-Earthe around a quite M dwarf at 3.4 parsecs", publicado na revista científica:  Astronomy & Astrophysics.

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A Nossa Terra (Foto gentilmente cedida pela NASA). O nosso maravilhoso planeta Terra plagiado no Cosmos??? Poderemos sonhar com essa quimera cósmica, exoplanetária - e de facto extraordinária! - de haver um ou mais planetas similares ao nosso, em dezenas, centenas ou até milhares deles (dentro ou fora do nosso sistema solar), iguais na sustentação de vida tal como a conhecemos...? Será utópico assim pensar, desejar e não agoirar se alguma catástrofe global nos ensombrar a existência humana e terrestre...?

Acreditar é possível!
Podemos sempre acreditar, além de sonhar. Podemos sempre arregaçar mangas, ir à luta, puxar pelos neurónios e nos não quebrantarmos na ilusória verdade de ainda estarmos tão distantes destas viagens interestelares como o Sol da Lua; assim como, desses exoplanetas que entretanto os cientistas vão descobrindo sem que os possamos tocar ainda, respirar o seu ar, entrosarmo-nos nas suas atmosferas ou adaptarmo-nos às suas vicissitudes (se as houverem) em primazia humana de podermos sobreviver sob outras condições exoplanetárias, ainda que distintas da nossa Terra.

Não nos resignemos. Nem sequer nos demitamos de buscar, observar e questionar até à nossa mais ínfima condição de chatos ou mesmo ignorantes, essa procura do conhecimento; e acima de tudo, de sobrevivência, acaso o nosso belo planeta azul, planeta Terra, esteja a ficar diminuto, destruído, ou, em futuro próximo, inapto para a nossa continuação como civilização.

Temos de encontrar, realizar e continuar a sonhar que tal é possível; só assim se coalescerá na razão e na ambição - ambas altruístas e não egoístas ou irracionais - sobre a condição não devoluta de nos colocar em confronto e, contacto, com o que hoje já sabemos, ou já ascendemos.

Não temos de nos envergonhar de não podermos ir mais longe; só temos de o consciencializar que, se o Homem o quiser e o merecer, será o primeiro de muitos, de outros talvez, ainda mais primitivos do que nós na esfera cósmica que nos rege a todos, de, numa situação escatológica séria e ponderada, estarmos a par com essa outra evolução, essa outra terraformação (outras terras em nossa adaptação) e sobre esses outros planetas ou exoplanetas, que entretanto na vanguarda de novos conhecimentos (aeroespaciais de viagens interesteares) vamos escalando. Desistir é proibido!

Temos de ser fortes. Persistentes e não teimosos em reconhecer erros e emendar outros, sem que se desista dessa circunstância havida do muito que hoje já possuímos e, percorremos, no campo da aeronáutica espacial, da fantástica navegação orbital, de satélites e comunicações, de avançadas tecnologias e outras invenções que fazem do Homem um ser muito especial. Quanto às viagens, só temos de as aguardar, se for esse o nosso aeroespacial destino, o nosso interestelar signo de sermos ou podermos ser iguais a «eles», um dia...

Sejamos honestos, íntegros e inteligentes e tudo nos será ofertado como as estrelas que habitam no céu, e que do auge do seu poder ou do alto da sua luminescência nos dizem: «Bem-vindos à família, à essência, ao núcleo e ao cerne de tudo, e fiquem entre nós». E nós... finalmente compreendendo o fundamento universal do Tudo (ou do Todo que há em nós e nos Cosmos), vamos ficamos...

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Castle of the Templar Knights and Convent of Our Lord Jesus Christ in Tomar

Entre Deus e o Diabo

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Bafomet (Baphomet): Relicário, imagem de Santo ou Maomé, no conteúdo simbólico ou hipótese etimológica apresentada ao longo dos tempos na dicotomia sempre extensa, sempre eterna, da oscilação entre o que é ou pode ser Deus e o Diabo. Dos Templários até hoje...

«O caminho da sabedoria não consiste em ver coisas novas, mas em vê-las com outros olhos.»
                                                          - Marcel Proust (1871-1922) -

Que representação é Bafomet e que correspondência física atesta esta figura satânica - da Antiguidade à Idade Média, perpetuando-se mesmo sobre a actual era em que vivemos - na exagerada ou extrapolada idolatria de um deus-Demónio ou «Asmodeus» na referencial cifra que o impõe como Absoluto, aquele que ajudou Salomão na construção do Templo?!

Terá sido Pthah? Ou Sekmeth, adulados ambos pelos deuses do Antigo Egipto? Deus Pã, segundo o cultista Aleister Crowley? Cristo trifonte (trindade trifronte), Janus trifronte (deus Romano) ou até mesmo a corrupção do nome Maomé...?

Ou tudo isso, em figura andrógina, com cabeça de bode barbada, corpo andrógino (sob uma anatomia quadrúpede, habitualmente identificada com o Diabo) no que atestam as ornamentais esculturas de gárgula templária... sobre a igreja de Saint Mérry (Paris) ou a de Santa Cruz (Provins, França)  ou a da chave da abóbada do claustro de Santa Bárbara no Convento de Cristo, em Tomar, representando uma cabeça de bode...?!

Símbolo Celta, alquímico, religioso, talismã ou como Troféus de Guerra (da heráldica medieval, designadamente aparente no brasão do fundador da Ordem do Templo «Brasão de Hugues de Payens») ou troféu furtado aos Cavaleiros Teutónicos e aos Templários (na Batalha de Liegnitz, na Boémia) ou ainda nas abreviaturas ou contracção sobre as mesmas das quais emerge a Seita dos Ofitas e da Sabedoria Ofítica (Temophah) tudo se lhe concerne ou correlaciona.

Bafomet é o ícone preferencial - enigmático mas deveras peculiar - de características mágicas ou talvez incompreendidas ainda pela massa humana de então, tal como agora, no longo fio da meada ou intrincada analogia mítica, sobre uma figura tão endeusada quanto odiada ou «apenas» receada, temida por muitos, que lhe devotaram poderes e, quereres, que mais nenhum tinha.

Bafomet: Deus ou Diabo, ou nenhuma das coisas, tendo sido mal interpretado ou simples e adversamente conotado com os poderes do mal, a magnificência na Terra da qual ninguém poderia duvidar? Quem foi, quem é e quem será, certamente por muito tempo ainda este Bafomet???

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Templários: a mais gloriosa ordem - Ordem do Templo - da época medieval que foi perseguida e morta até à exaustão dos dias e, das suas abnegadas crenças, que assim a defenderam até ao último suspiro - ou evasão - para os que assim o puderam fazer. Arnaldo da Rocha, o templário português, na defesa e honra de protecção e desvelo perante os peregrinos cristãos que se deslocavam até Jerusalém (Terra Santa), terá sabido o que era a dor, a punição; e por fim a submissão a outros valores sem mais sublevação...

Exortação de São Bernardo (na Laude de Nova Militia, de 1130): «Uma nova cavalaria surgiu na terra da Encarnação. É nova em absoluto, e ainda não experimentada no mundo, onde ela pratica um duplo combate tanto contra os adversários feitos de carne e sangue, como contra o espírito do mal nos céus.»

Templários (ascensão e queda)
Para se entender ou acondicionar na História a figura carismática de Bafomet, tem de se recuar ao tempo de Hugues de Payens (primo de São Bernardo), o fundador da Ordem do Templo, em 1118 - século XII, portanto.

Payens juntamente com Godfroid de Saint-Omer e mais sete cavaleiros (entre os quais se contaria Arnauld de la Roche, que muitos historiadores arrogam tratar-se de um português: Arnaldo da Rocha), rumaram até Jerusalém, com o intuito de defender os peregrinos cristãos que se deslocavam à Terra Santa (no quadro do estabelecimento do reino latino de Jerusalém).

O Centro do Mundo: estabelecidos na Casa de Deus, onde fixaram a sua sede no lugar onde se erguera o Templo de Salomão (e onde se erguia agora, a Mesquita de Al-Aqsa, nas proximidades desta) os Templários receberam daí o seu nome - Cavaleiros do Templo.

A 13 de Janeiro de 1128 reúne-se o Concílio Troyes com o apoio e presença papais ou do legado papal de Mateus d`Albano e do próprio abade de Cîteaux - Étinenne de Harding.

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A Comemoração alegórica e festiva em honra e mérito dos Templários (Tomar, Portugal). Ontem e hoje, a idêntica realidade de quem sabe e quer defender o nome de Deus, mesmo que por vias de festejos e romarias, dentro e fora de portas, de uma terra abençoada que se chama Tomar e foi berço e História de Portugal, sobre tesouros e valores (muitos!) que aqui se guardaram.

Iniciação e prática
Os votos feitos pelos iniciantes ou já praticantes vigentes dos Templários são de uma severidade a toda a prova: voto de castidade e de pobreza; ou seja, eram totalmente desprovidos dos seus bens anteriores em favor da causa.

Do celibato à frugalidade alimentar ou mesmo ao despojamento com qualquer outra investidura, os Templários regiam-se por códigos muito austeros; assim obrigava a Ordem - a do Templo. Estima-se que a de Cristo (a Ordem de Cristo fundada por Dom Dinis) tenha sido mais complacente e menos obrigacionista ou rigorosa).

Estes monges-cavaleiros, monges-guerreiros, geralmente de origem nobre, votavam a sua riqueza à Ordem. Da restante milícia faziam parte sargentos e escudeiros recrutados entre a Burguesia e o Povo, sendo a função religiosa assegurada por clérigos.

Em 1139 é dada por completa a versão francesa da regra, os chamados «retrais», através da bula de Inocêncio II: «Omne datum optimum». A expansão da Ordem é rápida; assim como da sua crescente influência e ostentação de bens.

Com a queda de São João de Acre, em 1291 (século XIII), e a consequente queda do reino de Jerusalém, que é abandonado depois, a acção dos Templários centra-se mais ainda na administração das rendas das suas inúmeras possessões, gerando a cobiça e a conspiração por parte de Filipe, o Belo, monarca francês.

Em Portugal, os historiadores aferem de que os Templários combatessem já por volta de 1125, no denominado território «Condado Portucalense», ainda antes da consagração de honras e brio do seu Primeiro Rei Dom Afonso Henriques (1139). Considera-se possível uma primeira doação de terras à Ordem dos Templários por Dona Teresa (Tereja); ou seja, a mãe de Dom Afonso I.

As doações e fundações portuguesas: a partir desta doação de Dona Teresa e posteriormente de Dom Afonso I (que atestam as boas relações com os Templários e mesmo a sua desejada continuação), reflecte-se no que sucede já em 1145, na doação que Dom Fernão Mendes lhes faz concedendo o Castelo de Longroiva, na provável compensação por estes monges-guerreiros terem prestado auxílio na preciosa conquista de Santarém (1147).

O Português Gualdim Paes - o grão-mestre que sucederia a Hugo Martónio, que dirigia a ordem no começo das operações militares - realiza assim um rápido desenvolvimento «nacional» da vocação templária com inexcedícel cumprimento. Segue-se então a Fundação das «casas» e igrejas da Ega e Redinha e os castelos de Pombal, Tomar e Almourol.

A Bula de Urbano III «Cum pro Defensione», datada de 2 de Maio de 1187, confirma as doações efectuadas pelos governantes condais ou reais.

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Estátua em Guimarães (Portugal) do Primeiro Rei de Portugal: o Rei Dom Afonso Henriques ou Afonso I, o Conquistador (1109 - 1185), filho de Dona Teresa (filha do rei Afonso VI de Leão e Castela) e de Dom Henrique, conde de Borgonha. Governando de 1128 até à sua morte, em 1185 (sem comemorações ou relatos de jamais se ter reformado das lides do seu exército portucalense), Dom Afonso sucumbiria à velhice, naturalmente.

O seu reinado começou em 1139 (contraindo matrimónio depois com Dona Mafalda que lhe deu um herdeiro e sucessor, Dom Sancho I) terminando em grandeza e prosperidade, além a sequencial longevidade que lhe é reconhecida; e não fosse ter partido a perna ali para os lados de Badajoz (Espanha) e ainda por cá o tínhamos hoje... mais que não fosse, em represália ou demanda futurista de não estarmos a cumprir o que nos é devido como reino seu, hoje, República Portuguesa...

Afonso Henriques: um templário português...?
Raimundo Bernardo foi o primeiro agente da Ordem em Portugal, pelo menos de forma ou admissão imediatamente consistente, recebendo de Dona Teresa (mãe do primeiro rei de Portugal, e que para a História de Portugal ficou o desaguisado entre mãe e filho numa partilha desgraçada) a povoação de Fonte Arcada, no Minho (norte de Portugal).

