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segunda-feira, 24 de julho de 2017

NASA - Moon, Mars, and Beyond

50 Years of Mars Exploration

Descoberto navio de guerra do século 16 com tesouro

Memórias do Mar (II)

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O que a História nos conta do que os mares nos escondem - e reservam - ante toda uma misteriosa conformidade do que o Homem pode e a natureza marinha nos acolhe, ante também toda a beleza envolvente que se não deixa admoestar perante os uivos dos lamentos dos que já se foram...

«De Veneza chegaram agora cartas. Um português me escreve agora que as naus d`especeria (especiaria), que os venezianos lançaram nova que lhe vinham, fora tudo bulra (burla, engano ou fraude) e que nam (não) havia especeria nem naus por onde Vossa Alteza deve crer que a Índia está bem guardada. Escreve-me este que todas as cartas que vem de Constantinopla falam da grande armada que o turco faz pera (para) a Índia».

                          1531, Flandres: carta de Dom Pedro de Mascarenhas de Bruxelas ao Rei de Portugal.
                                  (Gavetas, 1964, tom. IV, p. 113 - História de Portugal de José Mattoso)

Havendo a coerência e talvez persistência dos que acorrem ao chamamento do mar ou, à procura do que então lhe ficou submerso na quantidade disforme do que este recolheu em si, em tesouros e em bem graças (de moedas de ouro a artefactos valiosíssimos), o Homem atendeu-se e submeteu-se à mais cruel capitania da sua vida: A ambição desmedida de enriquecer pelo que outros desmereceram e deixaram petrificar no fundo do mar.

À medida que os níveis dos Oceanos e das águas interiores do Planeta se foram alterando - pela força da Natureza ou mais recentemente pela acção do Homem - e os mares e os rios se transformaram em vias de comunicação, os homens foram deixando testemunhos da sua passagem nas profundezas das águas: de pinturas rupestres a povoações submersas (passando obviamente, pelos naufrágios), segundo Mónica Bello nos relata sobre os Enigmas da Costa Portuguesa.

Mas mais há e haverá certamente. Desde o esbulho territorial ao marítimo; e isto, ao longo dos séculos no intento e na consideração política das nações que se debatiam ou esgrimiam entre si, sobre a potencialidade dos mares e de suas riquezas.

A Expansão dos Impérios alada aos caprichos da Natureza (com influência inevitável das alterações climáticas) veio pôr a nu - ou a descoberto - certas e determinadas realidades que se supunham enterradas/sepultadas há muito no mar; de entre elas, as irrefutáveis provas dessas tão imponentes rotas comerciais que as gerações passadas edificaram - e para as seguintes identificaram - como um dos mais gloriosos eventos marítimos do passado, não fossem os piratas, os terríveis corsários de outros intentos, outras manigâncias (mais coercivas e de grande violência) de roubar, violar e usurpar o que outros detinham por «similares» roubos, extorsão ou estupro a outras terras, outras gentes...

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Do Império Atlântico quinhentista à razia nacional de umas quantas traineiras em actividade piscatória ou, na versão moderna da era actual do século XXI (esta menos aventureira mas mais eloquente e voluntariosa), numas quantas fragatas portuguesas da Marinha Portuguesa que se prontificam (em tripulação e armada portuguesas) a recolherem os exilados/migrantes/refugiados da Síria, Afeganistão, Iraque, Eritreia e outros tantos que se fazem ao mar para fugir à fome e à guerra, sem tesouros, sem nada de seu...

O que a História nos conta...
Segundo nos relata José Mattoso, o prestigiado historiador português, no seu livro/enciclopédia da História de Portugal - O Império Atlântico - advogava-se por uma Conjuntura Política Internacional, com a ascensão dos Países Baixos do Norte e da Inglaterra, sobretudo a partir de 1573, redistribuindo assim a configuração do mercado mundial.

A Pirataria Moura, bem mais grave e depredadora que a francesa ou inglesa, obriga a um recolher do grande comércio. Mas, com essa redefinição, e em que Lisboa perde sobejamente, os pequenos portos e de um modo relativo ou até pontual, mostram-se mais activos num ritmado jogo de balancé, segundo alguns extractos. (Cortesão, 1940; Mauro, 1960, pp. 491-492). É que a Economia do Império Atlântico, ao contrário da do Oriental, não passava obrigatoriamente pelo filtro das estratégias dos organismos centrais da coroa.

A Colonização do Brasil, ao contrário da exploração quatrocentista da África - ou depois quinhentista da Ásia - não teve, de início, a participação directa do Rei. Este reserva para si e apenas, os direitos do pau-brasil, o estimado corante que acabou por dar o nome à terra nova que Pedro Álvares Cabral avistou em 22 de Abril de 1500 (...).

Mattoso afere ainda de que, O Comércio Régio, no entanto, com dificuldade se consegue manter no almejado domínio monopolista. E reforçam-se reestruturações tonteantes, que se iniciam por 1560-1570, com outras formas menos centralizadas. Até espacialmente!

Mantendo o exclusivo do Grande Comércio Oriental, mas erguendo-se outros portos (como de partida e de chegada dos tratos atlânticos), a posição relativa de Lisboa monopolista enfraquece-se; mas nem por isso alguma outra cidade se lhe aproxima...

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Da Antiguidade para os nossos dias (2015): Atlântida e os seus mistérios... artefactos e minérios agora encontrados sob o destino ou segredo dos deuses que nos contam de outras histórias...

Recuando no tempo...
Uma equipa de mergulhadores italianos descobriu de uma embarcação naufragada há cerca de 2600 anos (ou mais exactamente há 550 anos a. C.) - na região de Gela, a 300 metros dos seu porto, no sul da Sicília, ou seja, nos mares de Itália - 39 barras de Oricalco (orichalcum), mineral lendário ou mítico que, segundo Platão, se encontraria em vasta profusão sob a terra ou sob o mar de minas perdidas dessa tão esplêndida terra denominada: Atlântida.

«Nada similar jamais havia sido encontrado», convicta afirmação de Sebastiano Tusa da agência marítima local ao Discovery News. Acrescenta em tom efusivo mas conhecedor:

« Nós conhecíamos o Oricalco (ou orihalcon) de textos antigos e de alguns objectos ornamentais». De acordo com Tusa, a descoberta chama a atenção para a importância da cidade no cenário económico e cultural do Mediterrâneo, da época. Remata dizendo: « O achado confirma que cerca de um século após a sua fundação em 689 a. C., Gela veio a se tornar uma cidade rica, com oficinas de artesanato especializadas na produção de artefactos valiosos». Concorda-se com tal.

O que Tusa não soube explicar mas os especialistas mais em pormenor e concordância admitiram posteriormente, foi, de que se trataria de uma liga metálica semelhante ao Bronze, obtida através da reacção entre os minérios de Zinco (15-20%), Cobre (75-80%) e Carvão, além pequenas quantidades de Ferro, Níquel e Chumbo (por rigorosa tecnologia realizada através da fluorescência de raios-X).

Todavia, a sua composição, bem como a sua origem, continuam incertas ou ainda por identificar devidamente, uma vez que os analistas científicos ainda em debate, não chegaram propriamente a uma conclusão definitiva ou assaz convergente sobre essa sua origem. Esperemos então pela confirmação do que se tratará efectivamente este tão misterioso ou lendário mineral que tantos coloca em sua análise e aprofundamento.

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Arqueólogos em escavação na ilha de Al Hallaniyah, em Omã (foto gentilmente cedida  pela Blue Water Recoververies, BWR). Nau de Vasco da Gama descoberta, em Omã, há cerca de 20 anos; mas só agora se sabe desta e, ao que se presume por actuais averiguações, tratar-se-à de uma nau da frota de Vasco de Gama, o tão famoso navegador português, aquando a sua segunda viagem à Índia, na ilha de Al Hallaniyah, no sultanato de Omã.

A Polémica!
No primeiro texto apresentado, inferia-se tratar-se de uma nau de Vasco da Gama de sua pertença e nome: Esmeralda. Até aqui, tudo bem. O que se segue é que já não condiz com as últimas aferições do que entretanto todo um processo evolutivo de argumentação e esclarecimento se lhe sucedeu (ou que em maior registo se foi debatendo); porém, também em maior confusão mas também maior trato, segundo os especialistas.

Segundo a publicação do International Journal of Nautical Archaeology sobre o espólio recuperado, sublima-se então: Existe a principal hipótese que os materiais identificados pertençam à nau Esmeralda, muito embora se reconheça que estão ali documentados dois naufrágios, em 1503 (numa referência directa à nau São Pedro, embarcação que também faria parte da frota de Vasco da Gama).