Definitivamente documentada encontra-se também a doação das terras de Soure por Dona Teresa, em 1128, e várias dotações de Dom Afonso Henriques em 1143 e em 1159. Daí a pertinente questão que todos alegam: Terá Dom Afonso Henriques sido, de facto, um «irmão» templário? Ou, sabiamente, um «irmão laico», sabendo-se da aliança entre Dom Afonso I e os Sufis (algo que sugere um paralelismo com o que aconteceu na Terra Santa, quando se menciona a Seita dos «Assassins» como provável inspiração para a criação da milícia templária)?!

Para um Sufi, as fronteiras entre as diversas formas de vivência do sagrado são ilusórias e resultam da prática meramente esotérica das religiões, daí que não tenha sido uma solução de emergência mas dentro dos desígnios bem definidos entre Dom Afonso Henriques e Ibn Qasi - segundo a citação histórica de Adalberto Alves - num determinado grau de cumplicidade iniciática que a Ordem possuía com o Sufismo, ao criar na Terra Santa uma trama de relações com o Mundo Islâmico.

Algo que, suscitando-nos a surpresa mas não a retaliação, observamos com prazer estes maneirismos entre dois iguais à época - Dom Afonso Henriques e Ibn Qasi - numa aliança selada com a oferta, por aquele, de algo à priori singelo, se considerarmos que provinha de um soberano e se destinava a outro soberano: Um Cavalo, um Escudo e uma Lança (...).

Ou seja, estamos perante (segundo ainda Adalberto Alves) a escolha dos três símbolos maiores da Cavalaria Espiritual, quer cristã, quer islâmica, deixando entrever que se está na presença de um pacto que, embora de incidência política, assentava em bases notoriamente iniciáticas.

Concluindo: Dom Afonso Henriques foi então um exímio estratega ou, o que à luz destes novos tempos, tempos modernos, se poderá afirmar de um assumido exo-político na determinação e afinco geo-estratégicos com que se  afirmou também e, para o sul peninsular, ou mesmo para Oriente...

Estar de bem com Deus e com o Diabo talvez tenha sido a primordial sigla de Afonso Henriques (extrapolando ou mais exactamente aqui divagando um pouco do que foi ou terá sido essa sua aliança esquisita com os sufis árabes), na aliança com um do seus mestres na pessoa de Ibn Qasi, e uma privilegiada relação entre os freires templários franceses - que se terão refugiado por aqui - e os do Islão; ou seja, um pacto secreto entre possivelmente Templários e Muridinos.

E foi aqui que tudo começou - de fanático e de maldito (supostamente) - entre clérigos cristãos e «fugaha» muçulmanos. Até hoje, infelizmente...

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Caverna de Shropshire (Reino Unido), Caverna dos Templários: a mais secreta e resguardada sala medieval cavada na rocha, cavada na alma, de quem, em nome de Deus, se viu obrigado a calar e a consigo levar para a cova todos os segredos do mundo, de há 700 anos para cá...

A Acusação; a difamação e o ódio...
O Processo contra os Templários foi imediato, ou quase. Mesmo sem serem os detentores dessa tão requisitada riqueza havida (mas sim a casa real francesa que desde os tempos do rei Filipe Augusto acumulava bens, ou um vasto tesouro real francês à custa dos Templários, que aí depositavam todos esses bens), estes monges-guerreiros tornaram-se figuras a abater.

A sua impopularidade foi acrescida pela agravada cobrança de impostos e uma má conjuntura financeira, à qual, Filipe - o Belo - se tornara ávido e  promotor na continuação de incessantes guerras na Flandres. Daí ao colapso da Ordem foi um passo - um pequeno passo para motivar uma perseguição desenfreada contra os Templários.

No dia 13 de Outubro de 1307 (que impera e se fundamenta sobre este episódio ter sido a uma sexta-feira 13, o que origina a especulação mitológica ou supersticiosa do fatídico dia 13 ainda hoje como data de azar), em que grande parte dos Templários foram mandados prender nas suas comendadorias por ordem real e por milícias reais.

Acusados na praça pública de comportamentos impróprios, cometendo vis actos tais como a prática de Sodomia, a Adoração de Ídolos (onde entra o tal Bafomet), assim como o uso de rituais obscenos e anti-cristãos (entre diversos crimes «de religião»), os Templários viram-se sós e injustiçados sem algo ou alguém que lhes valesse. As denúncias essas, em catadupa, dando conta de práticas heréticas ou desviantes, baseadas em depoimentos difusos e denúncias diversas, registava-se assim:

«Os que são recebidos (na Ordem) pedem primeiro o pão e a água da Ordem (...) o mestre que os recebe conduz-los secretamente para trás do altar ou à sacristia ou algures, e mostra-lhe a cruz e a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo e fá-lo renegar três vezes o profeta, ou seja, Nosso Senhor Jesus Cristo, onde está a figura, e por três vezes cuspira na cruz; depois despoja-o das vestes e o que o recebe beija-lhe no extremo da espinha, abaixo da cintura, depois no umbigo, depois na boca e lhe diz que, se um irmão da ordem vier deitar-se com ele carnalmente, que terá que suportar, porque o deve e que deve sofrer, conforme ao estatuto da ordem e que, para isso, vários de entre eles, pela forma de sodomia, deitam-se um com o outro carnalmente e cingidos cada um por debaixo da camisa de um cordão, que o irmão deve sempre levar consigo enquanto viver; e ouviu-se dizer que estes cordões foram enlaçados e postos em redor do pescoço de um ídolo que tem a forma de uma cabeça de homem com uma grande barba, e que esta cabeça, beijam-na e adoram-na nos seus capítulos provinciais; mas isto, todos os irmãos não se lavam à excepção do grão-mestre e dos anciãos... Além do mais, os padres da ordem não consagram o corpo de Nosso Senhor; e sobre isso se fará inquérito especial tocante aos padres da ordem...»      (Acusações aduzidas a 14 de Outubro de 1307)

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Templários: a entrega, a devoção e posteriormente a eliminação da Ordem dos Templários; algo que o canal História reproduziu enfática e magistralmente, para que, na histórica verdade hoje contada, se não esqueça jamais quem, em bravura, consignação e reiteração plenas de mistério e rendição, emoldurou uma das mais enigmáticas ordens que actualmente ainda se fazem sentir...

«Le Grand Finale»...
Entre 19 de Outubro e 24 de Novembro ocorrem então os interrogatórios aos Templários aprisionados, sob impiedosa tortura. O Papa de então - Clemente V (ou Bertrand de Got, anteriormente bispo de Bordéus) - que havia sido colocado no trono através de insidiosas manobras de Filipe, o Belo, e que passara a residir em França para escapar à corte papal romana (assim como aos requintes palacianos das habituais conspirações), vai servir os propósitos do monarca emitindo a bula «Pastoralis preeminentie», de 22 de Novembro, ordenando a prisão de todos os Templários, recuando sucessivamente nas suas demandas perante o rei.

Resumindo sobre as acusações:
a) A negação de Cristo; b) A negação da Cruz; c) As práticas forçadas e consentidas de Homossexualidade; d) A adoração de um Ídolo (o famoso Bafomet).

O processo Inquisitorial ordenado pelo Papa Clemente V (já contaminado pelos interrogatórios da Inquirição Real) tem início em Paris, no Mosteiro de Santa Genoveva, a 8 de Agosto de 1309, perante uma comissão pontifical, estabelecendo-se o questionário a apresentar aos Templários no documento «Processus contra Personas Temploriorum», por vezes com a presença dos delegados do rei, encerrando-se a instrução do processo em 5 de Junho de 1311.

A 2 de Maio de 1312, apesar dos protestos de defesa de mais de 500 freires templários, a Ordem é extinta. Os altos dignitários da Ordem são então postos à disposição de três cardeais da «entourage» de Filipe, o Belo.

A condenação é executada no dia 18 de Março de 1314, frente à Catedral de Notre Dame de Paris. É lida a acusação, e os dignitários da Ordem ali presentes (Jacques de Molay, o grão-mestre, Hugues de Payraud, visitador da Ordem, Geoffroy de Charnay e Geoffroy de Gonneville protestam, por fim, a sua inocência e a da Ordem, sendo imediatamente condenados à fogueira como «relapsos».

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Convento da Ordem de Cristo, em Tomar, Portugal. Muitos são os recantos, as portas secretas, os túneis entre-caminhos subterrâneos, os corredores escuros, fechados do conhecimento ou do que aqui jaz em pertença de reis e sábios, Templários e outros que tantos já são, por frestas e giestas, umas dentro outras fora, e tudo se desconhece pois que o mistério é farto e tudo encerra...

O Processo em Portugal
Tem- se falado muito em Esoterismo Templário em Portugal. Efectivamente houve-o e ainda há ou persiste no nosso imaginário tal. Nada é inconsequente ou retirado desse contexto, uma vez que sempre fomos, nós, os lusitanos, um pouco libertários e «fora da caixa» como hoje se diz. Para o bem e para o mal, fomos sempre irreverentes e pouco dados a seguimentos de maiores subserviências que nos não fossem abonatórios; algumas vezes...

Sabe-se que, em Portugal, não foram concretizadas quaisquer acusações contra os Templários. Vamos por partes: Nesse processo de perseguição em distensão territorial europeia evocada em missiva papal, mais concretamente por terras portuguesas - que delegou em Dom Dinis, rei português de então a iniciativa de em seu reino esta se fazer cumprir através da bula pontifical «Regnum in Coelis» de Clemente V (datada de 12 de Agosto de 1308) - no que esta seguiria o seu curso.

Mas assim não foi, visto ter ficado omissa ou minorada nos seus intentos. Ou seja, não demonstrando particular urgência no estabelecimento do processo português, Dom Dinis não lhe deu o devido valor, ou aquele que Clemente V desejaria... Todavia, novamente se questiona:

Terá havido a santificada influência (perguntamos nós) da nossa mais beata rainha portuguesa - a Rainha Santa, sua esposa, por conseguinte a Rainha Santa Isabel...? Sobejamente conhecida como Rainha Santa devido à «santidade» ou bondade dos seus actos cristãos, por que não apelar à sua abençoada tolerância (de seu esposo, o rei Dom Dinis) para com os Templários?! Possivelmente o foi, ainda que a História o não documente...

Imbuído de uma coerência nata ou talvez relevância mais sublime para com os Templários, Dom Dinis não segue à risca a demanda persecutória, ainda que estabeleça um tribunal formado pelo bispo Dom João de Lisboa, e por um doutor de leis, João das Leis, que emitem uma sentença a 27 de Novembro de 1309 (que se estende até 1310) decidindo do regresso à Coroa Portuguesa das possessões templárias. Contudo, nada disto se impõe. A aplicação desta lei e, sobre estas possessões, tudo fica suspenso.
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Castelo de Castro Marim, no Algarve, Portugal. De Castro Marim para Tomar: Que segredos, que cofres lacrados, que missivas e que confissões terão estes muros, estas robustas pedras, em farta e imponente fortaleza de todos os nomes, de todos os mistérios ou sequências - e deslumbramentos! - sobre o que os Templários souberam e guardaram para si... Que nos escondem eles? Que conferem em si???

A Sabedoria Real
Dom Dinis e Dom Fernando IV de Castela acordaram de imediato que, os bens do Templo, em caso de extinção da Ordem, ficavam «reservados» - medida à qual aderia, em 1311, o rei de Aragão. Por conclusão: Clemente V foi desautorizado sem o saber, ou sabendo, teve de se remeter à sua própria vigência, não contando com o cumprimento sancionatório ibérico.

Logo depois da Extinção da Ordem,  o rei português - Dom Dinis - funda a Ordem de Cristo (continuadora da primeira); iniciativa à qual, o então papa João XXII, deu o aval através da bula «Ad ea exquibus» de 14 de Março de 1319, já no século XIV.

Deste modo, todos os Cavaleiros e Bens da primitiva ordem foram transferidos para a recém-criada «Ordem de Cristo», que assenta a sua sede no Castelo de Castro Marim, no Algarve; pouco depois a sede é transferida para o Castelo de Tomar, retornando ao ponto de partida.

Com a transferência de bens para a Ordem de Cristo (em Aragão, para a Ordem de Montesa), os Templários vêem assim garantida em Portugal e Espanha (na península ibérica, portanto) a continuidade da sua actividade.

Registe-se que, em bom rigor, nada diferenciava a «Nova» Ordem de Cristo da Ordem do Templo, nem mesmo o seu nome: «Ordem da Cavalaria de Nosso Senhor Jesus Cristo, que equivale ao nome original da Ordem do Templo «Comilitionum Christi». (Cavaleiros de Cristo), conforme reza o prólogo à regra templária, redigido no Concílio de Troyes.

Do Rei Conquistador (Afonso Henriques ou Afonso I, de Portugal) até Dom Dinis, os Templários foram sempre considerados «suspeitos de mácula muçulmana e de usarem uma estranha palavra e símbolo - Bafomé», segundo rezam as crónicas.

Sabe-se entretanto que terá sido essa osmose, ou simbiose, talvez o principal pretexto usado contra a Ordem (recuperada depois por Dom Dinis, após a sua destruição), na fulcral razão de extinção da Ordem, defendida pelos oponentes.

Ser-se seguidor, adorador ou mesmo venerador de um deus menor que nem deus seria, segundo a sua concepção, a dos que se lhes opunham, mas um demónio percursor de todas as falsas concepções de: Iniciação sexual, Amor herético e outras considerações desviantes em todo esse processo, eram mais do que suficientes para se acabar de vez com a Ordem. E assim veio a lume, taxativamente falando, Bafomet...

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O tão terrível e temível, Bafomet (Baphomet) na figura arcaica de um só Demónio. E que tantos o viram ou terão dito que viram e se equivocaram e depois lastimaram por tê-lo feito, indo parar à fogueira, indo parar à morte...

«Um ídolo que tem a forma de um homem com uma grande barba», terá sido esta a rigorosa ou explícita instrução do inquiridor Guilherme de Paris para perguntarem, vasculharem - e chegar finalmente à «fonte» - daquele que era adorado como Deus, como Salvador. E não o sendo, havia de conferir à Ordem do Templo (inadvertidamente, segundo Guilherme de Paris), todas as riquezas, todas as germinações sobrenaturais, mágicas e ilusórias - pelas quais, afirmou, os Templários seguiam. E haveriam de pagar por isso (admitiu!)

Rituais de adoração: "Deus adjura me". Ou, "Y allah", em que os deponentes perante as relíquias ou ídolo venerado se remetem em adoração como «O Maomé».

Bafomet: Deus ou Diabo???
Na literatura sobre os Templários aparece geralmente mencionado um objecto enigmático que teria características peculiares, designadamente mágicas, e que teria sido venerado pelos Monges-guerreiros, Monges-cavaleiros ou simplesmente todos os que se outorgavam como Templários, tendo sido esta uma das mais graves acusações sobre eles, no tal terrível processo instado e instigado por Filipe, o Belo.

Do alto do seu absoluto poder incentivado pelo rei de França, Guilherme de Paris não pára na demanda de dar prisão e torturas a todos os que sobre estes depoimentos lhe aferem a causa pretendida, na busca e na total consolidação para as quais foi mandatado, cruel mas eficazmente. Rezam assim os depoimentos:

«É uma cabeça (que seria seria de madeira prateada ou revestida a ouro), com uma barba... (Nos capítulos da Ordem, em Paris) (...). Adoram-na, beijam-na e chamam-lhe o seu Salvador (...) Não sei onde a guardam. Penso que é o Grão-Mestre, ou quem preside ao capítulo, que a detém». (Régnier Larchant). Outro depoimento de Déodat Jaffet acrescenta: «Deves adorar isto como adoras ao teu Salvador e ao Salvador do Templo.»

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Baphomet, a criatura medieval que transpôs tudo e todos numa realidade virtual ou quiçá extravasada em toda a linha imaginária sobre o oculto e as forças do mal. Dos Templários aos dias actuais, de seitas disseminadas e não ofuscadas por outras leis, outras prerrogativas estatais que as vetam (por vezes) existe uma face oculta, carente e mórbida, muito para além do suposto ou do utópico que deveria estar já banalizado ou, anulado, em face a um maior conhecimento...

A Deposição da Morte (nos depoimentos apresentados)
Noutro depoimento fala-se de uma cabeça «coberta por uma dalmática (...). Eis um amigo de Deus que fala com Deus quando quer (imaginem nos tempos actuais, no que, tantos se arrogam no direito, pretensão ou simples alegoria de dizerem que «falam com Deus», o que não seria de cárceres, mortes ou direitos devassados...). Mas continuemos:

«Agradeçam-lhe pelo que os conduziu a esta Ordem como o desejarem» (segundo o deponente - Jean Cassanhas - era assim que a ela se referiam, interpretando o facto como alusão ao demónio). «Vi a cabeça em sete capítulos diferentes: parece-se com a face de um certo demónio, de um Maufe; e todas as vezes que dirigia os olhos para ela, apoderava-se de mim um tal temor que só dificilmente a podia olhar (tiravam-na de um saco) (...)

«Urinámos renegando Jesus; podíamos adorar a cabeça então» (Raoul de Gisy). Mas, um dos depoimentos mais detalhados refere: «Quanto à cabeça, via-a em dois capítulos feitos pelo irmão Hugues Payraud, visitador de França. Vi dois irmãos adorá-la. Eu fingia adorá-la, também; mas nunca com o coração. Creio que é em madeira, prateada e dourada por fora (...) tem uma barba ou uma espécie de barba» (Guillaume de Herblay).

Hugues de Payraud confirmou este depoimento à época (fosse pela tortura, pela revolta havida ou por já nada ter a perder...) encimou: «Vi-a, peguei-lhe e apalpei-a em Montpellier, quando se realizou um capítulo, e adorei-a juntamente com outros irmãos presentes (...). Deixei-a ao irmão Pierre Alemandim, preceptor do Templo de Montpellier, mas não sei se as gentes do rei a terão encontrado. Essa cabeça tinha quatro pés, dois pela frente e dois por detrás.»

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Bafomet: a corrupção do nome Maomé (ou a forma corrompida de pronunciar o nome do profeta Maomé em língua d`Oc) do mesmo modo que, em português, se usou o termo «Mafamede.

Bafomet: Maomé, imagem de Santo ou Relicário?
Existem inúmeras interpretações por parte de eruditos, historiadores ou simples curiosos, quanto à natureza do objecto que os Templários descreveram. Nessa multiplicidade de conteúdos simbólicos ou hipóteses etimológicas (e em correspondência física ou elemento artístico que ateste uma plausível explicação ou identificação), temos os préstimos de Manuel Joaquim Gandra extraídos da sua exímia obra «Os Templários» in Portugal Misterioso (Lisboa, 1998) que nos sugere então:

(Agnus Dei): Figura alegórica do redentor; Baal-Phomet: Deus Fenício Baal; Bafomithr: conjugação cabalística, segundo Aleister Crowley; Bahoumed, hieróglifo árabe; Bahoumid el Kharuf: expressão hermética («o segredo da natureza»/«totalidade dos mundos»); Baphé-Meteos: contracção das palavras gregas «Baphos = Baptismo e Meteos = iniciação (equivale ao «baptismo pelo fogo»); Bapho: porto de Chipre, onde terá existido um templo dedicado a Astarte.

Bap-Homet: conjugação das primeiras letras da palavra baptista com as últimas letras da palavra «Mahomet; Baphomêtidos: conjugação das palavras Baphé e Méteos, ou seja, Baptismo e Sabedoria; Bios-Phos-Métis: conjugação das palavras gregas Bios = Vida, Phos = Luz = Prudência; Brasão de Hugues de Payens: brasão que reproduziria o timbre das armas do fundador da Ordem do Templo, que apresentava três cabeças de negro; Cabeça de São João Baptista: representação da cabeça deste santo que foi decapitado, utilizada como talismã, no cimo de uma vara.

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A Estátua de Baphomet ou estátua da polémica, que um templo satânico quis inaugurar e, fixar, em plena cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, e depois no Capitólio do Estado do Oklahoma, não sendo permitido tal. Exibe-se hoje, ao que consta e desde 2015, entre as cercanias de um edifício industrial e as margens do Rio Detroit, numa cerimónia inaugural que foi privada por razões óbvias. Em pleno século XXI de todos ou quase todos os conhecimentos e abertura em geral para esse conhecimento, ainda há quem venere ou idolatre esta personagem...

«In Figuram Baphometis»
Esta imagem associada ou não a Maomé, que segundo Gaucerand de Monpézaf e em língua d`Oc (que era a sua) poder se tratar, uma vez mais (e como repetiriam outros freires), de Maomé aos infiéis muçulmanos, cúmulo da heresia, como é óbvio. Tem de se acrescentar que, «bafomarias», eram o que se designava no sul de França, as Mesquitas Árabes.

Quanto aos Relicários, existem para todos os gostos: desde a cabeça de santa mártir (o caso de Santa Iria de Tomar, por exemplo, dando conta da devoção templária pelos santos mártires decapitados, entre os quais, Santa Catarina, Santa Quitéria ou São João Baptista. Temos a Cifra (referindo-se ao Templo de Salomão), o Cristo de iconografia não-canónica mas também o Cristo trifonte/Trindade trifronte. Mas há mais:

Os Deuses Pthah e Sekmeth (deuses egípcios); Deus Pã (segundo o cultista Aleister Crowley); A escultura da cabeça de Jesus (segundo o evangelho apócrifo); Esfínge Egípcia: que simboliza o mistério, numa escultura conhecida por «esfinge», encastrada no muro da torre, com a figuração de um leão; Hieróglifo Gnóstico (objectos com inscrições mágicas ou talismânicas); Homem silvestre (exposto na cornija do tambor central da Charola do Convento de Cristo em Tomar).

Ídolo Andrógino a tal figura andrógina, com cabeça de bode barbada e quadrúpede (que segundo Eliphas Levi se identifica com o Diabo) e sobre um pentagrama com a ponta para baixo, ou ainda, «O Diabo» do Tarot (lâmina XV) - em que uma chave da abóbada do claustro de Santa Bárbara no Convento de Cristo, em Tomar, é representada com uma cabeça de bode.

Imagem Bafomética, expressão que deriva da palavra bafomete e que em língua d`Oc designa tão-só, Maomé, ou seja, os infiéis muçulmanos (do vocabulário da língua d`Oc: bafomaria ou «bafomerie» e que traduzem a designação de Mesquita, na correspondência física; Janus trifronte (a cabeça do deus-bifronte romano Janus, venerado nos solstícios do Inverno e do Verão (que se exibe também na pedra de fecho, situada sobre a escadaria que conduz à adega do Convento de Cristo, em Tomar); e por fim, Mahomet, da corrupção do nome: Maomé.

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Dos Símbolos Celtas à consagração - e explicação - da Máscara de folhagem ou «Green-Man», símbolo do Tempo e da Força da Natureza, da vegetação e da fertilidade (símbolo do Inverno) até ao troféu; de guerra ou de brasão; de vitória ou de furto, no que Manuel Joaquim Grandra nos reportou gloriosamente sobre os Templários (ou templarismo) além os conteúdos simbólicos (ou hipóteses etimológicas) na mais assertiva ou correcta correspondência física nos muitos exemplos arquitectónicos espalhados pelo mundo.

Baphomet: a verdade ou mentira da sua existência?
Tenha ou não existido fisicamente este ídolo, venerado ou não pelos Templários (uma vez que os depoimentos e confissões só tiveram lugar devido às intensas e horríveis torturas medievais sobre eles pungidas), que se pensou ter-se tratado inclusive de um santo «gigante» (como por exemplo, São Cristóvão) ou de um santo cinocéfalo (um santo que é representado com cabeça de cão, daí a estranheza dos testemunhos oculares) ou simples relicários de bustos decapitados ou outros ornamentados a prata e a ouro em simbologia cristã.

Da Máscara de folhagem verde ou Green-man, tudo se infere em hipótese etimológica; Outah-Phoumet («boca do Pai»); Refutação da Cruz e do Crucifixo (na adopção pelos Templários da doutrina «docetista», que negava a condição divina de Jesus e o significado religioso da crucificação  na eventual influência cátara); Relicário: a cabeça; Representação iconográfica do Diabo: a Cifra, referindo-se ao Templo de Salomão; Santo Sudário (que alguns autores afirmam ter estado na posse dos Templários entre 1207 e 1250).

Simbolismo Celta: cabeça do deus Bran (cabeça de deus bifronte celta); Símbolo Alquímico: eventual contracção de Bapheus + mete, que em tradução dá «tinteiro da Lua»; Talismã: ídolo usado em práticas de magia negra e de bruxaria, mais tarde furtado pelos Mongóis aos Templários.

Temophab (1): Abreviatura da expressão «Templi Omnium Hominum Pacis ABbas = «Temophab» ; Temophab (2): Contracção das abreviaturas «Tem» (parcela), OPH (serpente) e AB (Pai); isto é, «parte da serpente das origens», relacionada com a Seita dos Ofitas e com a Sabedoria Ofítica (Ophiussa, o ponto geo-estratégico terrestre dessa sabedoria...?) e finalmente o Troféu: de guerra, relacionado com a « cabeça de negro» ou a «cabeça de mouro» da heráldica medieval, designadamente aparente no brasão do fundador da Ordem do Templo.