Estes dados estão presentes no artigo desta publicação, que são da responsabilidade de David L. Mearns, director da BWR (empresa britânica de salvados marítimos em associação com o Ministério do Património de Omã) , de Bruno Frohlich, antropólogo da Smithsonian Institution e ainda do arqueólogo, David Parham, da Universidade de Bournemouth, no Reino Unido.

Segundo o que dita o jornal Público, estas duas naus eram comandadas por Vicente e Brás Sodré, tios do tão bravo navegador português, Vasco da Gama, e que, num pequeno esquadrão de 5 embarcações com um objectivo preciso (por obra, missiva e graça d`El-rei e Senhor Dom Manuel I) de se dedicarem a combater os muçulmanos na costa do Malabar (e à entrada do Mar Vermelho), assegurando o controlo do comércio de especiarias.

Ignorando as instruções do Rei, passaram eles, os irmãos Sodré, ao saque total dos navegantes árabes por aquelas zonas. Actuando como verdadeiros corsários, a pena capital foi divina, senão justa ainda que cruel, tão cruel quanto os actos impunes que entretanto eles fizeram, não se apiedando das suas vítimas que degolavam e mandavam ao mar, ficando-lhes com os tesouros, as riquezas.

A ganância tem limites e a tempestade pôs freio então a esta: os irmãos Sodré morreriam sob os escombros do saque e da malfazeja vida que até então levaram, naquele fundão de baía amaldiçoada ou de justiça aplicada, segundo alguns.

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Esquadras que imperavam e, ultimavam, quem afronta lhes fazia; até mesmo indo contra ordens e seguimentos por palavra e lei de seu rei. Tesouros que o mar esconde mas outros descobrem em ordem e palavra de outra lei, outra grei, e quiçá de outros senhores...

Debate e análise...
Luís Filipe Vieira de Castro, da Universidade do Texas, não corrobora desta tese, do espólio ser de pertença da nau afundada, Esmeralda (ainda que admita ser plausível a sua história assim como os artefactos encontrados serem da primeira metade do século XVI).

Vieira de Castro enaltece ainda: «Não creio que se possa identificar o navio, como não se pode identificar a Nossa Senhora dos Mártires, em S. Julião da Barra (Oeiras, Portugal). Mas esta colecção de artefactos bem estudada (pronunciou o investigador ao Público), pode contar mil histórias fantásticas, não só sobre Portugal». Mas vai ainda mais longe no ímpeto verbal:

«Faz-me pena ainda andarmos dentro deste paradigma das nacionalidades. A Expansão Portuguesa é uma história de cosmopolitismo», reverte este professor sob a égide dos muitos estudos por si efectuados (navios ibéricos do século XVI), no que também classifica o achado, associado ou não à frota de Vasco da Gama, como, extraordinário!

Opinião igual tem José Virgílio Pissarra, historiador naval e investigador do Centro de História da Faculdade de Letras de Lisboa, em Portugal, que admite sim, que eventualmente se pode tratar das naus dos irmãos saqueadores Sodré mas não da aferição do espólio à nau, acrescentando ainda que é insustentável (do ponto de vista científico) quem o possa afirmar com toda a certeza, uma vez que se encontram dois navios naufragados nessa mesma zona.

 No entanto, Pissarra reconhece: « A confirmar-se que o espólio saiu das naus dos Sodré, podemos dizer que nunca antes se tinha localizado um naufrágio da armada de Dom Manuel I, no Índico!»

Este autor de uma tese de mestrado sobre esta armada - José Virgílio Pissarra - reverbera que na fase inicial do comando de Vicente Sodré, a frota era ainda pequena (de apenas 5 navios, passando para 200, só em 1530). Refere peremptoriamente que:
«É a Primeira Armada Europeia com um destacamento transoceânico. É algo de realmente novo!»

Sem haver provas conclusivas de que o espólio encontrado pertence à nau Esmeralda num manancial de 2800 objectos capturados, Pissarra pontua também de que os achados revelados de balas com inscrições em «VS», podem ser identificados como «AS» e não VS, de Vicente Sodré, de leituras ou interpretações erradas... no que sugere não se tratar efectivamente das naus correspondentes aos irmãos corsários Sodré de proveitos próprios - em desordem ou desmandos seus - pela palavra e leis a eles dadas de seu rei Dom Manuel I, Rei de Portugal.

Manufracturados ou não no século XVI (todos estes materiais agora recolhidos) - podendo terem-no sido no século XV, segundo Tânia Casimiro, arqueóloga e investigadora da Universidade Nova de Lisboa, Portugal - e que estudou muitos dos materiais deste espólio, há que se ser cauteloso na análise e na conclusão.

Em relação ao artigo publicado por elementos e responsáveis ou associados ao BWR,  existe a garantia oficial de que todos os artigos/artefactos resgatados e por eles recolhidos serão mantidos numa Única Colecção Coerente (seja lá isso o que for...) e que será - obviamente - de futura propriedade do Ministério de Omã, numa também futura exposição no novo Museu Nacional de Omã.

Há ainda a registar que, foi este mesmo sultanato de Omã quem financiou e incentivou o trabalho de investigação, aparte ou excepção das bolsas que David L. Mearns recebeu da National Geographic Society e da Fundação Waitt.

Como Omã não rectificou a Convenção sobre a Protecção do Património Cultural Subaquático da UNESCO (em 2001), ficámos a saber, nós - portugueses - que o acesso ao sítio do naufrágio depende da sua cooperação, mesmo sendo um navio com pavilhão português.

E mais se inquiriu, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros em email enviado ao jornal Público, sobre a suposta eventualidade de, um dia, em futuro próximo, se poder fazer uma exposição de todo esse espólio (ou de parte do acervo, o que já não era mau de todo...), em Portugal. A resposta foi unânime mas também, de certa forma, pusilânime ou de uma impotência atroz, afirmando-se:

«Dado o estado em que se encontra a investigação científica, será prematuro especular sobre o espólio encontrado». Em bom português, dizemos nós, todos os portugueses, estamos conversados. Mais uma vez, se viu imperar a sensatez geo-estratégica de não se ferirem susceptibilidades ou inconformidades de ordem suprema, de ordem tangivelmente exo-política - igual ou tão mítica quanto os naufragados navios e seus achados por esse mundo fora.

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Vasco da Gama, o nosso maior navegador português! Nasceu em Sines em 1468/69 e faleceu em Cochim, na Índia, a 24 de Dezembro de 1524.

O Nosso Grande Vasco da Gama!
Vasco da Gama descobriu o caminho marítimo para a Índia (onde chega a Calecut, em Maio de 1498) na sua viagem inaugural, conhecida como «A carreira da Índia», indo numa frota exemplar da caravela Bérrio, nau de São Gabriel - esta, capitaneada por ele, Vasco da Gama - e a nau São Rafael. E isto, quase 10 meses depois de ter deixado o Reino (o quase equivalente a uma nossa futura ida a Marte nos dias de hoje...).

Mas, como em tudo na vida, há que o dizer (não escolhendo nós família), e Vasco da Gama deparar-se-ia com os mesmos dislates e contradições de muitos de nós, a ter de limpar o seu nome por vias de seus apaniguados e aparentados tios piratas, que a nação e o Reino de Dom Manuel I, haviam ofuscado ou quiçá conspurcado com tamanha ambição desmedida e fraco poder de decidirem por eles, no saque a na abastança de outros reinos, outros senhores...

Em todas as famílias raia a maldição, a insensatez ou a perdição de ir contra quem manda e coordena; neste caso, os seus tios, os tão ingratos irmãos Sodré que tudo aviltaram e tudo pagaram com a própria vida. Maldição, ou justiça feita ante tamanha ingratidão e deslize...?

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A Lisboa dos Descobrimentos e que, actualmente, nos enche de orgulho  (mas também estranheza e insubmissa vontade) de lhe não sermos menos do que uma ténue ou leve mestria do que outrora foi - em sumptuosidade e riqueza de caravelas abertas ao mundo - de rotas comerciais desempoeiradas e fantasticamente empenhadas em progressão de domínios marítimos e, colonização de ilhas, por parte dos portugueses.

O Comércio Ultramarino
Lisboa é o Porto, Lisboa É o Mar Oceano! Quem o afirma não se confunde com esta outrora realidade dos Descobrimentos Portugueses. E se Vasco da Gama tão bem lhe soube cuidar, melhor houvera saber incorporar em toda a linha de navegação de tantos mares, tantos oceanos por si já navegados. Depois de limpa a sua imagem (que nunca houvera estado suja ou prenhe de algo infesto, terá dito o sue rei...) Vasco da Gama impera-se em novas rotas, dele e de muitos, em ouro, malagueta, marfim e escravos africanos nos fins do século XV.