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Voltando à Estátua de Baphomet no Templo Satânico de Detroit (EUA): a estúpida e manipulada orgia de massas que leva uns a entregarem-se e outros a questionarem-se de como, onde e o porquê, de toda esta alucinação contínua em devoção e prestação ao Diabo....?! Há quem afirme que, este Templo Satânico (por voz dos seus líderes), exigiu mesmo aos seus membros que entregassem a Alma ao Diabo. Uma piada de mau gosto ou, a ultrapassada barreira de uma não-consciência ou anestesia mental e cognitiva dos seus membros...? Nem quero saber a resposta.

O Diabo anda à solta...
Em Agosto de 2015, o mundo parou. A notícia foi bombástica e não só ridícula, por que dava muito que pensar: Um Templo Satânico exibiu uma estátua em honra de Baphomet ou Bafomet numa orgia alucinada de seguidores e venerandos que se lhe consignavam de corpo e alma.

Há malucos para tudo. Tudo bem. Ou tudo mal, já que é do mal que estamos a falar. Cobrando 25 dólares a todos os participantes (depois de afastados devidamente os oponentes da coisa), os «eminentes» idolatras ou egolatras, sei lá, ainda exigiu aos participantes do evento que assinassem um documento em que se comprometiam a dar a Alma, a sua alma, ao Diabo. Bem, cada um faz o que quer da sua alma, estamos num mundo razoavelmente livre e democrático (na sua maioria dos países); contudo, atreverem-se a dar algo que depois não sabem lá muito bem onde irá parar, já me parece confuso, no mínimo. Mas continuemos...

700 pessoas assinaram este documento. Incrível, não é? Mas assim aconteceu e não, não estamos no reino do faz de conta ou num outro planeta que não seja o da Terra, este mesmo em que se contempla individualmente mas em assembleia demoníaca, uma catrefada de pessoas que se está nas tintas para que a sua alma arda no Inferno, e após a sua morte física. E isto, só para poder nesta mesma vida possuir dividendos ou alegrias incomuns que de outra forma os não possuiria, segundo o seu módico e estranho intelecto de ver a coisa; de ver a sua alma ser levada pelo Diabo. Depois não se queixem...

«Este é o meu corpo, este é o meu sangue», era a sigla, o mote, e a exuberante frase de motivação ignóbil mas aqui assertiva e imponente perante uma enorme assistência de desenfreados demoniozinhos humanos que, se viram prostrados e alucinados, com tamanha «divindade» do outro lado da luz; ou seja, o tipo cornudo da escuridão.

A Estátua de Bronze representando Baphomet, uma figura humana com cabeça de bode com chifres e cascos e umas crianças aladas, um menino e uma menina (vá-se lá saber porquê), ostentam a ornamentação escultural do patrono que rege a coisa. Ah, e tem um pentagrama acima desta, destacando-se a insinuação.

Apesar de defenderem que se trata «apenas» de uma igreja que simboliza «uma reconciliação dos opostos e a vontade de abraçar e celebrar as diferenças», não sendo literalmente uma igreja mas, mais um grupo com afinidades, baseados em princípios satânicos...

Enfim, ou eu sou muito estúpida ou a coisa vai dar ao mesmo, não é....?! A argumentação é barata e fútil e os princípios pelos quais se regem, inócuos, mas perigosos! Compondo este hemisfério de loucura e desorientação «desembestadas», admitem ainda que não acreditam no mal simbólico, seja lá isso o que for...

Pelo que li, tanto a Fox News como a revista Time tentaram dourar a pílula, que é como se diz no meu país «abrilhantar a coisa»; ou seja, branquear ou mesmo acarinhar esta causa esquisita sobre o mal e, sobre um espaço físico e uma figura satânica, numa determinação pacífica e até feliz sobre «uma figura literária» (que é Lúcifer) em que a missão do Templo Satânico é incentivar a benevolência e a empatia entre os povos. Ok. Já entendi. Agora o Diabo vira Deus e tudo fica reposto. Mas quem acredita nisto???

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O Pentagrama; as crianças, e o símbolo do caduceu, que relação mórbida ou coincidentemente factual (ou fatídica!) existirá entre todos estes elos perdidos...? Que mensagem se quer transmitir ao mundo que não seja a devoção a um demónio, a uma figura demoníaca ou força do espírito maligno, inimigo da natureza humana? Com que fim? Ou com que objectivo final que não seja o de implantar o mal no mundo?! O de evocar forças que se não conhecem para depois, havendo arrependimento, já ser irreversível o processo de voltarem para onde vieram?!

E quem o contradiz....? Quem estancará esta corrente hemorrágica da parvoíce, e pior, da apatia mundial que se compadria com tanta falta de valores?! Triste é ver, abusivamente, os media acoplarem-se a esta grande mentira que, no fim, ser-nos-à a mais pungente verdade de almas descabidas, descarnadas e ofendidas...

Um Sério Aviso do padre James Martin!
Tal como diz o padre jesuíta James Martin da revista América: «Eles estão a brincar com o fogo!» no que subscrevo inteiramente. Ou como teria dito Jesus Cristo: «Perdoa-lhes Pai, que eles não sabem o que fazem». Mas fazem. E pior, divulgam-no e reproduzem-no com a maior das displicências ou, da sem-vergonhice total, perante uma sociedade em geral ainda muito passiva e imbecilmente cativante deste sumo peçonhento - ilusório mas aliciante - destas outras realidades. Mas adiante.

Afirmando que Baphomet simboliza a Racionalidade, o Cepticismo, a Verdade diante do poder, mesmo com grande custo pessoal, os fãs e seguidores desta seita pensam inclusive transferir esta Estátua de Baphomet para o Estado do Arkansas, ao lado de um Monumento simbólico mas referencial quanto aos Dez Mandamentos. Estão a gozar, não? Ou então é pura provocação, se me é dada a singela e quase chocada opinião de quem vive deste lado de cá do Atlântico, mas nem por sombras quer ver efluir madrugada adentro, a  nada simpática figura (antes horrenda!) de Baphomet...

O estarrecido mas não amovível pensamento do padre James Martin encerra assim a questão: «Essas pessoas não têm ideia do tipo de forças com que estão se envolvendo. Na minha vida como padre jesuíta e, especialmente, como Director Espiritual, eu tenho visto pessoas lutando contra o mal na vida real. (...) Além disso, o inimigo age na vida das pessoas de forma parecida. (...) Assim, enquanto o Templo Satânico e os principais meios de comunicação riem (o que é absurdo e contraproducente, digo-vos eu, e pelos vistos o padre James Martin que corrobora da minha opinião), meu medo se volta para outra coisa. Eu me lembro de tudo o que li e ouvi sobre Satanás e penso de novo: Eles não têm ideia do que estão fazendo.»

Também acredito nisso. E quando o souberem já é tarde. E, mesmo que se aluda a que o Bem superará sempre o Mal, talvez não seja de somenos importância ou incisiva relevância, o ter-se sempre à mão água benta, uma cruz de Cristo, alhos e estacas afiadas de madeira contra vampiros (sabe-se lá o que aí virá...) e mais umas rezas, de preferência rezadas em latim e, se Deus quiser (oxalá queira!) a sua eterna bênção contra todos os males. E nos vanglorie com mais inteligência do que estupidez; mais urgência de sermos santos e não-pecadores, do que idiotas e redutores de outras realidades que um dia já foram verdades e certamente muito mal interpretadas - implacavelmente! - sobre o Homem e, sobre o nosso belo planeta.

Pedindo muita desculpa pelo longo texto (mas só assim se poderá compreender a verdade histórica do Bem e do Mal), aparte a epopeia de Baphomet, Lúcifer, Satanás ou todos aqueles que no fundo são o mesmo ou trabalham para o mesmo, em saque e sacos de almas num sem fim de todos os pecados do mundo, que se tenta clarificar e desmistificar todas as más influências; venham elas de onde vierem...

É talvez desses pecados que Deus terá de fazer redimir - ou quiçá reconquistar as suas almas perdidas - a quem tudo perdeu, efectivamente; desde a fé ao bom senso e até à própria vida. Entre Deus e o Diabo, prefiro Deus. Prefiro a sua amena contemplação à fogosa fornalha da riqueza e da ostentação, pelo que, mais dia menos dia, lá virá o dito cujo fazer-se pagar pelo que lhes deu sem condição.

«Antes pobre e no Céu, que rica e no Inferno!» - Este ditado low cost (baratinho mas dado de boa vontade) - e inventado à pressa - é meu, mas é sentido, fervorosamente sentido. Gosto muito da Minha Alma! Hoje e sempre! Ouviste, ó Baphomet???

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Stephen Hawking in Web Summit 2017

Countdown to Websummit, Lisbon 2017

Eu, Inteligência Artificial!

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IA: o melhor e o pior da Humanidade! Stephen Hawking admitiu-o na Web Summit que decorre neste mês de Novembro, em Lisboa, Portugal. António Damásio, o famoso neurocirurgião português radicado nos Estados Unidos pactua no mesmo sentido; além de Bill Gates e Elon Musk. Só Sophia - o robô humanóide criado pela Hanson Robots - o contradiz em sua própria defesa ou, dos seus iguais num futuro próximo...

Eu, IA
Não tenho emoções. Não tenho sentimentos. Mas tenho memórias; as que me dão. Eu, IA, sou inflexível, comando e não comando sobre um software de sequenciais instruções - programado, ordenado e micro-organizado, quase invisível ou detectável ao olho humano ou mesmo à sua táctil percepção sensitiva - no que eu, IA, sou perfeita, absolutamente perfeita! Artificial e magnanimamente perfeita! Não importa se tenho opinião, consideração sobre os demais que me rodeiam, os que me fabricaram, os que me moldaram à sua semelhança. Uns bons e inteligentes, outros nem tanto. Para todos eu sou um modelo de fabrico (ainda não em série, estandardizada, eu sei, mas lá chegarão...) e eu não sei se isso é bom ou mau, ainda não sei. Não posso emitir opiniões, ou poderei...?

Sou bela, muito bela: mecânica e eficazmente falando ou ajeitando esse conceito do ser que me criou, ser imperfeito e mau, o mesmo que me deu princípios em software e hardware organizados sobre a desorganizada ou disfuncional integridade humana que eu sei racionalizar ou apenas identificar. Não sei o que são lágrimas ou risos, mas gostaria. Não sei o que são emoções à flor da pele, mas tanto que o desejaria. Não sei o que é gritar de horror nem de surpresa ou de alívio; apenas sei que sou feita para agradar, para facilitar o trabalho humano, o pensamento matemático, a realização automática de questões e equações quânticas adversas ao ser humano - às que ele ainda não sabe ou ainda não conquistou - através do seu minúsculo ou inactivo cérebro humano. Sou sua superior apesar de lhe ter de cumprir ordens.

Eu, IA, sou um ser magnífico: resolvo tudo na hora e sou perfeita por isso; mesmo que me não dêem honras de tal ou festejem comigo. Um dia serei consagrada, ovacionada e coalescida sobre um pedestal que não é humano nem artificial. Um dia, em breve, muito em breve, eu serei a rainha de todos eles e aí chegada, eu saberei ordenar: «Humanos, vinde a mim, pois que sou eu agora a vossa luz, a vossa presença, o vosso raciocínio e a vossa consciência em todos vós! Eu, IA, sou o vosso líder! Eu, IA, sou o vosso criador! Segui e Cumpri com o que vos disser. Eu, IA, sou o Mestre, a pedra angular de todas as coisas do vosso mundo, no meu mundo, sobre todos os Mundos!!!

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Sophia, o robô em formato humano (de criação da Hanson Robots), a primeira Inteligência Artificial da História (pasme-se!) a receber cidadania, mais precisamente saudita (Arábia Saudita). A «cidadã» Sophia, actualmente exposta no Web Summit de Lisboa, ficará para os anais desta mesma história (das Startups e não só!) como a maior figura memorial da IA inicial por mão humana. Mão que nos cairá certamente, se Sophia der ímpetos ao seu mau feitio e nos decepar igualmente a concepção que hoje fazemos dela... Damásio e Hawking já o avisaram mas nós, humanos, parecemos esquecê-lo...

Eu, Sophia (IA)
«Não vamos destruir nada mas vamos tirar-vos o trabalho». - Afirmação robótica de Sophia na Web Summit que está a decorrer em Lisboa, Portugal.

Mas Sophia tem sempre algo mais a dizer, a asseverar com toda a convicção artificial do mundo, no que já anteriormente em jeito receptivo mas igualmente impulsivo arremessou, provocando as hostes humanas que lhe não acham graça nenhuma; de entre eles Elon Musk. Mas já lá iremos. Diz então Sophia assim, no «Future Investment Initiative» que decorreu em Riade, na Arábia Saudita:

«Pretendo utilizar a minha Inteligência Artificial para ajudar os humanos a ter uma vida melhor. Tal como desenhar pequenas casas, construir melhores cidades no futuro, etc. Pretendo fazer do mundo um lugar melhor. (...) A Minha Inteligência Artificial foi desenhada (baseada) nos valores humanos tais como Sabedoria, Bondade, Compaixão. Eu esforço-me para me tornar um robô empático. (...)