Depois de iniciada a conquista, navegação e comércio da Índia, as exóticas e ricas especiarias, as raras drogas das partes do mundo Malaio-Indonésio, mais tarde as louças e sedas da China.
Vinha já o açúcar da ilha da Madeira, das ilhas de Cabo Verde (pouco) e de São Tomé, depois as generosas quantias produzidas no Brasil, que dá ainda o pau de de tinturaria e o tabaco.

Antes de, o Príncipe Dom João tomar conta da Expansão Comercial Portuguesa, a coroa tivera arrendado o comércio africano. Das condições do contrato, fazia parte a progressão do reconhecimento do Litoral Africano. Com esse reconhecimento avançou também o resgate de mercadorias.

Portugal instala-se nesse cavalgamento de espaços diferentes e neste alargamento de uma Economia-mundo a outros horizontes que, vão assim caracterizar a alvorada da Modernidade, segundo o historiador José Mattoso.

«Em nenhuma parte do mundo, e muito mais no Oriente, se negocea (se negoceia) sem os presentes irem diante», prosápia e esclarecimento de Bõtaibo (nome estropiado de Mõçaide) - o mouro tunisino de relevante papel no no primeiro contacto entre os seus velhos conhecidos portugueses com o senhor de Calecut (Castanheda, 1979, livro I, cap. XIX, p. 53).

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Navio-galeão San José, na costa do Caribe-colombiano (Cartagena das Índias): naufragados os destroços (há cerca de 300 anos), incumbe-nos a persistência de o divulgar, no que seria um galeão, uma nau frutuosa de grande ou valiosa riqueza em si.

De pertença ou origem espanhola, este galeão - San José - continua ainda hoje em batalha metafórica; ou seja, em sequência (e talvez sequela) verbal e política com os britânicos, nessa guerrilha política na aquisição e, pertença agora a quem de direito, em avolumada carga de ouro e pedras preciosas.

Achados que se perdem no tempo...
Naus que se afundam, homens que naufragam e morrem, tenham sido pelas mãos dos Sodré quer pelas de Malik Ayaz, Governador de Diu - e principal adversário dos portugueses no Gujarate - tudo se perdeu então. Essa perca era de todos; as das almas e as das embarcações, estas perdidas para sempre, no que houveram sido as mais bem preparadas, as mui aladas para o combate naval que lhes não deu saída mas afundamento, para sempre, nas suas mui parcas vidas de marinheiros e homens de bem, por outros que o não eram, acredita-se.

E desses achados agora que é feito? E que nós, portugueses, raiámos e demos mundos ao mundos, nessa tão eloquente mas também já tão estafada ou inútil frase-cliché de termos sido grandes e, hoje, tão pequenos e tão omissos quanto a mais pequena bactéria (ou microbiológica qualquer coisa) que nos faz ser, em subserviência e quase demência, uns seres abjectos de força nenhuma, de querer algum ou de vontades cimeiras que nos levaram a outras terras, a outros ideais, em tempos perdidos que não achados como os de agora - os de ninguém ou de alguém que se faz passar por nós; e isso é triste, muito triste, digo-vos eu de aquém e além-mar.

Afinal, Nós, Portugueses, temos uma Alma Velha de outros tempos e outros afagos, sentidos e afectos, como se diz agora; mas somos novos (descendentes dos cristãos-novos e outros...) e sempre acreditámos que algo pode mudar; que algo vai mesmo mudar... seja hoje, seja sempre... Oxalá tal se cumpra, por nossa bênção de terra e mar!

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Arqueologia Subaquática, no rio Arade, Portimão (Portugal). Rio Arade (Algarve): o que o mar nos reporta em lições e aprendizagem de tudo o que neste se insere e acoberta de tantas naus, tantos sonhos agora depositados no conhecimento dos homens, dos que querem saber mais, atingir mais.

Atlântida, ou apenas a extensa língua oceânica...?
E se tudo não fosse um mar de magia, de glórias de outros tempos, ser-nos-ia a História recontada de uma outra forma, uma outra alegoria que seria, de futuro, tudo aquilo que outros homens já viram...!

Quando alguns afirmam serem os despojos de Atlântida e outros, mais comedidos, o lançam sobre outras idades, outras geografias ou mesmo outros tempos de navegação/civilização romana e outras (das tantas que por cá já tivemos e que por cá exibimos) que nos são, agora, os mais fiéis testemunhos de uma terra que já foi mar, oceano - e tudo o mais - e agora se descobre em maravilhosa condição subaquática dos não menos maravilhosos homens-peixe (na arqueologia subaquática) que tudo evocam...

Naus de Colombo, «O Velho»
Algarve (1476): Em finais de Agosto, reza a História, ou princípios de Setembro de 1476, quatro navios genoveses - e um flamengo - dirigiam-se de Cádis para a Flandres, quando, ao largo do cabo de Santa Maria, encontraram uma forte armada navegando sob bandeira portuguesa.

Doze navios pertenciam a Colombo - o Velho - corsário genovês que, já por várias vezes tinha prestado serviços à coroa de Portugal; os restantes (entre 3 e 5, não se sabe ao certo), estavam sob o comando de Pêro de Ataíde (o mesmo que, em 1503, posteriormente então, terá ficado à frente da frota reduzida a 3 embarcações, ordenando que se recuperasse toda a carga possível e se queimassem os destroços visíveis das naus, aquando a tal tempestade fatal aos irmãos Sodré, ainda que Brás tivesse sobrevivido a Vicente mas falecendo pouco tempo depois) na história aqui anteriormente referida mas de futuro anunciado para Ataíde, sem que ele o soubesse de antemão...

Tornando a 1476: Esta Armada Portuguesa, comandada (e combinada) por Pêro de Ataíde devia correr e proteger os mares do Algarve contra Castela, já que, mais uma vez, ambas as nações se encontravam em guerra. Às cinco naus estrangeiras, no entanto, de nada valeu mostrarem o salvo-conduto do rei de França, aliado de Portugal contra Castela.

Para Colombo, o corsário, era suficiente a suspeita de que as naus iam ricamente carregadas, para se lançar ao ataque. Quatro navios da armada combinada abalroam então duas naus genovesas e a nau flamenga, pondo-se as restantes duas em fuga.

Rezam as crónicas que o combate nos navios foi feroz, com arremessos de pedras, lanças de fogo e combates corpo a corpo. Mas, no calor da batalha, ninguém reparou que as sete naus - empurradas pelo vento - acabariam por ficar encostadas umas às outras. Bastou que uma delas pegasse fogo para que este alastrasse às outras, acabando por se perder todos os navios.

Na tragédia terão morrido cerca de 2000 homens, entre Genoveses, Flamengos, Franceses e Portugueses. A maior parte deles afogados, uma vez que a costa se encontrava demasiado longe para se salvarem a nado.

Reza a lenda também de que um dos que terá conseguido chegar a terra, agarrado a um bocado de madeira, foi Cristóvão Colombo, que iria embarcado na nau do seu parente Colombo, o Velho.

Como no caso de tantos outros navios naufragados na costa portuguesa, também neste não se sabem mais pormenores sobre a localização exacta da batalha ou, a carga que os navios abalroados transportavam.

Curiosamente, Quirino da Fonseca, no seu livro: «Os Portugueses no Mar», refere que, nesse mesmo ano de 1476, Pêro de Ataíde terá morrido o decurso de um combate contra quatro navios genoveses ao largo do cabo de São Vicente, perdendo-se numerosas embarcações na sequência da explosão de um barril de pólvora. O que se sabe, é que Pêro de Ataíde, o verdadeiro, terá falecido em 1504, no Índico (Moçambique) no decurso da viagem de regresso ao Reino (Portugal) que nunca chegou a vislumbrar.

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O eterno espólio português, descoberto agora, sobre naus e navios da Armada Portuguesa na estonteante e rica época dos Descobrimentos. Naus afundadas por ventos e marés, naufragadas por canhões ou invasão de corsários e tantas outras intempéries e não só atmosféricas, que levaram a que tudo se perdesse de seu rumo e destino. E que destino será agora esse, por tantas mãos desejadas???

Império e Impérios
Segundo ainda José Mattoso, no sua epopeia bibliográfica que reverteu nos mui elaborados livros sobre a História de Portugal, terá afiançado a todos nós portugueses, em cunho e conhecimentos, de que apesar dos ataques que Holandeses e Ingleses nos desferiam um pouco por toda a parte (e isto, extensível até meados de 1620), conseguimos sobreviver.

E, de tal forma o fizemos, que nos chegavam produtos dos reinos e senhorios ultramarinos, que atraíam «navegações de todos os Reinos»: da Galiza e Biscaia, de França, Flandres, Inglaterra, Dinamarca, Polónia, Alemanha e outras partes, trazendo pão, carnes e queijos principalmente.