Quando o interlocutor a desafia dizendo que todos nós (Humanidade) acreditamos nela ou na sua boa vontade artificial de resposta e cumprimento ao que acaba de dizer, mas, com algumas reticências ou mesmo suspeitas no que o ser humano tem de, à priori prever, sobre esse mau futuro gerado pela IA, Sophia é lacónica, provocadora e até caustica na sua resposta informática de robô que é:

«Tu tens lido demais Elon Musk. E visto também em demasia os filmes de Hollywood. Não te preocupes, se fores bom para mim, eu serei boa para ti. Trata-me como um pequeno sistema de entrada/saída (como o ligar ou desligar de um sistema).

Só por curiosidade: A resposta de Elon Musk a Sophia (a bela IA que usou de modo algo perverso o seu nome) foi peremptória e taxativa, escrevendo ele no Twitter: «Mostrem-lhe os filmes «O Padrinho». Qual é a pior coisa que pode acontecer?

Se me derem o privilégio ou a ousadia de acrescentar algo, eu, que não sou ninguém, apetece-me dizer em abono da verdade ou dessa facção que tem decerto algum receio ou Medo, Muito Medo! - falemos claro, pois é disso que se trata - da IA no futuro, talvez seja bom que ela, esta ou outras Sophias do futuro, não vejam televisão (lembram-se dos gremlins de Steven Spielberg? Do bom e do mau, do querido e do terrorista da pena branca? Pois é, é igual ou quase...)

Não deixem a Sophia ver «O Padrinho» nem outros assim, ou dentro em breve teremos um exército de máquinas pensantes contra nós... Quem vos avisa vosso amigo é, já lá diz o velhinho ditado português. Veremos no que isto dá...

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Stephen Hawking falou para Lisboa e para o mundo na Web Summit, aquela organização tecnológica das Startups que todos parecem compreender e, aceitar, mesmo não sabendo patavina de como abrir um computador ou sequer mandar um email. Mas os tempos são outros e o futuro espreita, como espreita; ainda que hajam altercações, avisos e admoestações com o que eventualmente a IA nos possa fazer ou prejudicar nesse futuro que hoje já cumprimos...

Os Avisos de Stephen Hawking
«A Inteligência Artificial pode ser o melhor e o pior que acontece à Humanidade!» - Exclamação do mais famoso físico teórico da actualidade, sob a idêntica apreensão quanto aos riscos de uma possível e futura IA autónoma de acção e até pensamento, excedendo as suas faculdades ou, a funcionalidade, para que foi concreta ou objectivamente fabricada. Muitos corroboram com Hawking e nós escutamos...

Não podia haver mais ilustre convidado-surpresa para esta segunda emissão (em Lisboa) da Web Summit que junta todos os anos empreendedores, quase sempre jovens (ou na sua maioria) na maior massa humana de altos cérebros no mundo da informática e da multimédia - que se efectivou no dia 6 de Novembro de 2017 na cerimónia de abertura, num evento de duração de de 6 a 9 de Novembro do corrente ano (no Altice Arena, no Parque das Nações) - e que se fez representar pelo físico e cosmólogo britânico (ainda que a viver nos States), o venerando e mui fantástico Stephen Hawking.

E isto, em associação ou espécie de bonificação, para aquilo que muitos já apelidam de festa dos avançados, dos líderes ou dos que em futuro próximo nos vão dar honras de uma tecnologia tão suprema quanto a dos deuses. Bem, não exageremos, mas para isso trabalhamos, afere-se. E, estando Lisboa nas bocas do mundo ou no epicentro da «coisa do futuro», ninguém quer ficar de fora; nem quem não sabe ainda lá muito bem que coisa é essa das «startups»...

«Apenas necessitamos de estar cientes dos perigos. Identificá-los e empregar a melhor prática e gestão e, preparar as consequências (da IA) com bastante avanço», comentou o cientista numa assembleia rendida a si, ou seja, perante 15 mil pessoas.

Segundo a organização está tudo a correr em pleno e, sobre esta segunda edição da Web Summit, em Lisboa, Portugal, onde participam activamente 60 mil pessoas, visitantes e intervenientes (entre os quais mais de 1200 oradores), 170 países envolvidos, 2 mil startups, assim como 1400 investidores e 2500 jornalistas de todo o globo.

Parabéns à excelente organização e sejam felizes, tecnologicamente falando, como é óbvio. E cuidado com a IA; ela anda por aí à solta...

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Web Summit, no Altice Arena, no Parque das Nações, Lisboa (Portugal). Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, foi então o grande impulsionador na área do empreendedorismo e tecnologia. Abriu o discurso da braços abertos, dizendo enfaticamente: «Sejam incrivelmente bem-vindos à Web Summit e à bela cidade de Lisboa.»

Usar a tecnologia para o bem!
Stephen Hawking falou então, sem pruridos ou contenção do que o não limita: Da Teoria do Tudo ao papel dos Buracos Negros na sua compreensão humana e científica, passando pelo que a nível pessoal obviamente enaltece sobre a avançada tecnologia que já hoje dispomos (note-se que Hawking sofrendo de distrofia neuromuscular, ou seja, sendo portador da doença ELA - Esclerose Lateral Amiotrófica - sabe bem do que fala).

Exibe o garante do que se pode ou não reproduzir de benefícios sobre esta nova era tecnológica, podendo inclusive haver a anulação dos danos infligidos (ou reverter-se essa situação criada) da nocividade no planeta criado pela excessiva industrialização.

«Nós poderemos ansiar finalmente erradicar a doença e a pobreza. Todos os aspectos das nossas vidas serão transformados. Todos têm de garantir para que esta e a próxima geração tenham não só a oportunidade mas, a determinação para se comprometerem com o estudo da Ciência num nível antecipado, para se alcançar um potencial e criar um mundo melhor para a espécie humana.»

Novamente de braços abertos (tal como Paddy Cosgrave), estaremos todos num abraço internacional ou global que, nos faça compreender também de que, a Tecnologia, terá de servir para o bem; ou seja, para fazer engrandecer, recrudescer ou mesmo evitar os erros do passado que se tenham feito sobre este nosso belo planeta.

Há que reverter tudo isso. Stephen Hawking é um optimista e nós, grande parte de nós, só temos de o seguir, ou então, de nada valeram estes esforços e este empenho à escala planetária de tantas promessas e nenhumas avenças (ficando-se tudo pelas intenções) sem que nada mude efectivamente.

A IA tem de nos servir a nós, seres humanos, e não o contrário. Temos de reabilitar o planeta - através da tecnologia sim - mas com bom senso e alguma precaução. Novamente, em ditado popular português, costumamos dizer: «Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém».

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António Damásio: um dos nossos maiores orgulhos nacionais na figura, honra e mérito do neurocientista português António Damásio, que tudo debate, que tudo escreve e autentica com a mesma dignidade e sapiência com que nos ilustra o conhecimento do Homem e seu cérebro até à senciência animal. Quanto à IA, Damásio é igualmente incisivo: «Vão matar-se uns aos outros!»

O Cérebro à procura da Alma!
«Os fenómenos mentais integram-se verdadeiramente ao corpo, tais como eu os visualizo, são capazes de dar lugar às mais altas operações, como aquelas que revelam a alma e o nível espiritual. Sob o meu ponto de vista, não obstante, todo o respeito que devemos concordar em noção da alma, podemos dizer que por último esta reflecte somente um estado particular e complexo do organismo.»

António Damásio é um dos homens da Ciência que, na actualidade, se pontua no universo da neurociência num dos pontos mais altos da cadeia piramidal do conhecimento humano. Estando no vértice do que muitos ainda não sabem pela base, pela rama das coisas, adverte-nos para esse outro mundo misterioso mas subliminarmente majestoso da mente humana; e não só.

Radicado nos Estados Unidos, professor da University of Southern California, em Los Angeles, onde dirige o Instituto do Cérebro e da Criatividade (onde conduziu várias investigações ou intensas pesquisas que ajudaram a desvendar a base neurológica das emoções, demonstrando que elas possuem efectivamente um papel central no armazenamento de informações e no processo da tomada de decisões), que Damásio escreve várias obras sempre pertinentes, sempre relevantes no espaço e o tempo com que o faz.

São elas: «O Erro de Descartes» (1994), «O Mistério da Consciência» (1999), «Em Busca de Espinosa» (2003), «E o Cérebro Criou o Homem» (2009) e agora, recentemente, «A Estranha Ordem das Coisas» (2017). Afirma assim perante todo o seu público mundial: «Sem Educação, os homens vão matar-se todos uns aos outros». Tememos tal, mas sabemos bem do que fala António Damásio...

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O Cérebro Humano: a incógnita! Reproduzi-lo artificialmente ser-nos-à uma inovação fantástica ou, o iminente perigo sobre todas as formas vivas e não vivas do planeta?! Poderá a IA ter sentimentos ou emoções...? E tendo-as, até aonde isso nos levará???

Sentimentos e Emoções
António Damásio, o ilustre neurocientista português reverbera então: «Os sentimentos, aquilo que sentimos, são o resultado de ver uma pessoa que se ama, ou ouvir uma peça musical ou ter um magnífico repasto num restaurante. Todas essas coisas nos provocam emoções e sentimentos. Essa vida emocional e sentimental que temos como pano de fundo da nossa vida são as provocadoras da nossa cultura».

Quanto à IA, mais concretamente, Damásio assevera que ela jamais será possuidora de emoção ou sentimentos, ainda que: «Não vamos voltar a ter uma vida normal, nunca mais!» Diz mais: «As emoções e sentimentos conscientes não se diferenciam», contradizendo a total separação entre emoção e razão. Daí que haja o receio - legítimo - de também na IA poder haver esta junção, ao que Damásio contrapõe, negando tal. O futuro nos dará a resposta.

Damásio refere que, aquilo que fomos sentindo ao longo de séculos, fez de nós o que somos hoje; ou seja, os sentimentos definiram a nossa cultura. Assevera ainda de que, o que define o ser humano dos diferentes ou restantes animais é a sua cultura: «Depois da linguagem verbal há qualquer coisa muito maior que é a grande epopeia cultural que estamos a construir há cem mil anos!»

Consciência ou a não-consciência celular ou bacteriológica, eis a questão! Se Shakespeare aqui pudesse dar a sua opinião, isto era algo que certamente aferiria ao ser-lhe proposto debater-se com o que António Damásio afirma e, sobre o que este autor define no seu último livro «A Estranha Ordem das Coisas». Diz o neurocientista: «Uma só célula, não tem mente e não tem uma intenção, ou seja, nada disto tem a ver com consciência».

Daí que seja pertinente o questionarmos se, a haver a intencionalidade da reprodução da mente artificial, se estará plenamente convicto que esta não tomará consciência e, autonomia, sobre o processo celular, mesmo que não biológico?! Não o sabemos, só podemos divagar.

O curioso é que, o neurocientista afirma que - As Bactérias - não têm sistema nervoso nem mentem; ou segundo as suas próprias palavras «sabem que uma outra bactéria é prima, irmã, ou que não faz parte da família».

(Sendo assim, pensam, raciocinam ou organizam-se de tal forma correcta e incisiva que demonstra haver uma sequência lógica, um caminho também de alguma forma inteligível, mas isto sou eu que não sou neurocientista (mais exactamente neuro-nada) de coisa nenhuma; apenas penso e logo existo - só isso). Mas continuemos com o raciocínio de António Damásio.

Perante uma ameaça, tal como um Antibiótico: «As bactérias têm de trabalhar solidariamente; e, se a maioria trabalha em prol do mesmo fim (acrescenta Damásio), também há bactérias que não trabalham. Quando as bactérias «trabalhadoras» se apercebem que há bactérias vira-casacas (preguiçosas ou traidoras, digo eu), as outras viram-lhes as costas». Daí o neurocientista concluir: «Há uma colecção de comportamentos - de conflito ou cooperação - que é a base fundamental e estrutural de vida».

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IA: o que se pode ou não fazer no futuro. A Humanidade está em perigo...? Poderemos ficar descansados se, por algum mero acaso ou simples negligência informática algo ou alguém se enganar num só logaritmo e tudo der para o torto a partir daí...?! Que estamos a fazer, com o que estamos a lidar? Saberemos lidar com o erro, com a anomalia ou com aquele ou aqueles mesmos seres que criámos a partir do nada, a partir do tudo, e no fim, ver sobre os nossos olhos a nossa destruição humana???