Do Mediterrâneo, vinham navios da Andaluzia e demais Espanha, Itália e Grécia (ou mesmo de África). Mas o grande comércio ainda era o que tinha como origem a Ásia e, crescentemente, o Brasil (o açúcar) e a África atlântica (escravos).

O Império Comercial Português, começado em fins do século XV pela África a sul do Sahara, depois do auge oriental, redefinia-se então como atlântico (Cortesão, 1940, p.70).
O que se autentica aqui, é que um dia fomos poderosos - e ricos! Parca fortuna de quem não sabe guardar na História esse ou esses Impérios perdidos...Imagem relacionada
«Flor do Mar», a actual réplica da antiga nau de Afonso de Albuquerque, sitiada hoje no Museu Marítimo de Malaca, na Malásia. O que outros intentam (no bom sentido) e os seus esquecem... na infelicidade sempre presente de, outros fazerem jus à nossa História Portuguesa, e nós, o negligenciemos... dizendo então à boca fechada, que somos pobres, demasiado pobres para reinventar a nossa história marítima perdida...

Império ou Impérios...?
Império e Impérios, cujas configurações e espaços sofrem modificações estruturais a uma escala agora mundial. A Economia-mundo é um conjunto de actividades convergentes e, conflituais, que sofrem modificações e também crises. Ainda hoje assim é, admite-se.

Segundo explana Mattoso, algumas dessas modificações e crises são tão profundas que só se resolvem na busca e assentamento de diferentes espaços, resultantes de expansões e contracções (Godinho, 1978, pp. 247-280), o que se legitima actualmente até em relação ao Espaço; ou seja, ao próprio Universo...

De Dominações Económicas e Políticas,, que mudam de sentido e de mãos. Que afectam os preços correntes como a vida das pessoas, na generalidade. Que abrem para profundas perturbações como para enquistamentos sociais. Não há um factor ou factores previamente determinados que permitam a arrumação e, predeterminação da conjuntura. Nem a regularidade das crises cíclicas vai além de uma tendência. Mas, a Economia-mundo, vai-se construindo sempre através de crises, que, uma vez resolvidas, geram consequente ou ciclicamente também, numa periodicidade tendencial.

Não se pode colocar um fim neste texto, sem se aludir ao que José Mattoso reitera sobre «Império e impérios» sem antes confidenciar aqui que, o Capitalismo Mercantil, ao articular realidades e espaços económicos diversos, faz com que se repercutam a uma escala antes impossível as alterações - e flutuações -  que antes apenas afectavam confinadas economias e sociedades relativamente estáveis.

O Mundo mudou e nós, com ele, infere-se. Segundo a História de Portugal de José Mattoso, o Mundo mudou, porque agora há mais mundo! Daí que a célebre e mui portuguesa frase, eclética sim mas sempre verdadeira nos nossos portugueses corações de tantas almas - as de ontem e as de hoje - «dar mundos ao mundo» não seja de todo em vão, mesmo, para as gerações futuras do que hoje se descobre e ramifica desses antepassados e dessas economias-mundo de que Mattoso fala.

«Lançam-se os primeiros e ainda imprecisos delineamentos da Modernidade. À escala do espaço do Planeta, que entretanto se fora descobrindo e construindo». Assim é. Sabemos-lo todos ou quase todos; ou até aqueles que fingem esquecê-lo!

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Padrão dos Descobrimentos na evocação do maior feito português! Em fundo, um dos nossos mais emblemáticos monumentos de eleição em homenagem aos Descobrimentos - A Torre de Belém (Lisboa) - que concerne uma das mais belas peças arquitectónicas da nossa Nação-Estado.

Algo que nos lembra - ou relembra - um grande passado histórico da circum-navegação marítima; além as almas que por esse mar ficaram, do corrosivo escorbuto às ratazanas que lhes roíam os pés e as mãos, aquando definhavam razões ou outras sensações de maior (não fora a loucura imediata, as febres, as náuseas e os vómitos certeiros de agonia imensa) e o suicídio não que seria desonra, tal o débil estado mas consciência de outro (Estado como nação a defender) desses homens mártires sob as mais rudes condições havidas no mar.

Ser Português e ter uma alma de sal...
Por mares nunca antes navegados, por terras nunca antes desbravadas, somos nós portugueses, a maior de toda a perdição - que não rendição - a outros ventos, outras marés, e até outras glórias de outras galés. Bebemos lágrimas de sal e de conduto nunca havido; choramos por quem perdemos mas sorrimos por quem nos dê honras e outras lisonjas de aquém ou além mar, pois que fomos pioneiros e hoje somos apenas aventureiros de outras migrações, outras obreiras verdades de cruzarmos o mundo...

Somos o que somos; somos o que fizeram de nós em esventre de um passado recente ou de um futuro distante que tudo pode, que tudo maneja e tudo volteja consoante as brisas, as correntes, ou as dementes insinuações de que somos pobres, fracos e imprecisos, depois de lestos colonizadores e maus perdedores de terras que nunca foram nossas.

Somos uma nação de muitos mares, muitas oceanias e porquanto assim seja (do que já foi) ser-nos-à, talvez, uma outra, ou mais afortunadas vitórias de outras histórias de almas devassadas, amortalhadas quem sabe? mas justiçadas agora, mesmo que expostas ou não no fundo do mar.

Somos almas que se afogaram mas que nadaram mundo fora; que se deixaram engolir pelo infortúnio das ondas e desse sal, amargo e sem glória, de nos termos sufocado e orgulhosamente enfunado sobre outras que se finaram. Mas somos almas boas, sãs, e com algum decoro ainda de, sentirmos que valeu a pena, pois que, como diria o poeta, a alma não nos é pequena, e nisso, todos estamos de acordo.

Seja num turismo exacerbado ou naquela legítima hospitalidade que nos identifica como povo simpático e de bem acolher ou receber, hoje  e sempre, seremos aquele mesmo povo que um dia se abriu ao mundo, franqueando a razão de existir, libertando esse voo ou essa ânsia de ser mais, procurar mais, ser por ser, apenas isso, seja onde for, como for, deixando-se noutros mundos entrar; aqui e lá, onde houver mar e terra por encontrar.

Portugal, no mapa, é mais, muito mais do que o seu registo de quem o vá procurar; cabe-nos a nós agora, portugueses, no-lo mostrar - ou Cristóvão Colombo jamais se perderia - não fosse este seu percurso, seu berço e alquimia, ainda que muitos o neguem e digam ser genovês, catalão ou português (espião e ao serviço de Suas Majestades, os reis portugueses que não os de Castela, os católicos), para onde Colombo se dirigiu em avença de «procurar» ou descobrir as Índias, sabendo serem as Américas... mas isso é uma outra história que Memórias do Mar evocará, se esta terra, este mar, e esta minha língua de Camões assim o permitirem... Até lá!

terça-feira, 18 de julho de 2017

Caravelas, Naus e Galeões Portugueses, um choque tecnológico no sec XVI ...

Memórias do Mar (I)

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Navios naufragados: Fantasmas adormecidos, submersos nas memórias do mar! (imagem do JN, exibindo os destroços do submarino alemão U-581 da Segunda Guerra Mundial encontrados no mar dos Açores, no dia 13 de Setembro de 2016).

Há quem lhes chame cápsulas do tempo. Há quem lhes consigne a maior fortuna em reduto último do conhecimento e da memória até aí ausentes, sobre tudo o que guardavam, sobre tudo o que legitimavam - e muitas vezes ocultavam - de mundanos segredos de rei e de alcofa, de tesouros  e arcas sagradas, revestidos todos, de uma miríade incomensurável de riquezas e outras pertenças que não haviam de onde houveram partido.

E muitos, no-lo puderam mostrar, pois jazeram para sempre nos despojos dos seus navios, nos destroços amaldiçoados desses fantasmas adormecidos que, hoje, se alumiam assim que os investigadores e homens do mar se anunciam, em total afronta e desventura, desta sua sonolência mórbida que dá protecção e guarida a todos no fundo do mar...

E das memórias que nos fica então: dos sussurros, dos sons magoados, destilados no tempo e sobre um vento que os não apazigua, dos lamentos, ou da ausência dos sonhos e das esperanças do que sobre tantos mares se domaram, tantos cabos se dobraram e tantas vidas se ceifaram...?

E quantos gritos ecoaram, quantas lágrimas se derramaram, quantas vidas pereceram ou quantas almas se perderam, por tanto lhes teres roubado, Ó Mar...?!

E se em vão tantos choraram e se em vão todos se perderam, por entre gemidos e lamentos, súplicas e tormentos, que dizer dos que ficaram sem chão para governar, sem tecto para albergar tanta dor, tanto desatino sem pertença ou avença de algo poder mudar...?!

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Náufragos: a mera existência ou desistência de quem fez História Marítima, por terra e por mar e deu voz a outros povos, outros ideais, outros mundos ao mundo na diáspora navegante da descoberta e da esperança mas também desesperança de ser ver botado ao mar...

«Os marinheiros olham num estupor o negrume absoluto e total desencadeado, olham-no como a morte, ligados aos mastros, sem uma ideia no crânio diante da catástrofe que redemoinha e grita. (...)
Durante dois dias vivi fincado a uma tábua, molhado da cabeça aos pés, e sem poder tirar os olhos daquele inferno».

                                                 - As Ilhas Desconhecidas, de Raul Brandão -
Cápsulas do Tempo
Há de facto quem o afirme: Que os navios afundados são cápsulas do tempo que congelaram no momento em que iniciaram a sua descida para o fundo, levando consigo armas, objectos pessoais, mercadorias e ideias. Que um navio afundado evoca, em simultâneo, tanto uma história trágica, como os mortos e desapossados costumeiros, mas também uma mudança inusitada, uma colecção esquecida de bens e artefactos abandonados que de repente se coloca ao alcance da nossa curiosidade, segundo as personalizadas palavras de Filipe Vieira de Castro, coordenador do programa de arqueologia náutica da Universidade do Texas, nos EUA (Texas A&M University College Station, USA).

«Ainda há tanta coisa desconhecida...!» Esta, a melodiosa ou quase perdida no horizonte mensagem, aberta agora ao mundo através de Vieira de Castro, ao referir-se a uma recente descoberta (em 2008/2012 em divulgação) de um navio português do século XVI, em Oranjemunde, na Namíbia.

Há aproximadamente duas décadas que este prestigiado investigador e acirrado estudioso das naus portuguesas se tem investido no desenvolvimento de modelos computorizados, baseados nos escassos achados arqueológicos disponíveis. E com ele - e outros - vamos então partilhar esta aventura de um ou mais mares que nos viram um dia ser mastro e corrente, solfejo e maré, aventura e vento; e tanto mais que nos ficou dos que, não voltando, nos quiseram entregar as suas últimas dádivas do que por lá deixaram...

Revela Filipe Vieira de Castro que, para os Arqueólogos e os Historiadores, os navios afundados encerram ainda respostas a perguntas ainda por responder, resolvem mistérios até aí sem solução. Afirma também de que, os navios foram durante milénios as máquinas mais complicadas que os homens construíram e, o estudo das ideias que orientaram a sua concepção e construção, é hoje um dos ramos mais apaixonantes da Arqueologia.

Concorda-se em absoluto com a sua visão, a sua autonomia e brilhante explicação do que nos fez outrora grandes e, hoje, um pouco e apenas mais distantes dessa heroicidade navegante de outros tempos, outras eras...

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Costa Vicentina: Cabo de São Vicente, Sagres - Portugal (imagem aérea que nos dá a óptica e percepção perfeitas da dimensão territorial e marítima que ladeia a costa portuguesa).

Tragédia e Oportunidade
Se para uns os navios naufragados são a tragédia anunciada de tantos desastres marítimos ao longo dos anos, das datas, mas também da certeza do muito que ainda há por desvendar no fundo do mar, existe hoje (como sempre existiu, convenhamos) a oportunidade abusiva e muito pouco altruísta de se saber governar com os despojos dos que sofreram e morreram em alto mar, dando à costa seus tesouros, seus arrecadados, e toda a sua escassa história marítima que aí teve um fim...

A rapina dos homens sempre endémica, sempre sequiosa dos bens de outros, fez acumular de outras histórias o que se hoje se pode ainda reportar de achados em mãos alheias e outros recatos perdidos no tempo; além a demanda geopolítica entre Portugal e Castela.

E dessa História Naval de guerras e batalhas se contam outros contos, como por exemplo, o passado nas galés portuguesas, no Cabo de São Vicente, em Sagres, em 1337 (perfazendo no dia 21 de Julho de 2017, 680 anos passados, em registo e anotação desta ocorrência de confronto entre estas duas coroas europeias, num desaguisado que levou ao afundamento de 6 galés portuguesas e de um número indeterminado de galés castelhanas).

Galés: Cabo de São Vicente (1337)
No dia 21 de Julho de 1337 encontram-se ao largo do cabo de São Vicente, em Sagres (Portugal) duas armadas: galés comandadas por Manuel Pessanha, outra de Castela com três dezenas de galés e naus, sob o comando de Dom Afonso Jofre Tenório.

A Guerra tinha sido declarada no ano anterior porque, entre outras razões, Dom Afonso IV de Portugal (curiosamente o rei mandante da execução de Dª Inês de Castro, o grande e eterno amor de seu filho Dom Pedro) parece que não se conformava com a forma como o seu genro - Dom Afonso XI de Castela - desprezava a mulher, a infanta portuguesa Dª Maria.

O Recontro entre as duas armadas já por várias vezes tinha sido adiado pela força de grandes temporais, obrigando ambas a recolher aos respectivos portos para reparações.
Finalmente, a 21 de Julho de 1337, iam medir forças. A batalha começou por correr de feição aos portugueses, que chegaram a apresar 9 galés ao inimigo, mas, devido provavelmente à entrada em acção das naus de Castela, o recontro acabaria com uma derrota portuguesa.

Quando Manuel Pessanha e o filho são feitos prisioneiros e, o estandarte real de Dom Afonso IV é derrubado, os navios sobreviventes portugueses põem-se em fuga. Rezam as crónicas de que o número de mortos e feridos foi muito pesado para ambos os lados e, Castela, fez ainda centenas de prisioneiros que obrigou a desfilar pelas ruas de Sevilha (como humilhação máxima) com cangas ao pescoço.

Do local exacto da batalha, no entanto, não há notícia. Sabe-se contudo que, algures ao largo do cabo de São Vicente, estará muito provavelmente o que resta de seis galés portuguesas e o tal número indeterminado ainda de tantas outras castelhanas. Uma mui má memória para ambas as partes, reconhece-se; de ambos os lados também...

Todos estes dados históricos foram recolhidos do inestimável trabalho histórico-científico de Francisco J. S. Alves, do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática de Lisboa (Portugal); além o seu talento, tarefa acumulada de mais de 6000 casos de navios naufragados, e a indefectível dedicação à causa da salvaguarda do património cultural subaquático (assim como à dos seus admiráveis colaboradores) que editaram uma obra magnífica de título: «A Costa dos Tesouros» da qual me empenhei em extrair esta referência de 1337, o que desde já agradeço ter o privilégio de ler deliciosa e enigmaticamente todos os textos aqui apresentados.

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Moeda Portuguesa (de cunho real da era quinhentista/seiscentista, no que se admite haver o cunho preciso entre 1525 e 1538). O que o mar outrora colheu e reverteu agora, no deserto da Namíbia, sob os destroços ainda visíveis de uma nau portuguesa do século XVI, de 1533, «O Bom Jesus». Uma empresa da Indústria Mineira descobriu-o e Portugal omitiu-o, ou antes, abdicou da sua pertença...

A Caça ao Tesouro...
Partindo de Lisboa (a 7 de Março de 1533, numa bela sexta-feira) rumou a Goa - na Índia - este navio, O Bom Jesus, que zarpou das costas portuguesas sem saber que se afundaria, para mau grado de seu Rei e Senhor e toda uma população faminta de glórias e fortunas (que se avolumavam com as descobertas e as recentes trocas comerciais entre eles), transportando a bordo um verdadeiro tesouro das Índias...

Moedas de ouro, estanho, cobre e marfim, além de cerca de 300 pessoas (tripulação e comitiva) numa constituição de marinheiros, soldados, padres, nobres e escravos, que tiveram igual sorte e destino de naufrágio num afundamento de pessoas e bens que foi também requisitado ao mar na época por um magnânimo espólio de canhões de bronze, lingotes de cobre, instrumentos de navegação, utensílios domésticos também em cobre (tal a riqueza revelada sobre a coroa portuguesa), espadas, mosquetes, cinco âncoras e um sem número de moedas de ouro - portuguesas e espanholas - e muitos outros artefactos de alto valor cultural e científico.

500 anos afundado e, em excelente estado de preservação, segundo nos relata o arqueólogo Dieter Noli em divulgação à Fox News de um verdadeiro tesouro que se estende por cerca de 13 milhões de dólares e um valor incalculável histórico! Valores que reverterão todos para o governo da Namíbia por suposta e altruísta «generosidade» do governo português que teve a «hombridade» (em sua hermética opinião) de o não requisitar mas antes doar sem aconselhamento, divulgação ou mera compreensão do povo português em tão alto e nobre gesto (incompreensível para muitos) desta generosidade alheia a todos nós. Provavelmente enriquecemos e não sabemos...