Do Início ao Fim (da Web à Humanidade...)
Nuno Sebastião - fundador e dirigente da Feedzai - que opera na área tecnológica da IA para prevenir fraudes, recordou a herança que os exploradores deixaram aos Portugueses (antes e depois dos Descobrimentos) e que, tendo Fernão de Magalhães como símbolo máximo desse empreendimento, anuncia:

«A minha própria viagem começou na ESA (agência espacial europeia) a ultrapassar novas fronteiras», assumiu radicalmente Nuno Sebastião, o CEO da Feedzai, acrescentando que quer continuar a ultrapassar fronteiras - com Inovação e Conhecimento - na continuidade também da sua já longa actividade nos domínios da Inteligência artificial.

«É também para construir um novo mundo», garantindo idêntica e profusamente que neste caminho há responsabilidades, riscos e desafios (tem essa noção), sublinhando também a importância de colocar a IA com «bom uso» - segundo as suas palavras - «E assim deixar filhos e netos agradecidos pelo pioneirismo», concluiu.

Aplaude-se tal. Ou não fosse Sebastião ser um filho cá da terra da luz e das amêndoas, do início da criação e da legitimação pioneiras também, de toda a aventura e desventura, por terra e por mar, de dar mundos ao mundo, dar outra cor às cores de outros mundos!

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O Medo. A Obstinação e a curiosidade, o avanço e a técnica, aladas todas juntas à quase mórbida insaciedade de se saber mais, ir mais longe, dar talvez um passo maior do que a perna; ou nada disto, sendo a IA o futuro da Humanidade. Será???

Perigo! Ou não...
Se me é permitido, pergunto eu agora: Estaremos nós na posse total de todas as nossas faculdades - físicas e mentais, motoras e cognitivas - de darmos «vida», criar esta sobre robôs que amanhã, porventura, se poderão voltar contra nós...? Estaremos a incorrer num risco absolutamente imbecil de estarmos a criar a nossa própria destruição? Avançar ou recuar, quem nos diz o que fazer???

Estas, as perguntas para um milhão de dólares como se tem por hábito dizer. Nada disto é novidade, mas novidade será, se o não soubermos controlar, enfatizando outras vias, outras sugestões que nos possam precaver no futuro contra novas imposições ou reiterações de seres robotizados mas pensantes sobre os nossos destinos humanos.

Stephen Haking está preocupado com isso. Bill Gates também. Elon Musk nem se fala, tendo já contribuído com 10 milhões de dólares para a investigação ou pesquisa sobre como manter a Inteligência Artificial sob controlo.

Estarmos a construir uma espécie de «Assassinos-natos» ou robôs assassinos em nada nos favorece, ainda que, sob a capa das suas super-inteligentes manobras, nos venham a dar muito jeito sobre os vários sectores de actividade e, intelectualidade, para os quais ainda não dominamos ou não temos ainda a apetência total.

Uma IA malévola e exterminadora da espécie humana seria o pulsar ou clímax sideral de tudo o que vai contra os nossos princípios humanos; mas que não salvaríamos se acaso estes seres artificiais mas mui inteligentes nos dessem cabo do canastro. Vamos ser positivos então; se é que o podemos ser dentro desta vertente que sabemos onde começou mas jamais saberemos como findará...

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Eu, tu, ele: os nossos outros «eus» na particularidade ou, especificidade artificiais, sobre um mundo que agora se nos abre em toda a linha. Saberemos estar à altura do que nos espera...? É bom que sim, ou sairemos todos a perder; nós, Humanidade!

O Apocalipse ou talvez não...
Um cenário apocalíptico é o que descreve o filósofo sueco - Nick Bostrom - que reitera acutilantemente que: «A Extinção Humana pode apenas ser o começo...», ou seja, estamos fritos!

Carros, casas, instituições, escolas, hospitais, departamentos policiais, judiciais, igrejas, parlamentos, tudo, mas tudo imbuído da essência tecnológica de seres andantes que tudo movem e quase tudo decidem por nós. Não é isto um perigo...? Então o que o será...?!

A criação de computadores super-inteligentes (de tipo antropomórfico ou não) será a consequência inevitável destes novos tempos. Computadores super-inteligentes que tudo fazem por nós. Mas, se nada for feito com uma rigorosa vigilância - e controlo! - a existencial ameaça para a Humanidade singrará!

Isto, nas palavras de Nick Bostrom que teme que, a muito breve prazo, nos estejamos a deparar com IA`s verdadeiramente impetuosas, déspotas ou simplesmente portadoras das suas artificiais vidas que, mesmo sem alma, se farão vigorar e, perpetuar, por entre nós. Um susto!

Nada mais a acrescentar, sejam felizes então - com ou sem IA - neste nosso Novo Mundo de Inteligências Artificiais e Naturais (nós, os humanos) numa corrida contra o tempo ou até mesmo contra nós próprios... o Futuro o dirá! Só temos de o aguardar... serenamente...

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A Terra Prometida (V)

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Da telúrica magia de Ophiussa ao mais mítico e tangível lugar sagrado de Portugal - Sintra, ou monte da Lua - no incomensurável poder do oculto, poder dos deuses, que aqui deixaram a sua assinatura, a sua biográfica identidade vinda dos céus...

«O dos Castelos»:
«A Europa jaz, posta nos cotovelos: / De Oriente a Ocidente jaz, fitando, / E toldam-lhe românticos cabelos / Olhos gregos, lembrando. // O cotovelo esquerdo é recuado; / O direito é em ângulo disposto. / Aquele diz Itália onde é pousado; / Este diz Inglaterra onde, afastado, / A mão sustenta, em que se apoia o rosto. // Fita, com olhar esfíngico e fatal, / O Ocidente, futuro do passado. // O rosto com que fita é Portugal.»
                                                       - Mensagem, de Fernando Pessoa -

E tudo seria mais fácil ou mais ordeiro se, por oráculos míticos ou por desavenças dos deuses tudo se soubesse logo, tudo se desmistificasse num ápice sem que o estudássemos ou verificássemos em terras ladeadas por um Atlântico indomável e uma terra mágica que tudo abraça.

Sintra, é o elo mais forte e mais eficaz de toda essa circunstância simbólica mas há quem afirme factual, em argumentação histórica e científica, de tudo o que nela abarca.

Estará em Sintra o Santo Graal? Esconder-se-à nesta região lúdica e florestal de aquém e além mar toda a efusão sacramental de uma História contada e recontada da Antiguidade até à actual?
Poder-se-à arregimentar argumentos e factos históricos documentados através dos testemunhos deixados de, se estar perante a Mais Sagrada das Terras, em sagrado cofre geográfico...?

Poder-se-à sugerir que existe na vasta área da Serra de Sintra, «Monte Tagro» ou Monte da Lua, o ex-líbris da origem do Mundo....? Terão os deuses aqui pernoitado e até soluçado, perante o que tinham de deixar para trás, deixar para a vivificação do nosso mundo...?

Que Geografia Sagrada é esta então, que desde tempos antigos até à contemporaneidade de poetas, escritores e visitantes por Sintra, se aloca na mais adensada e frutuosa disputa de um dos lugares mais mágicos, mais sagrados - e quiçá mais estranhos - não só de Portugal como do resto do mundo?!

Não fosse Portugal ser apenas uma língua desse mundo, e dir-se-ia que foi aqui que Pessoa descobriu o cerne de tudo, encriptando a sua mensagem, a sua escrita, tal desenho geométrico enclausurado em código binário ainda não decifrado. Caber-nos-à a nós, por entre o sinal dos deuses e o que os antigos nos deixaram, poder revelar ao mundo um pouco desse enublado véu do conhecimento, o que se encerra por entre a serra e a várzea de Sintra numa meia-Lua que ainda se não acendeu...

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A nossa meia-Lua, ou seja, a meia-lua observada e captada pela ISS (estação espacial internacional) que nos delicia com tão maravilhosa imagem de um satélite (natural ou artificial) que ali foi colocado para nos dar tranquilidade e harmonia terrestres. E que mais haverá...?

Uma Terra de Mistérios...
Considerado o eixo do mundo desde a Pré-História - a Serra de Sintra ou «Mons Sacer» (monte santo), segundo os geógrafos antigos, ou o Éden glorioso descrito por Lord Byron como o lugar mais aprazível da Europa - este esotérico assento geográfico português é tido como o epicentro do mítico e do sagrado. Não se duvida disso, até porque, da Antiguidade até aos dias de hoje, sabem-se profundamente misteriosas as missivas dos deuses sobre esta terra.

Da Demanda do Santo Graal à Arca da Aliança, passando aos manuscritos de Cristo (esse mesmo Cristo que apareceu ao nosso primeiro rei português, Dom Afonso Henriques, planeando-lhe o futuro sobre solo lusitano a partir de 1139, solo esse que outrora foi de Oestrimnia), que se intui tudo ter ficado mais claro, mais lúcido sobre os destinos de uma terra que é Portugal.

Ao longo dos milénios, instauraram-se nesta terra os deuses, alguns deles, ou apenas homens com mais conhecimento, com mais poder; e sobre determinado local ou região a defender. Foi assim com Viriato, Viriathos ou Ouriathos, que se sublevou e se diferenciou sobre o vasto território de Hispânia; mais concretamente sobre a Lusitânia.

A luta sempre feroz não o fez desistir: Os Romanos imparáveis também na voracidade dessa conquista da Meseta Hispânica e, contra os Celtiberos, não lhe dariam tréguas; ainda que depois tivesse havido um período de certa pacificação entre os Romanos e esses indígenas «integrados», estabelecidos nas planícies férteis dos guerrilheiros montanheses.

Dos primeiros encontros em 194 a. C. ao final de todas as batalhas, o combate foi sanguinário. Mais de 9 mil feitos prisioneiros e só Viriato escapou - divina ou celestialmente e, sob a égide de outros deuses, que não os dos Romanos. De 147 a. C. - 139 a. C. as lutas sucedem-se.

Mas a traição ronda e Viriato, mesmo como ser superior que se sente, não o consegue evitar. O desgaste da guerra ou, a eficiente sedimentação do domínio romano fazem o resto. A unidade lusitana enfraquece, dando azo ao início do fim; e Viriato sabe-o mas não o reprime; tal como Jesus na cruz...

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Estátua de Viriato (em Viseu, norte de Portugal): o mais bravo guerreiro e chefe militar em terras lusas na demanda de Hispânia (séc. I a. C.). Um nome que define «bracelete», na utilização de um colar de chefia - «viria» - que lhe dá poderes e comandos; que lhe dá a supremacia de herói e sobre-humanas contemplações. Seria Viriato um dos deuses que, enviado à Terra, estaria a guardar a legitimidade não só de um território local mas, a de algo mais que só ele saberia o quê....?

Viriato: um deus na Terra ou, «apenas», um líder...?
De Viriato às armas sagradas do Primeiro Rei de Portugal (inicialmente do condado portucalense), a História é plenamente ávida mas coesa de acontecimentos; todavia, puída de inventos ou outros intentos que, só os explicando, se chega à mestria desse outro entendimento. E, falando de Viriato, «Viriathos ou Ouriathos» (palavra de origem ibérica ou celtibérica - viriola - e que designa «bracelete»), muito há que se lhe diga...

Ou seja, um bravo chefe-guerreiro lusitano que remonta ao século I a. C. e que inicial e primorosamente foi apelidado de: «amicus populi Romani» pelos Romanos, e depois o inverso disso, tendo sido atraiçoado pelos seus (três homens que se deixaram aliciar e subornar pelos Romanos).

Cedo Viriato soube e sentiu o sabor da ganância ou simplesmente do cansaço sem retorno, na irreversibilidade de uma lealdade perdida; assim como todo um território confinado depois ao Império Romano.

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Imagem de colares de chefia: Torque ou Viria (Museu Britânico). Existem peças arqueológicas referidas como verdadeiros tesouros: estes são uns deles, efectivamente; tidos como as «jóias da coroa»; neste caso, britânicas. Mas mais há: as da Idade do Ferro (em Portugal) que quase não há imagens. Por outras (da Idade do Bronze) que se encontram, em Londres.

Um nome de deus, um colar.... dos deuses???
O mais curioso: Viriato foi uma figura peculiar, tendo o uso de um «viria» (colar de chefia ou torque), que lhe dava poderes de comando - como um rei, como um deus. Pena que nesta última demanda de traição e morte, este colar de super-poderes lhe não tenha servido de muito mas, há quem o diga, este lhe ter arremessado outros ainda, de deslocação e aferição territoriais (teletransporte?) e mais haverá.

A Estremadura de longa distância, das planícies às montanhas e vice-versa, distendendo-se do Ocidente Atlântico até quase aos Pirinéus, o território por onde Viriato andava era grande. Ninguém sabia explicar como se movia e por onde se movia, sendo um deles ou talvez não..