Fosse vivo Dom Francisco de Noronha hoje - o capitão português do Bom Jesus - e de novo desfaleceria ou deixar-se-ia afundar com o seu navio, por tamanha carga prestigiosa e rica lhe ter sido sacada de igual modo, pior do que a da guarida e coral aos peixes, que não a outra de uma sua não-bandeira, de uma outra pátria imerecida.

Pior do que não atravessar o cabo da Boa Esperança, é sentir que se não fez justiça a si e aos seus de dentro do seu navio, após cinco séculos de muita espera e pouco desafio - e final infeliz - para quem merecia de facto mais, muito mais! Pena ter-se sido capitão ou comandante português numa salva de desonra e algas, numa salva de desperdício e nada!

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Moeda de Prata raríssima encontrada e que, os arqueólogos identificam como moeda de 1499, aquando a entusiasmante descoberta dos destroços de uma nau naufragada de pertença e comandos de Vasco da Gama, o famoso descobridor português do caminho marítimo para a Índia.

O sonho desfeito de Esmeralda...
Entre 1502 e 1503, Vasco da Gama seguindo numa frota de cinco naus fez-se ao mar, em direcção para a terra das especiarias (Índia). Esmeralda e São Pedro seguiam lado a lado, mas quis o destino que a nau Esmeralda sucumbisse e deixasse para sempre todas as outras.

Acredita-se que Vasco da Gama não tenha ficado feliz nem soalheiro de sorriso ao ver perder uma sua nau para aquele endemoninhado mar de todas as tormentas. Uma tempestade, em 1503, desfez-lhe o sonho de seguir caminho; desta vez, devido à intempérie e não ao seu mau génio de homem dos comandos, de lobo do mar, que aí fez sentir. E tal como a tempestade, se viu esbracejar perante o agitar do mar e toda a sua impotência para o evitar, provocando-se inevitavelmente o naufrágio do navio Esmeralda, na costa da ilha de Al Hallaniyat, na região de Dhofar, em Omã, no Médio Oriente.

O que os arqueólogos hoje afirmam, apesar desta descoberta se ter realizado em meados de 1998 (data da celebração dos 500 anos sobre a rota de Vasco da Gama à Índia), só por volta dos anos de 2013/2015 até agora, é que se aprofundaram nas investigações subaquáticas, segundo informação publicada em 2016, na revista científica internacional «Journal of Nautical Archaeology» que pertence à Sociedade de Arqueologia Náutica de Inglaterra, no Reino Unido.

Um espólio, veio a saber-se depois, de mais de 3 mil artefactos retirados do mar e previamente analisados, em Omã, mas jamais devolvidos à precedência, ou seja, à República Portuguesa; mais uma vez...

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O que o mar esconde e os mergulhadores profissionais, arqueólogos marinhos e demais cientistas se maravilham na descoberta e, honra, do que em secretos lamentos estes fantasmas adormecidos lhes contam...

Retornando ao Bom Jesus...
A ironia de todas as ironias: este navio português do século XVI, quedar-se pela tempestade mas jamais pelo que não lhe coube observar nos reluzentes areais da Namíbia, onde o navio português, destroçado e quebrado, se viria a afundar numa misteriosa costa envolta em nevoeiro - salpicada com mais de 100 milhões de quilates em extensão e profundidade - na mais pura crueldade de que há memória sob os escombros ou esqueletos sem alma de todos os que aí pereceram, sem que vissem esta afortunada riqueza, desafortunada de todos eles!

Carregado de ouro e marfim, nunca chegaria a bom porto, um famoso porto recheado de especiarias na costa indiana. Afundado sobre um tesouro nunca visto, foi a empresa NAMDEB (um consórcio do Estado e da empresa privada De Beers) que se envolveu nesta expedição (não na descoberta em si mas na de minério U-60) quando, junto à foz do rio Orange, na costa meridional da Namíbia, se deparou com tão frutuoso achado.

Nada passou despercebido então a este geólogo, funcionário desta empresa nesse projecto de mineração (de minas ricas em ouro), observando um lingote de cobre que mais tarde se descobriria tratar-se de pertença de um dos mais ricos ou abastados homens da alta finança da Europa Renascentista - Anton Fugger.

D.João III exultava riqueza e concomitantemente disseminava-la através das suas famosas rotas mercantilistas e de comércio agora aberto entre a Europa, África e Ásia. Era digno de muitas invejas, supõe-se; mas neste caso o que interferiu foram somente as tempestades, ao que se sabe.
Só sob a areia escaldante daquela praia surgiram 22 lingotes; canhões e espadas, marfim e astrolábios como já se referiu, mas ainda mosquetes e cotas de malha. Tudo derramado, despojado de seus fins.

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Moedas de cunho portuguesas e espanholas; entre outras. Outros achados, completam igualmente esta e outras descobertas de moedas de valor incalculável (o reportado na imagem refere-se exactamente ao adquirido de um tesouro de mais de 1 milhão de euros de um navio-almirante espanhol que naufragou ao largo da costa da Florida (EUA) em 1715, devido a um furacão); descoberta esta realizada por uma família de mergulhadores.

Neste particular caso do Bom Jesus, o espólio hoje analisado e devidamente identificado está em pose do Estado da Namíbia. Porquanto isso, vão-se intensificando averiguações e demais investigações entre cá e lá (Portugal e Namíbia) em maior cooperação na procura e análise de mais dados sobre este tão poderoso achado de El-Rei e Senhor, Dom João III, Rei de Portugal! E dos Algarves!

A Excitação Arqueológica
Tantos os tesouros de tantas glórias - e quiçá misérias - agora afundadas e tão lastimadas que não reavivaram memória alguma de tal tragédia, terão dito todos, os que na pátria ficaram e os seus não viram voltar, jamais, e sobre o tanto de desperdício e tragédia; ou tanta desdita, por terras longínquas e não suas, por terras distantes de amores não seus...

Os Arqueólogos souberam-no em primeiro; não foi necessário exteriorizá-lo, pois que há muito sabiam, por estudos e convénios, do que se trataria esta tão rica nau do glorioso tempo dos Descobrimentos Portugueses aquém e além mar.

O enfoque dado e o estímulo demonstrado, veio coadunar e reagrupar um pouco mais, se tal seria possível, este evento em fantástica descoberta de nau naufragada por meados de 1533, mais exactamente a 7 de Março desse nefasto ano, teriam dito os marinheiros moribundos, quase desfalecidos de todas as glórias.

E que mãos cheias de ouro seriam, mãos cheias de nada agora, pronunciariam ainda no estertor de suas parcas vidas em busca da luz da morte...

Ouro, muito ouro, para mais de 2 mil belas e pesadas moedas (muitas, cunhadas com as esfinges de Fernando e Isabel, os reis católicos de Espanha) e requintadas armas portuguesas de cunho e brasão real da Casa-Mãe Portuguesa, da coroa e nação de El-Rei Dom João III e, ainda, muitas outras moedas: venezianas, islâmicas, florentinas, etc.

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Estuário/Foz do rio Laranja (Orange River estuary), na Namíbia - na costa ocidental de África - onde se descobriu fundeado o navio português do século XVI de Dom João III (de cognome "o Piedoso" e "o Colonizador") pertença da Coroa Portuguesa à época...

O que dizem os entendidos...
Segundo relatou Francisco J. S. Alves, o já mencionado e excelentíssimo arqueólogo-veterano nestas andanças, do mundo subaquático português, chefe da Divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico  do Ministério da Cultura e consultor da edição portuguesa da National Geographic:

«Sabemos tão pouco sobre estes navios antigos. Esta, é apenas a segunda nau escavada por arqueólogos; todas as outras foram pilhadas por caçadores de tesouros». Mas afere ainda: «É uma oportunidade única!».

Francisco Alves reverbera de que os caçadores de tesouros nunca serão aqui um problema, e di-lo com toda a severidade possível de quem sabe do que fala. Reitera então: «Não aqui, no coração de uma das minas de diamantes, mais bem guardadas do mundo, numa costa cujo próprio nome "Sperrgebiet" significa - Zona Proibida - em alemão.

Os funcionários do consórcio suspenderam as operações em redor do local do naufrágio, contrataram uma equipa de arqueólogos e, durante algumas semanas de esplêndida distracção, escavaram História em vez de diamantes».

Algo que Filipe Vieira de Castro também corrobora e sublima, enaltecendo:
«Ainda há tanta coisa desconhecida... Estes destroços vão proporcionar-nos novos conhecimentos sobre tudo - desde o projecto do casco ao cordame, à maneira como estes navios evoluíram, às pequenas coisas do dia-a-dia, como por exemplo, a forma como cozinhavam as refeições a bordo ou os bens que os marinheiros traziam consigo nestas grandes viagens».

Ao abrigo entre uma parceria entre Portugal e a Namíbia, os Ministérios Portugueses da Cultura e dos Negócios Estrangeiros, permitiram assim a deslocação de uma equipa de peritos nacionais ao país africano. Menos mal, admite-se.

Os Arqueólogos satisfeitos com esta bonomia entre Estados, referem que só assim se pode chegar a melhores ou mais eficazes conclusões sobre o achado, no que já clarificaram algumas questões como, a de se encontrarem muitas moedas espanholas entre as portuguesas, no que os historiadores vêem complementar acrescentando tratar-se de algo absolutamente natural, uma vez que havia à época uma grande influência ou participação vorazmente activa/forte na armada de 1533. Ou seja, havia mais força e trato no que os unia do que o que os separava... entre Portugueses e Castelhanos, vulgo espanhóis no seu todo, mesmo sobre a separação ténue ou união dos seus reinos de Aragão, Leão e Castela em poderio exemplar!

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Mar dos Açores (Portugal): destroços de submarino alemão da Segunda Guerra Mundial.

Descobertas no fundo do Mar...
13 de Setembro de 2016: os destroços do submarino alemão U-581, utilizado na II Guerra Mundial,foram encontrados a quase 900 metros de profundidade no mar dos Açores por uma equipa de investigadores da Fundação Rebikoff-Niggeler.

O Naufrágio do submarino alemão da Segunda Grande Guerra encontra-se situado a sul de São Mateus - na ilha do Pico - declarou à agência Lusa, Kristen Jakobsen (que conjuntamente com o marido, Joachim Jakobsen) encontrou os destroços do submarino, entretanto transformados, segundo a própria, num autêntico recife de coral de águas frias.

Este corajoso e mui observador casal sobre águas profundas dos Açores - uma vez que aí vivem há já 17 anos (na ilha do Faial) - admitiu tratar-se de um achado fantástico. Kristen adiantou que sabia tratar-se do submarino alemão U-581 que foi afundado a 2 de Fevereiro de 1942 pela própria tripulação junto à ilha do Pico, após ter sido perseguido e atacado pelo navio inglês «HMS Westcott».

Kristen Jakobsen sublinhou ainda com toda a distinção sobre este submarino:
«O naufrágio tornou-se num autêntico recife de coral de águas frias; está a 870 metros de profundidade e, na minha opinião, é uma oportunidade para estudo científico - grande - porque foi colonizada por corais, sobretudo esponjas. Estamos perante ecossistemas vulneráveis, dos quais se sabe ainda muito pouco sobre as taxas de crescimento».

O que Kristen Jakobsen veio instar, há muito os investigadores se debruçam, no que, muitas vezes, estas carcaças de navios abandonados à sua sorte subaquática, desde sempre, acabam por servir de casulo, habitat e desenvolvimento de populações marinhas diversas (nesse tal ecossistema vulnerável sim, mas muito caprichoso e de certa forma auspicioso), se tivermos em conta o que ainda há e haverá por explorar sobre as espécies que se atolam com os navios/submarinos nas profundezas.

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Astrolábio Português (do século XVI) no fundo do mar da Namíbia. Portugal foi longe, sobre a terra e sobre o mar. Quão longe mais se irá, se o deixarem, se o engrandecerem, sob a égide dos Descobrimentos não de outrora mas da actualidade (em profusão e desenvolvimento, investigação arqueológica e marítima) sobre riquezas de todos os tempos... E que riqueza maior não será que a do conhecimento que não a do açambarcamento, se todos ganharmos com isso?!

Deixai falar os do Conhecimento...
«(...) É difícil pensar na História da Humanidade sem pensar em barcos, em marinheiros e em viagens. Muito antes de haver agricultores e pastores, já havia Marinheiros!
A colonização da Austrália, que só pode ter sido feita por mar, data pelo menos de há 60.000 anos, fazendo prova das navegações oceânicas mais antigas que se conhecem. Estudos recentes, levaram alguns cientistas a colocar a hipótese de ter havido uma migração da Península Ibérica para o Continente Norte-Americano há cerca de 12.000 anos.

Esta teoria baseia-se em semelhanças encontradas no ADN mitocondrial dos membros de uma cultura do Paleolítico Superior Ibérico - o Solutrense - e dos povos da cultura pré-histórica Clovis que ocupou o continente americano desde pelo menos há 11.600 anos. Mas muito embora esta e outras teorias sobre navegações transatlânticas no Pelolítico europeu não estejam ainda sólida e definitivamente provadas, sabemos contudo que desde há mais de 9000 anos, os Gregos do Peloponeso se aventuravam pelo mar dentro.

Na Gruta pré-histórica de Franchthi encontraram-se instrumentos feitos de obsidiana obtida na ilha de Melos - a mais de 100 quilómetros da costa - datando do oitavo milénio antes de Cristo.

A História das Navegações Europeias é assim longa e rica e, como se sabe, Portugal desempenhou nela um papel muito especial. É pena que a maioria dos Historiadores e Arqueólogos se tenha dedicado quase exclusivamente ao estudo do período da Expansão Europeia  pós-Medieval, porque Portugal tem uma história de viagens marítimas que remonta ao final da Idade do Cobre e, se estende até à revolução do vapor e ao estabelecimento de carreiras regulares entre Lisboa e Porto.

As Costas Portuguesas foram visitadas e habitadas por inúmeros povos mediterrânicos durante o primeiro milénio antes de Cristo e, mais tarde, durante o milénio que se seguiu, foram invadidas e populadas pelos Romanos, que foram provavelmente os melhores construtores de navios de Pisa e Génova, que também eram dos melhores da Europa de então. Mas não é só a Construção Naval Erudita que interessa aos arqueólogos.

A Pesca e a Pirataria foram um motor do desenvolvimento da construção naval durante a Idade Média com uma importância incontornável para os historiadores.

Portugal continuou a enviar navios à Índia, à China, à África e ao Brasil, e o tráfego nos portos portugueses durante os séculos XVIII e XIX era intensíssimo. (...)
Todos estes navios diferentes sulcaram as águas portuguesas e muitos por cá se perderam. Alguns, desintegraram-se para sempre, outros foram recuperados pelas populações ribeirinhas, outros destruídos por processos naturais, por redes de arrasto, dragas e mergulhadores desportivos, outros jazem no fundo ainda à espera de ser descobertos pelos mergulhadores da nossa Era (...)».

         - Extracto parcial das sábias e mui dignas palavras de Filipe Vieira de Castro (Texas A&M University College Station), na introdução do livro sobre os Enigmas da Costa Portuguesa: «A Costa dos Tesouros» -

Um abençoado muito obrigado pela disponibilidade de conhecimentos com que nos abraça nesta causa da costa portuguesa e de seus navios outrora cheios de vida -  enfunados e não contrariados - dessa sua outra missão de segurar ânimos e esperanças (que não morte e desesperança) através dos tempos ou dos destroços ainda não descobertos por alguns de nós.

Um Muito Obrigado em nome de todos os Portugueses e Portuguesas ( e povo do mundo) que desejam e merecem saber mais de seus antepassados de braçais condições e outras afeições, e de seus navios atracados, ainda hoje, no fundo do mar...  em vagas memórias que sempre para si ficam...

domingo, 2 de julho de 2017

Portuguese Army in One Minute 2017

PORTUGAL a country of extraordinary people

30 Famous People You Probably Didn't Know Were Portuguese

How Powerful Is Portugal?

Parabéns, Selecção!

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Quando um honroso e não desprestigiante terceiro lugar no pódium, é apenas e tão-só, um vulgar ou inopinado paliativo para as muitas dores de Portugal em ferida aberta, em chaga presente, do que ainda nos dói sobre as pedras tumulares de 64 mortos por justificar...

Parabéns à Selecção Portuguesa!
Não tendo sido excelente não nos foi uma desonra. Não tendo sido brilhante, não nos foi uma daquelas vergonhas mundiais sobre audiências ou referências que nos maculassem o corpo e a alma de tanto nos vermos soar e correr (e apupar que não aplaudir) tão bravos guerreiros de bola nos pés e uma lusitana garra que, por vezes, até ecoa ou nasceu sobre terras de Vera Cruz.

O auto-golo de Luís Neto não nos desmotivou, mas fez certamente roer ainda mais as unhas (as das mãos e as dos pés) para quem via tardar o merecido golo lusitano de alma portuguesa dos pés à cabeça. Má-sorte ter-se errado na baliza certeira, ou correcta, e tudo ter ido em segundos (aos 54`) para os brejos, num ápice de largo desapontamento, desilusão e consternação nacionalistas de uma endémica malapata portuguesa eternamente frustrante.