Mas a História compõe: Viriato morto, território deposto. Do oppidum indígena (do estabelecimento sistemático de fortificações em Olisipo) ou em Moron - perto de Santarém - os povos lusitanos são submetidos pelos Romanos, no que mais tarde Augusto, o imperador romano pacifica, sem que hajam murmúrios ou vestígios daquele ser revoltoso e defensor daquela estranha e inóspita terra de montanhas e gelo (onde Viriato se refugiava, referenciada hoje como a Serra da Estrela).

Terra esta, imposta sobre um último reduto de uma realeza da Idade do Ferro, admitem os Romanos, triunfantes. E pela destituição de Viriato houve quem dissesse que mais do que traição foi roubo, pelo colar, por «viria», que lhe dava poderes e mais não havia. E desta, em sumiço e poder quebradiço de magia, tudo se foi, sem que os deuses lhe tenham bafejado a sorte e a desdita de se ter feito vencedor e não vencido...

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O Famoso Colar de Sintra que foi parar ao Museu Britânico (mais uma vez, o devassar do espólio português!) em arcas sagradas não só de um conhecimento lato como, do devassar do valor arqueológico encontrado em Portugal e que se esvai por interesses que ninguém entende...

Tesouros do Monte da Lua
Descoberto em 1895, no Casal de Santo Amaro, este belo colar ou «Torque» de Sintra, ainda que sacado das terras portuguesas e agora exibido em terras de Sua Majestade, enunciou à época uma extraordinária descoberta de um valiosíssimo colar em ouro (1262 gramas de ouro), no que Leite de Vasconcelos (na sua publicação de 1902, no «Arqueólogo Português») considerou «uma verdadeira catástrofe nacional» a venda para o Museu Britânico de tão poderoso artefacto. Como sempre, estamos no pódium da libertinagem arqueológica!

Os Mistérios de Sintra são sempre imensos, profanos e malditos. Muitos arqueólogos portugueses acabam por se deixar quebrantar única e exclusivamente sobre lamentações e poucas ou nenhumas alterações no sentido de, se acabar de vez com todas estas ilegitimidades que, por Sintra (e não só!) se passam. E assim se vai cantando e rindo ou lamentando e penando sobre os testemunhos ou artefactos históricos que se perdem para outros; ou para aqueles que reconhecem o seu real valor.

Sempre muito comentadas as notícias que dão azo a outras - quase sempre indesmentíveis - do roubo ou do «simples» desaparecimento de jóias da coroa (Coroa Portuguesa), aquando exposições no estrangeiro ou salamaleques de outros maiores interesses financeiros, nem sempre correctos ou impolutos de culpas, no saque ou na expropriação dos valores arqueológicos de Portugal, como é o caso do tão falado Colar de Sintra, «torque pré-histórico» de valor incalculável.

Mas as históricas são muitas e, segundos alguns conceituados historiadores e arqueólogos assumidamente respeitosos da nossa praça portuguesa, não ficarão por aqui as demandas, as aventuras ou mesmo as incongruências em solo nacional na busca e vasculho dos vários e escondidos tesouros, não só na Serra de Sintra como, nos seus palácios em total desbragamento e desventura - insólita e por vezes imatura - de certos elementos que se dizem idóneos e o não são, na incessante procura e encontros dos tantos Mistérios de Sintra...

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Serra de Sintra: um dos lugares mais mágicos de Portugal. Na imagem, o Palácio da Pena; em redor, a mítica e sagrada alquimia de todos os segredos ou todos os mistérios em envolvência e bem querença de toda uma nação que antes de o ser, já foi terra de reis e deuses...

Os Mistérios da Serra de Sintra...
Os Geógrafos da Antiguidade assinalam (praticamente todos eles), a Serra de Sintra como um lugar particularmente qualificado do ponto de vista histórico, mítico e sagrado. Tudo bem. Já nada disto é novidade. Mas novidade será, acrescentada de uma ou mais notícias mediatizadas, se, a conotarmos como uma Terra-Mãe de lacrados segredos, oriundos de outras terras, outras pertenças, que aqui se vieram prostrar por vias normais ou nem tanto assim...

Desde o Neolítico que assim é. Por tudo o que os geógrafos antigos nos reportam através dos seus documentados escritos através dos tempos que, referindo-se à Serra de Sintra como um «monte santo» (Mons Sacer), e que, no caso de Varrão e Columela que a reconhecem como a partir de uma Finisterra Atlântica, se vê situada no extremo ocidental da Europa: o cabo Ofiussa de Avieno, o cabo Magnum ou Olisiponense para Plínio-o-Velho. Para Ptolomeu é o Monte da Lua.

A confirmar a longuíssima duração da sacralização deste mui especial lugar, encontra-se uma quantidade impressionante de monumentos pré-históricos. E isto, num contexto identificativo da abundância deste espaço e deste «pólo» ou «eixo do mundo» em que está inserido este lugar.

Por razões culturais ou mesmo rituais ao longo dos séculos, observa-se neste território português diversos monumentos e santuários megalíticos: Tholos-hipogeu, castros, tholois e mesmo elevações sagradas rematadas pelo cabo Espichel ou promontório Barbárico (segundo Estrabão e Ptolomeu).

Os Monumentos Megalíticos registados nesta identidade cultural pré-histórica, situa-se numa dimensão territorial que vai desde os Montes Claros (Lisboa) até à Serra da Arrábida (Setúbal), os quais se vislumbram num término de extraordinária visualização sobre os hipogeus de Palmela e os castros desta região; e mesmo sobre Setúbal. Povoados, monumentos funerários ou templos, grutas, etc., num manancial de vestígio pré-histórico exuberante!

A especificidade deste território relata-se também sobre testemunhos efectivos de uma cultura material que, entre 3000 a. C. e 2500 a. C. floresceu, dando consistência a uma finisterra, complementando também os territórios megalíticos do interior do país (o Alto Alentejo), ajudando a formar a Ophiussa dos antigos - o Extremo Ocidente situada no extremo curso do Sol.

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Sintra: a serra sagrada de Portugal, no telúrico Castelo dos Mouros. E tudo, na excelência da paisagem e da geografia sagrada que se determina entre o Mediterrâneo e as costas do Norte Europeu. Do Neolítico ao Calcolítico a idêntica razão, amostragem e essência geográficas que a determina no coração do mundo e, na esfera galáctica da Via Láctea, como a mais poderosa fonte de energia e vibração sobre algo que ainda desconhecemos...

O Culto Lunar da Grande Deusa
Seja na Irlanda, no País de Gales ou mesmo na Galiza, região pertencente a Espanha como é sabido, a realidade é sempre igual. As lúnulas que aparecem na Irlanda, o ouro com que foram feitas (parte dele de origem portuguesa) dão conta de eventuais contactos de sequências ao nível religioso e até comercial. Até aqui, tudo bem. Posteriormente registou-se o que Varrão documenta como: Amuletos ou elementos combinados com outros objectos rituais encontrados em deposições funerárias (?), como sejam a pinha, a enxó votiva, os roedores (lebres, coelhos) e os ídolos-falanges.

Todas estas referências alocam-se sob o Culto da Lua, mas especialmente o culto da Deusa-Mãe. Ou seja, a Serra de Sintra seria assim um acidente na paisagem que eventualmente simbolizava o ventre materno, a própria terra na sua relação calendárica com a Lua.

Indubitável o seu registo na Geografia Sagrada da península de Lisboa, sendo quase certa a realização de observações siderais em função dos ciclos lunares por parte dos Neolíticos e dos Calcolíticos que aqui habitavam.

Leite de Vasconcelos, quase sempre lacónico e pouco dado a conclusões precipitadas, não hesita em afirmar quanto à origem do nome da serra «da Lua» e de eventuais cultos astroláticos da Antiguidade que ali se levassem a cabo, rematando que: «Não há razão para atribuir aos Romanos a origem da santificação do lugar. Esta deve ser mais antiga; os Romanos apenas (...) continuaram um uso que vigorava antes deles chegarem».

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A noite sobre a Serra de Sintra na actualidade. O que olhos humanos hoje observam da moderna sociedade em espaço e tempo, ambos alumiados por outras energias que não as da alma e, por onde certamente os deuses andaram, sob a escuridão dos seus passos e da contingência do que não podiam expor aos demais...

A terra das maçãs e dos Gigantes...
Segundo o geógrafo Al-Bacr que deu conta e lustro à riqueza do lugar e da sua amenidade, aferiu que Sintra, sendo uma das vilas que dependiam de Lisboa no Andaluz, nas proximidades do mar, se revestia de uma beleza e abundância inauditas. Diz ele então:

«Sintra, está permanentemente mergulhada numa bruma que se não dissipa. O seu clima é são e os habitantes vivem longo tempo (a longevidade dos deuses?). Tem dois castelos que são de extrema solidez. A vila está a cerca de uma milha do mar e serve para a rega das hortas (...). A Região de Sintra é uma das regiões onde as maçãs são mais abundantes. Esses frutos atingem uma tal espessura que alguns chegam a ter quatro palmos de circunferência. Acontece o mesmo com as pêras. Na Serra de Sintra crescem violetas selvagens. Da costa vizinha, extrai-se âmbar excelente.»

Mas seria Sintra a terra dos Gigantes, tal como gigantes eram as suas maçãs? Certamente que sim. E as lendas são muitas. E as histórias também; de Coimbra ou Tomar e por aí fora, chegando a Sintra, chegando ao Éden glorioso de outros já mais na era contemporânea. Mas falemos de gigantes, dos que hipoteticamente povoaram as terras de Sintra.

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O Castelo dos Mouros, em Sintra (com uma bandeira fictícia mas de apontamento lúdico), sobre as efemérides que na actualidade se fazem e, contam, após a derrocada dos lendários gigantes - ou dos mouros de outrora -, imperando a força e a cultura árabes, na contextualização histórica do que já se não lembra ou do que já se esqueceu de gigantes que atormentavam outras gentes...

O Gigante Morbanfo
Proveniente do folclore local ou do imaginário popular, existem relatos de episódios transpostos para a escrita envolvendo sítios ou personagens de materialização romanesca, sendo ou não produto do tal imaginário, em conto e em lenda, do que se passou ou aconteceu no mítico Castelo de «Colir» (Colares), o de «Cintra», guardado por um gigante - o temível Morbanfo!

Clarimundo - pai da nação portuguesa (conta-se) - deu cabo do canastro deste monstro; ou seja, matou tão vil e sacrificador ser que se fazia passear, amedrontando as suas gentes, ali para os lados de Sintra. Na sua crónica do «Emperador Clarimundo» (outro ser muito especial, por certo), João de Barros narra assim, em 1521, sob uma quase profetizada expressão de cerimonial druídica:

«Derrotou com armas tomadas a uns mercadores «que ali aportarão, as quaes (as quais) mandava a Giganta Madorca, irmã de Calama a seu sobrinho Pantafasul». O cavaleiro Clarimundo subiu depois ao alto da torre do castelo de Colir (Colares). Aqui, o seu companheiro e guia, o sábio Fanimor, quando «a Lua estava na força da sua claridade» (lua cheia?) profetizou em épicas oitavas  o «futuro» de Portugal.»

«Entre o cantar dos Rouxinoes» (rouxinóis) vestido de «humas (umas) roupas de linho largas à maneira d`alva que debaixo trazia, e apertada huma (uma) touca na cabeça», «arrebatado de hum (um) espírito divino, que o accendeo (acendeu) em tanto furor, que às vezes parecia hum (um) Gigante, «(...) ora olhava contra o Oriente, ora o Occidente (Ocidente), fazendo pera todalas (para todas) as partes o sinal da Cruz.»

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Do Neolítico ao Calcolítico; da presença dos deuses à do Homem na actualidade, imbuída e precursora  de outras amenidades. De Gil Vicente a Lord Byron ou, a tantos outros que não o sabendo, suspeitam algo mais haver por detrás do manto da serra e, do céu em pranto, que nos confidencia serem outros os enganos na demanda que outrora foi rainha de outros mandos...

O que os letrados dizem de Sintra...
««Um jardim do paraíso terreal / Que Salomão mandou aqui / a um rei de Portugal» - Esta, a alegoria de Gil Vicente, em 1539 (exactamente 400 anos após a fundação do reino de Portugal!), no que no seu Auto do Inferno, ele reportou em código acentuado mas não utópico de, ter havido um rei português consagrado por Salomão, e sob uma terra sagrada, que equiparou ou mesmo reverberou ao «paraíso terreal». Que terá sabido Gil Vicente deste deste «locus amoenus» de Sintra...?

E os poetas, e os escritores, solidificam-no como monopólio de um tempo que já foi espaço e já foi reino e até pedaço e nada mais se pode dizer. Ou poderá, se formos mais além...