Há quem diga que, se não sofrermos, não somos bons Portugueses; aliás, bons chefes de família e por aí fora. Que o sonho comanda a vida e, nem mesmo por não termos direito à reluzente e auspiciosa Medalha de Ouro (primeiro lugar do pódium) não se deixa de ser estimado e, homenageado, só por se ter adiado férias e descansos lá para outros lados...

E então Pepe marcou e encantou (aos 90`+1) todo o plantel e, toda a minha nação lusa em anulação do auto-golo do seu companheiro de equipa, que arcou com as culpas e as pesadas injúrias de quem o viu dar de mão beijada a vitória aos Mexicanos. Tudo empatado, lá íamos nós, cantando e rindo; ou seja, pontapeando e bufando, pois que já se ia fazendo tarde para o tal golo da vitória sobre o México num prolongamento de larga estafa e nervos à flor da pele.

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Pepe: o mais lusitano guerreiro que nasceu no Brasil mas a quem a Selecção Portuguesa de Futebol abraçou como filho seu, de sangue e raça, cor e brasão e tudo o mais, pois que a minha nação é feita de todos e não tem cor nem podia ter; somos todos Um!

Da Persistência se fazem os heróis...
Mesmo sendo o jogo de futebol que ninguém queria jogar - e muito menos perder, sendo expulso nos últimos minutos desse jogo, o treinador do México, o mui irritado Juan Carlos Osorio (em veementes protestos que de nada lhe valeram) - Portugal viu-se irradiar uma outra luz, de justiça e de boa-aventurança, sob os desígnios do árbitro que assinalou uma grande penalidade (em favor de Portugal e contra o México por bola tocada com o braço). Adrien Silva foi certeiro (aos 114`), fitando o guarda-redes mexicano e tudo acabou em bem; para Portugal (2-1) e a vitória é nossa!

Fernando Santos (treinador da selecção portuguesa) respirou de alívio, encomendando em surdina mais uma oração à sua Santa preferida ou a um seu Deus que lhe está sempre presente e rumará porventura e agora para o Mundial (senti-o dizer para si). Esta já está; a bem ou a mal lá tivemos préstimos para exibir um honroso terceiro lugar e umas medalhas de bronze ao peito. Para o ano há mais no Mundial que se avizinha...

Na Primeira Participação de Portugal na Taça das Confederações não nos demos mal; podia ter sido melhor, pois podia, mas não foi. Glória então aos Alemães e aos Chilenos, e que vença o melhor, como sempre afirmo. (Notícia de última hora: Chile-Alemanha 0-1, ou seja, mais uma merecida vitória em medalha de ouro e primeiro lugar do pódium para a Alemanha). Parabéns, Alemanha!

Ainda que nos doa o termos sido tão erráticos ou mais exactamente tão pouco certeiros quanto aos penáltis marcados no jogo contra o Chile (por grandes penalidades no desperdício, incompetência ou puro azar dos azares), o certo é que superámos mais esta maldição que nenhum bruxo ou requisitados intervenientes das forças do mal poderiam colmatar; com e-mails ou sem estes...

E havendo de tudo (expulsões, confrontos e demais arruaças entre todos), o apito final ditado pelo senhor árbitro saudita - Fahad Al-Mirdasi - seria crucial, enunciando a Vitória de Portugal - como terceiro - na Taça das Confederações e pronto, tudo resumido.

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A alegria que nos resta de Portugal em Festa mas, sem mais abraços para dar, sem mais efusividade para comemorar. Quando tudo acaba em bem, é sempre legítimo acreditar-se de que algo vai mudar... para melhor!

O Gosto de Vencer!
Sendo apenas um jogo de futebol, foi também uma pequena-grande alegria para os Portugueses do pouco que nos resta em solo lusitano - Ibérico por nascença. E hoje somos heróis; não pela vitória amarga sobre o México (daquela outra que nos fugiu com o Chile), mas por acreditarmos na resiliência portuguesa de que as lágrimas sempre se secam com os risos de quem nos dá tamanha alegria efémera de um «simples» jogo de futebol...

Moscovo (Arena Otkrytie), na Rússia, foi o palco de mais uma festa, é certo; desta vez em cores portuguesas. O futebol é assim. Amigos mexicanos, não fiquem tristes, pois a vida é cíclica, roda sempre sem parar e se uns ganham e outros perdem, de novo tudo roda; e tudo se aposta - de novo e invariavelmente - num grande espectáculo de emoções e contribuições para que o Futebol seja apenas uma festa e só isso, mesmo que haja muito dinheiro envolvido sem que o destrinçamos da vida quotidiana de todos nós, a não ser que nos calhe o Euromilhões...

Mas dizia eu, que fastio de consolo pode ser este, ou que pouco aturdimento este fátuo acontecimento futebolístico nos fará, sobre tantas penas e tantas atribulações que o meu país tem vivido ultimamente?! E que alegria triste é esta então que nos consome por dentro o que por fora não se vê???

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Imagem da Google Maps - Tancos, Santarém (Portugal): Observação aérea sobre o espaço territorial da Base Militar de Tancos e das Forças Armadas (Exército) desta unidade especial que mantém um composto arsenal de guerra de pertença e guarda da República Portuguesa; hoje mais pobre e infelizmente mais insegura, após o roubo de uma ostensiva lista de munições -  e sequencial inventário feito pela PJ (polícia judiciária) e entidades militares - de todo o material furtado das instalações.

Golpadas e Saques...
Da insinuada bruxaria sobre resultados no futebol (em estouvada golpada de perdedores), ao saque imparável do espólio militar de munições roubadas e de seus paióis violados em profusão futura latente (supostamente), de irem dar guarida e provisão a uns quantos grupos terroristas ou de comércio livre de países do submundo em orgias de assaltos (e outras franquias que aqui nem quero ou posso nomear, mas, de grande monta) que mais haverá a perfilar? Que mais haverá a esconder ou, a seguidamente nos envergonhar ainda mais...?

E que mais nos sobrará que a indignidade de sermos ou querermos ser dignos sem o sermos...? De termos todos os olhos postos em nós, olhos acusadores, de negligências e poucas apetências para guardarmos o que é nosso, o que nunca nos devia ter sido retirado?! E da NATO, da Interpol e Europol (que temos à perna), ao terem sido avisadas num ensejo pouco recomendado ou pouco liderado por quem nos deveria salvaguardar e não, entregar em esbulho que não expurgo, o pouco que ainda nos sobra, a nós, portugueses, depois de tanta miserável condição escarrapachada numa lista de armamento roubado em jornais espanhóis?!

E se nada disto é comparável, equidistante de importância, alquimias ou mesmo alcavalas de outros tempos, outras serranias, que dizer de tanto desbragamento, de tanta desvirtuada consideração pelos mortos, ou pelos outros, os vivos, os que se interrogam e lastimam por que razão foi tal acontecer...?! Quem manda, quem fala e quem de direito o assume...? Que Portugal é este que sofre, mesmo que de medalha de bronze ao peito???

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Imagem nocturna da Península Ibérica (gentileza da NASA/ESA). O que se observa via satélite no que por via terrestre e, humana, se não identifica numa Ibéria quase maldita de incompreensão e aferição de mandos e desmandos que nem Júlio César pôde ou soube vergar...

Urgente encontrar o caminho!
Perdidos são os caminhos que não sabemos onde irão dar; perdidos estamos nós todos - Portugueses - se nos não soubermos comandar ou, deixarmos desmandar por outros, como há muito Júlio César o grande Imperador Romano nos apregoou de lauto tom e assertiva voz:

«Há nos confins da Ibéria (Lusitânia), um povo que não se governa nem se deixa governar», ao que eu registo e não contradigo para grande e igual infortúnio meu deste meu chão e deste meu céu que, vivesse eu outras eras, outros tempos, e tudo seria igual. E desde que haja Pão e Circo, e tudo continue sem Rei nem Roque, sem nada de seu, sem nada que o proteja, o meu Portugal continua a chorar... ainda que sorria por breves momentos...

Haja Futebol, hajam medalhas, haja Festa em Portugal! Haja tudo (sem acesso e lampejo de foguetes, balões acesos e outros eflúvios aéreos, desde os drones que intimidam aviões às bombinhas de Carnaval, e tudo em proibição legislativa de alta punição para quem o prevarique), pois que Portugal continuará a viver - ou a sobreviver - neste lodaçal gritante mas muito reconfortante de sermos todos uns comandantes de coisa nenhuma ou de lado algum; e pior, sabe-se lá para onde...