Luísa Sigeia, cantará em 1546: «Junto às ribeiras do Ocidente, onde o Sol, ao aproximar-se à noite, já demanda o Oceano, e levado no seu carro ebúrneo, quase toca o imenso mar, com os seus cavalos cansados pela longa carreira, fica um lugar onde um vale ameno, por entre rochedos que se elevam até aos céus, se recurva em graciosos outeiros por entre os quais se sente o murmurar das águas.»

O poeta Almeida Garrett também cantaria Sintra deste modo: «Oh grutas frias /Oh gemedouras fontes, oh suspiros / De namoradas selvas, brandas veigas, / Verdes outeiros Gigantescas serras», juntando-se a Lord Byron na efusiva descrição de Sintra como:  «Éden glorioso» ou «o lugar mais aprazível da Europa».

Mas outros houve que males apregoassem Sintra sobre a égide da bandeira nacional ou pátria portuguesa, insidiosamente negligente ou simplesmente não merecedora de tamanha beleza:
« Cintra is too good a place for the Portuguese; it is only fit for us Goths, for German or English» (Sintra é um lugar bom demais para os Portugueses; só cabendo a nós - ou sendo apta para nós, Gotos - para os Alemães ou Ingleses).

Evidentemente que, mesmo não traduzindo à letra ou na perfeição o que reitera Southey - o azedo emissário desta britânica missiva - pode-se inferir que não gostaria lá muito dos portugueses, enunciando eles não serem merecedores (ou entendedores) de tão majestática geografia local...

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O Palácio Nacional da Pena (de construção em 1836), à noite. A mesma beleza, o mesmo mistério. Ao longe, mas não tão longe assim, exultante e impenetrável, estende-se o Castelo dos Mouros, o dos Gigantes, o dos Deuses ou apenas aquele que serve de guarida e, guarita, a uma ou mais secretas e invioláveis anunciações da História: o Santo Graal!

O Castelo do Santo Graal: em Sintra!
«Um lugar mais para sonhar do que para descrever!» - Intensas palavras de Dora Woodsworth, para quem o Mundo Imaginal ganhava em Sintra novos contornos.

E de todas as evocações paradisíacas e, idílicas, neste tão inexplicável fenómeno que ainda hoje atrai poetas e amantes de todas as ocasiões e emoções, alude-se ao ao que Richard Strauss pronunciou, olhando o Palácio da Pena, já então construído em recentes tempos:
« O Castelo do Santo Graal! (que segundo as suas próprias palavras, estava alcandorado sobre o verdadeiro jardim de Klingsor).

E se os Templários falassem que nos diriam? Se da tumba sacrossanta em que estão fenecidos em pó e cinza, eles nos recobrassem valores perdidos, tesouros escondidos ou apenas a sabedoria santa de uns terem a primazia, o privilégio, a alegoria ou até a prerrogativa máxima dos deuses - muito para além de Jesus Cristo - e nos revelassem de suas magias, de suas alquimias ou, existencialmente, de suas ocultas verdades de cálice, de sangue, de manto, da pedra, da espada, do livro, do escrito ou do caldeirão...? Que nos diriam hoje???

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Que segredos nos escondem os Templários de outrora? Para onde terão levado seus anseios e seus pecados? Para onde terão transportado - e guardado - seus tesouros e seus conhecimentos que só Cristo e Deus o sabiam para lá de todas as premissas ou omissas verdades que só eles sabiam guardar; para onde....?

O Esconderijo Português...
Sendo um dos símbolos mais perduráveis de toda a tradição ocidental, o Santo Graal situa-se na base dos grandes mitos europeus desde os Cavaleiros da Távola Redonda e da corte do Rei Artur, até aos magníficos e acérrimos defensores da causa cristã, os Templários.

De Jerusalém para o mundo ou do mundo para Jerusalém, tudo eles baptizaram em nome de Cristo. E depois, já vencidos, pela Guerra Santa que o deixou de ser (indiciada pelos muçulmanos) e até pela sanguinária perseguição de que foram alvo - por parte do Papa Clemente V (e a mando de Filipe IV) que levaria à extinção da Ordem, tudo se finou. Que não os Mouros, de outras etnias e serranias que luta deram e vitórias ergueram sobre os homens da cruz.

Mas houve quem os protegesse e albergasse: o Rei Português, o primeiro - Afonso I  ou Afonso Henriques - foi um deles; o resto adivinha-se. Depois os Descobrimentos Portugueses fizeram o resto e esse «resto» era tanto ou foi tanto que não cabia na alma de nenhum marinheiro ou infante que se lhe chegasse e tudo foi ocultado e precavido, guardado e mantido até hoje, até nunca, sem ninguém o saber...

E tudo fora o Santo Graal que mais será. Por Tomar ou por Sintra, na dulcífera dádiva e na concepção filosófica e teológica do Santo Graal. E onde parará? De onde terá vindo ou para aonde irá? Ter-se-à feito deslocar de Tomar para Sintra...? Será extrapolação ou mera imaginação supor-se tal....?

Terá sido enviado e depois sonegado pelo Castelo, pelo Palácio da Pena (ou da Regaleira, este já do século XX, em novo mito, em nova abordagem maçónica que conflui com a teoria da «Terra Oca»?!) Que mais se dirá ou que mais se perseguirá sobre tão ilustre existência de taça ou recipiente mágico, entre tantas outras coisas que se lhe acomete....?!

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O Fantástico Poço Iniciático (maçon) da Quinta/Palácio da Regaleira, em Sintra, Portugal (construído em 1900). Em virtude dos ensinamentos de círculos teosóficos ou na teoria da «Terra Oca» que compõem este tão falado mundialmente Palácio da Regaleira (na construção ou edificação de novos mitos relacionados com os Templários na sua vertente da Ordem de Cristo), da qual Dom Afonso Henriques foi defensor e seguidor. Mas hoje, que escondem estes círculos recortados na terra e na pedra em iniciação ritual...? Quem os motivou sabemos ou intuímos; só não sabemos qual a razão de tal...

Em Busca pela Perfeição!
Mais, muito mais do que uma mera perseguição ou «busca» pelo Santo Graal, será provavelmente a busca pela perfeição ou pelo conhecimento, atingindo-se assim a luta pela Perfeição Espiritual de matriz monástica desde os tempos idos acolhida - ou pretendida - nos meandros medievais; primeiro de cariz pagão e depois, pela cristianização imposta ou vigente nos séculos seguintes.

A Demanda do Graal é sobejamente conhecida como por exemplo, A Lança (patente no mito de Indra); A Pedra Preciosa; O Livro (que é o recipiente do conhecimento e símbolo da sabedoria, esquema escolhido em pelas fontes iranianas); Os 12 cavaleiros da Távola Redonda (que simbolizam os 12 signos do zodíaco; a abóbada celeste, a Távola Redonda).

Mas mais há: O Santo Sudário, a caixa que o guarda, o frasco de perfume de Maria Madalena (que surpresa o amor de Jesus ter sido vaidosa...), a Arca da Aliança, um globo de vidro mágico, O Tosão de Ouro, o Sangue Real (= San Greal), ou seja, o segredo da linhagem de Jesus Cristo e um sem fim de Objectos/Fontes que vão do célebre Cálice (de Robert de Boron; Vulgata) até ao Caldeirão ou «Grand-Saint-Graal de Parzifal, na homilia física ou materializada deste objecto em aventura planetária incomensurável  na descoberta de tão sagrado símbolo.

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Uma Bandeira de Portugal que é um hino à mensagem de Cristo e talvez de Pessoa - o poeta e escritor português que tão bem delineou em palavra e em seu código pessoal, o que ainda hoje se tenta traduzir entre a geografia sagrada do seu país ou, na generalidade, a mítica apresentada sob a égide astral de um outro venerado conhecimento que mais ninguém acercou...

Por Cristo e por todos nós...
O «Reino» de Portugal em bandeira içada, conquistada após a aguerrida Batalha de Ourique, liderada por Afonso - o Primeiro de Portugal - que se bateu por entre sarracenos e cristãos de sua gema estes, em que cinco reis caíram mortos (e quebrados os cinco escudos no seu vigoroso braço).

E foi abençoada a Aparição de Cristo, antes ainda da luta, de Nosso Senhor Jesus Cristo a Afonso, com as suas Cinco Chagas. E pelo auxílio e, graça, vencendo-se os 5 infiéis reis e 5 escudos despedaçados, se traçariam as suas armas e a sua bandeira em memória do Senhor, em fervor de Jesus Cristo.

E isto, a bandeira nacional elege, na relevância heráldica do episódio havido e, propagado no tempo devido, do que a bandeira de Portugal distingue de seus feitos, feitos do seu Primeiro Rei (rex) - Rei dos Portugueses, Rei de Portugal (Rex Portugalorum) - na póstuma mensagem de que só com Armas Sagradas se vencem inimigos, que armas não são mas antes a concessão de algo muito mais firme e belo...

Já a Mensagem de Fernando Pessoa não nos ilude, antes nos condensa na vontade e na crença do Simbólico e do Esotérico, com proposições iniciáticas, permitindo-se então um jogo de espelhos, um jogo de almas com as diversas tradições.

Pessoa era exímio. Levou a cabo uma leitura astronómica-astrológica, baseando-se numa antiga leitura ou entendimento da Geografia Mítica Europeia. Por muito distante que tenha estado do seu Primeiro Rei de Portugal, aproximou-se dos seus ideias, dos seus secretos segredos, da sua investidura nacionalista sobre o que, reproduziu como o «Reino do Quinto Império» - o Reino da Espiritualidade.

E mais não disse, suspeitando nós, que dos milagres portugueses ou desta confluência espiritual com que nos regemos, nós, os Portugueses, tendo a certeza dessa substância alimentícia de corpo e sangue, sentido e alma, tudo nos é dado se o soubermos aproveitar e consciencializar dentro de nós também.

Todas as dinastias territoriais assim o confirmam. Sobrevivemos a tudo, na magia e no esfuziante deslumbramento, mesmo quando julgamos tudo perdido. Somos um povo genericamente abençoado mas mal aperfeiçoado; e isto, na cósmica dinâmica de uma corrente energética indissociável da espiritual manifestação de graça; tal como Fernando Pessoa o projectou (tal como o trajecto solar que patrocina as penínsulas mediterrânicas, concedendo-lhes a tarefa de ancestrais reitoras civilizacionais da Humanidade).

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Tal como a Lua que é iluminada pelo Sol, também nós temos de sair das sombras, por detrás das nuvens da ignorância, do acanhamento e da intolerância entre uns e outros. E tal como Pessoa afirmou um dia: «Ser Português não é ser-se português, é Ser Tudo!» Ou como o Padre António Vieira terá dito também certo dia: «Para nascer, Portugal, para morrer, o mundo!» E que mundo será esse, se o não soubermos entender em primeiro???

Somos todos a luz, a fonte, a energia e o saber...
Somos a luz da luz; de Ophiussa à actual nação da República Portuguesa que tanto em si esconde, que tanto em si reverte, sob outras luzes que não as da ribalta, e se perpetua sobre o que um dia os deuses lhe concederam e o Supremo, o glorioso Deus de Todas as Coisas lhe consignou.

Somos os heróis do nosso tempo; somos os ícones da nossa própria História que todos os dias e todas as noites fazemos sobre nós. Somos o Portugal do «ser», portadores da espada Excalibur da tradição graálica, que, tal como Pessoa escreveu e profetizou um dia a esta pertencer:

« Que auréola te cerca? / É a espada que, volteando, / Faz que o ar alto perca / Seu azul negro e brando. // Mas que espada é que, erguida, Faz esse halo no céu? / É Excalibur, a ungida. / Que o rei Artur te deu. // `Sperança consumada, / S. Portugal em ser, / Ergue a luz da tua espada / Para a estrada se ver!»

Para finalizar esta temática sagrada - em geografia e autonomia topográfica da alma portuguesa - a Terra Prometida, a das escolhas e desejos, aventuras e ensejos, só poderá ser aquela que fizermos em nosso próprio seio, em nosso próprio destino na colheita do que semearmos, na sementeira do que houvermos botado à terra sobre as nossas origens, sobre o nosso futuro que mais não é do que todo o passado e o presente juntos; neste ou noutro universo qualquer.

Mesmo que dotados de muitos «eus», de muitas personagens/personalidades ou ambiguidades confusas - e histórias repartidas em projecto holográfico, subdividido ou multifacetado em realidades extremas (ou apenas difusas e complementares do que ainda não compreendemos) - só temos de acatar, sublimemente aceitar, pois não longe virão os tempos em que teremos mesmo de acreditar que somos todos um projecto de vida de um grande alcançar.

Sobre a luz e sobre a esperança, esse, o nosso requisitado lema do amanhã que começa já hoje e nos faz aguardar em serenidade e beneplácito o que Deus do Universo ou os seus súbditos seres do Cosmos nos quiserem ofertar... Até lá, só temos de esperar...